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Conheça as ‘irmãs evento’, aposentadas cinéfilas dedicadas às atividades culturais do Recife

Dupla Zenaide e Fátima marca presença nos principais eventos culturais do Recife; já estão sendo chamadas de "irmãs evento" por onde passam

André Guerra

Publicado: 09/06/2026 às 05:00

Fátima à esquerda e Zenaide à direita; irmãs se tornaram conhecidas na cidade, em particular nas sessões de cinema, pela assiduidade nos eventos culturais/Foto: Rafael Vieira/DP

Fátima à esquerda e Zenaide à direita; irmãs se tornaram conhecidas na cidade, em particular nas sessões de cinema, pela assiduidade nos eventos culturais (Foto: Rafael Vieira/DP)

Frequentadores de espetáculos, shows, exposições e, sobretudo, sessões especiais de cinema no Recife muito provavelmente já esbarraram em Zenaide e Fátima de Souza. As duas marcam presença em todo tipo de movimento cultural da cidade há mais de 30 anos e já estão sendo carinhosamente apelidadas de “irmãs evento” por onde passam. A referência do nome é feita aos “irmãos evento” — Joel e Abrahão Datz, figuras lendárias da capital pernambucana, famosos pela participação em praticamente todas as atividades culturais da cidade.

Porém, diferentemente da dupla já falecida de irmãos judeus, Zenaide e Fátima sempre conciliaram seus trabalhos formais com a constância em espaços culturais. Atualmente com 70 anos, Zenaide está aposentada da carreira de pedagoga e professora. Já Fátima, de 62 anos, aposentou-se da profissão de contadora. Ao todo, seus pais tiveram oito filhos (três mulheres e cinco homens), mas apenas elas se destacaram pelo gosto por eventos. Sempre com um sorriso no rosto e generosidade para compartilhar suas histórias, as duas não sabem o que é viver longe uma da outra.

“Sempre moramos juntas, desde jovens. Nunca nos casamos nem tivemos filhos. Nossa vida se tornou cada vez mais dedicada ao consumo da cultura. A companhia uma da outra é indispensável”, afirma Zenaide em conversa com o Diario. “Nunca tivemos vontade de trabalhar com isso. Vamos porque gostamos e estamos sempre encontrando as mesmas pessoas, que já nos tratam como celebridades e, às vezes, pedem para tirar fotos”, completa Fátima.

Ao longo dos anos, elas guardaram dezenas de cadernos com colagens de fotos de artistas e celebridades que encontraram nos eventos e têm o sonho de publicar esse material. “Nosso desejo é fazer um livro. Provavelmente com tudo o que temos do Cine PE, que é certamente o evento ao qual mais fomos em toda a vida”, diz Zenaide. “Temos várias histórias incríveis com tantos atores e figuras que encontramos pelo caminho, o suficiente para render mais de uma exposição”, reforça Fátima, mostrando as matérias recortadas dos jornais e as fotografias reveladas.

O amor pelo cinema brasileiro é tão grande que as irmãs já deixaram de ir a aniversários de amigos e a shows de artistas célebres. “Quando o assunto é filme, e principalmente filme nacional, a gente perde tudo o que precisar perder. Pegamos o carro e chegamos cedo todas as vezes em que eles entram em cartaz”, garante Zenaide.

Elas narram ao Diario sessões históricas de filmes que tiveram a oportunidade de ver nascer, como “A Ostra e o Vento”, “Central do Brasil”, “Zuzu Angel” e, mais recentemente, “O Agente Secreto”. “Ter passado a vida toda assistindo a tantos filmes e anotando observações sobre todos eles se tornou ainda mais especial quando pudemos ver, na tela grande, os cenários que cercam tantos dos lugares que frequentamos. Todas as artes são mágicas, mas o cinema tem essa característica especial de unir todo mundo para viver, ao mesmo tempo, uma mesma experiência”, exalta Fátima.

Já mais velhas, elas ganharam a companhia da saudosa Célia, amiga que passou a frequentar especialmente sessões de cinema junto com a dupla. Durante a histórica 30ª edição do Cine PE, festival que frequentaram assiduamente ao longo de todos esses anos, as irmãs receberam uma homenagem de Sandra Bertini, diretora do evento. “Há muitos anos nossa equipe dizia: ‘Gente, precisamos homenagear Zenaide e Fátima e trazê-las para o palco’. Elas sempre foram as primeiras da fila, em todas as edições. E guardam recordações de cada uma delas com tanto carinho. Algo assim não tem preço para nós”, contou a diretora à plateia, que ovacionou a dupla.

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