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Em homenagem ao Diario, "Livro do Nordeste II" traz visões da região em dois séculos

Já disponível nas livrarias, o "Livro do Nordeste II" homenageia os 200 anos do Diario de Pernambuco e projeto clássico de Gilberto Freyre lançado há um século

Roberto Gazzi

Publicado: 13/06/2026 às 08:42

O jornalista e arqueólogo Múcio Aguiar é um dos organizadores do

O jornalista e arqueólogo Múcio Aguiar é um dos organizadores do "Livro do Nordeste II", ao lado do diplomata e historiador André Heráclio do Rêgo (Karol Rodrigues/DP Foto)

Um livro para homenagear o centenário do Diario de Pernambuco foi pensado há um século por Gilberto Freyre. Pois o “Livro do Nordeste” tornou-se um clássico brasileiro. Um século depois, o diplomata e historiador André Heráclio do Rêgo e o jornalista e arqueólogo Múcio Aguiar resolveram relembrar a homenagem e, com o auxílio do deputado estadual Nino de Enoque e o apoio do presidente do DP, Carlos Frederico Vital, está nas livrarias o “Livro do Nordeste II”. A obra traz 20 artigos de especialistas que, na definição de Múcio, documentam este segundo século testemunhado pelo Diario de Pernambuco.

Na entrevista a seguir, Múcio Aguiar falar mais sobre o livro:

O que motivou vocês a escreverem o “Livro do Nordeste II”?
A provocação saiu do diplomata André Heráclio do Rêgo, que numa conversa pontuou que deveríamos nos engajar em relembrar importante obra literária, organizada por Gilberto Freyre, que foi pensada para festejar o primeiro centenário do Diario de Pernambuco. O primeiro “Livro do Nordeste”, publicado em 1925, trouxe em suas páginas os principais intelectuais daquela época e com eles o debate sobre o Nordeste, que oficialmente só foi estruturado como região pelo IBGE em 1969, com o agrupamento dos estados que temos hoje. Com o bicentenário do DP nascia a oportunidade de continuar o pensamento de Freyre e revisitar o Nordeste com um segundo livro, atual, e que possa ser continuado a cada 100 anos, nas festividades do jornal que mais representa a identidade brasileira. “O Livro do Nordeste II” reúne 18 especialistas de múltiplas áreas para em 20 artigos documentar o segundo século testemunhado pelo Diario.

Resumidamente, dá para listar algumas das principais diferenças e semelhanças do Nordeste passado um século?
Em 1925 nossa região era Norte, tínhamos uma economia predominantemente agroexportadora e de pecuária extensiva. Apesar da baixa alfabetização e de graves problemas sociais, existia uma valorização da educação e cultura. Em 2025 somos reconhecidos como Nordeste. Pernambuco ocupa o segundo lugar como polo médico e vem crescendo como polo tecnológico. Já o Recife não é mais dos mascates e vive, a meu ver, um empobrecimento cultural e perda de identidade com o fim das calçadas portuguesas e de outros elementos artísticos e musicais. Além do lixo e da população em situação de rua ocupando os espaços.

Acredita que daqui há um século algum jornalista, ou robô, escreverá o “Livro do Nordeste III” tendo o DP como base?
Ainda acredito que somente o humano terá a sensibilidade de editar o texto da IA para nele expressar emoções pessoais, próprias de cada indivíduo e adquiridas ao longo da vida. Na era digital estamos revivendo momentos analógicos. Acredito no reconhecimento dos jornais tradicionais (seculares) como importantes documentos de memória e de informação – que tem na sua longevidade a credibilidade de informar com responsabilidade.

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