Valdivia Beauchamp apresenta novo romance histórico sobre Gertrude Bell em lançamento no Recife
Escrito por Valdivia Beauchamp, "Kaffeekantate" fala sobre a vida de escritora que ajudou a definir os rumos do Oriente Médio e será lançado hoje na APL
Publicado: 03/08/2026 às 06:00
Autora recifense vive em Nova York e já entrevistou estadistas como Jimmy Carter e Helmut Kohl (Divulgação)
Um romance histórico bilíngue que entrelaça literatura, memória e política. Essa é a base do livro "Kaffeekantate", escrito pela jornalista recifense Valdivia Beauchamp, membro da Academia de Letras da Grande São Paulo (ALGRASP). Nesta segunda-feira (3), a obra será lançada na Academia Pernambucana de Letras, no Recife, às 19h. Na sequência, ela seguirá para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que ocorre entre os dias 3 e 14 de setembro.
A narrativa gira em torno de Gertrude Bell (1868-1926), escritora e arqueóloga britânica brilhante que ajudou a desenhar os rumos políticos do Oriente Médio atual. Iniciada no presente, época em que a personagem real revisita suas ruínas emocionais, a história mergulha no declínio do Império Otomano e segue até a criação do Iraque e a coroação do rei Faisal I. O escritor alemão Thomas Mann será uma peça fundamental na trama, em uma construção de viés tanto histórico quanto cultural.
Nascida na capital pernambucana, Valdivia se mudou para os Estados Unidos e atualmente reside em Nova York. Ao longo de suas seis décadas de carreira, ela já conversou com estadistas como Jimmy Carter e Helmut Kohl, além de cobrir, como repórter, o Congresso Nacional e as embaixadas na Capital Federal. O interesse pela personagem já a levou a escrever outros dois livros sobre ela: "Khatun, Gertrude Bell mentor de Lawrence d'Arabie" (2012), mais voltado para a atuação de Bell no Oriente Médio, e "My Mesopotamia Notes, of Gertrude Bell" (2015), baseado em anotações e diários da exploradora.
O romance de Valdivia se dedica a duas vozes que estão sempre em confronto: a voz confessional de Bell e a voz acusadora da mídia, que a persegue como um fantasma. É dessa tensão que o livro faz sua reflexão sobre poder, identidade, culpa e legado. "Esse fio narrativo, separado da história principal, é entrelaçado ao longo do romance, assombrando Bell do início ao fim. Ao lado de Thomas Mann, testemunhamos a fusão da cultura das plantações de café do século XX com a cultura intelectual que proporcionou a Gertrude Bell conforto em seus anos finais", explica a autora.