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Luiz Lins lança disco que desconstrói o ‘canalha’ com participações de João Gomes e Raphaela Santos

"Os Canalhas Também Envelhecem", novo álbum de Luiz Lins, será lançado nesta terça-feira (7). O projeto aborda a canalhice como postura ética, discute comportamento social e destaca a cultura urbana nordestina em sua sonoridade

Allan Lopes

Publicado: 06/07/2026 às 06:00

Novo álbum de Luiz Lins,

Novo álbum de Luiz Lins, "Os Canalhas Também Envelhecem" será disponibilizado nesta terça-feira (7) (Foto: Caio Lima)

A figura do canalha e as consequências de suas escolhas são a premissa de “O.C.T.E - Os Canalhas Também Envelhecem”, novo álbum de Luiz Lins. Na contramão da romantização desse arquétipo tão recorrente na música brasileira, o cantor e compositor pernambucano investiga as implicações éticas da canalhice.

Em paralelo, a obra se consolida como um manifesto político e estético que exalta a cultura urbana nordestina em todas as suas camadas, aproximando sanfonas e sintetizadores com um elenco de convidados majoritariamente da região, entre eles João Gomes, Mestrinho, Raphaela Santos e Wiu. O álbum estará disponível nas plataformas digitais a partir desta terça-feira (7).

Inspirado no pensamento ético defendido pelo filósofo Clóvis de Barros Filho, o artista trata a canalhice como uma postura cujas consequências recaem tanto sobre quem a pratica quanto sobre as pessoas ao seu redor.

“Não é a história de um indivíduo específico, mas de um comportamento e dos caminhos que ele pode produzir, seja em versões mais “monstruosas”, seja em formas mais normalizadas na vida social”, explica Luiz Lins ao Diario. A intenção, segundo ele, é fazer um contraponto à glorificação do canalha no imaginário popular. “Em certos contextos, é transformado até em herói”, ressalta.

O processo de criação de “Os Canalhas Também Envelhecem” começou de forma despretensiosa, com registros em voz e violão que foram sendo desenvolvidos ao longo de anos. Ao lado de Jnr Beats e Mazili, Luiz Lins transformou essas experimentações em uma pesquisa estética que aproxima ritmos populares e eletrônicos até chegar ao que define como "EDM nordestino": uma sonoridade na qual brega recifense, forró de paredão, sertanejo, bachata, ranchera mexicana, trap e música eletrônica convivem sem hierarquias.

A habilidade em transitar por tantas referências evidencia uma maturidade musical que impressiona, sobretudo pelo breve intervalo de três anos que separa este álbum de Plástico. Não houve mágica, mas sim a consequência direta de Luiz ter assumido as rédeas do projeto, assinando desde a produção musical e seleção de músicos até o conceito estético e a arte de capa.

“Em ‘Plástico’, havia referências mais americanizadas e distantes da minha geografia. Agora, esse repertório aparece de forma muito mais central e evidente”, explica o músico.

As colaborações do projeto reforçam a assinatura regional, trazendo nomes de peso do Nordeste como João Gomes, Wiu, Raphaela Santos e MC Tocha. A única exceção é o mineiro MC Braz, cuja participação foi adaptada e ressignificada para coexistir com a proposta do disco.

Para o cantor, a obra carrega uma forte dimensão política no momento em que se propõe a nacionalizar estéticas estrangeiras. “O que seria uma cena de EDM, por exemplo, aqui pode ser entendido como outras formas locais de produção musical, como o paredão, o brega e suas variações”, comenta Luiz.

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