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FESTIVAL DE CANNES

'Paper Tiger' coloca Adam Driver e Scarlett Johansson nos maiores momentos das carreiras de novo

Lançado no 79º Festival de Cannes, 'Paper Tiger', dirigido por James Gray ('Amantes' e 'Ad Astra') e produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira ('Ainda Estou Aqui') é uma duas únicas produções norte-americanas na disputa pela Palma de Ouro

André Guerra - Enviado especial

Publicado: 17/05/2026 às 17:02

Adam Driver e Miles Teller interpretam irmãos que se metem em uma perigosa situação envolvendo a máfia russa, na Nova York de 1986/Neon/Divulgação

Adam Driver e Miles Teller interpretam irmãos que se metem em uma perigosa situação envolvendo a máfia russa, na Nova York de 1986 (Neon/Divulgação)

CANNES - A 79ª edição do Festival de Cannes começa a se encaminhar para sua segunda semana e o thriller norte-americano "Paper Tiger", dirigido por James Gray (de "Ad Astra") e produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira (de "Ainda Estou Aqui"), já pode ser considerado um dos maiores destaques do evento, que ocorre na Riviera Francesa. Com Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller nos papéis principais, o filme esquentou a corrida pela Palma de Ouro, que será revelada apenas na cerimônia de premiação, no dia 23 de maio.

Na trama, ambientada na Nova York de 1986, Gary (Adam Driver) e Irwin (Miles Teller) são dois irmãos bastante diferentes. O primeiro é um policial de grande sucesso e personalidade expansiva, enquanto o segundo é um homem comum do Queens, que vive com sua esposa Hester (Scarlett Johansson) e seus dois filhos pré-adolescentes. Quando Gary oferece ao irmão a oportunidade de um negócio irrecusável envolvendo a máfia russa, tudo começa a dar errado.

Driver e Johansson atingiram o ápice do prestígio em Hollywood quando foram indicados ao Oscar de Melhor Ator e Melhor Atriz, respectivamente, pelo drama "História de um Casamento" (2019). Aqui, apesar de contracenarem pouco, estão novamente em dois dos maiores momentos de suas carreiras. Miles Teller, como esse personagem mundano colocado em uma situação de perigo extremo, não fica atrás e protagoniza uma das mais tocantes cenas do filme.

"Paper Tiger" marca a sexta participação de James Gray na competição oficial do Festival de Cannes — a última foi pelo drama "Armageddon Time" (2022). Elogiado por filmes como "The Yards", "Os Donos da Noite" e "Era uma Vez em Nova York", o cineasta novaiorquino é mais conhecido pelo prestígio nos festivais e na repercussão da crítica do que pelo sucesso comercial, mas este seu novo trabalho pode marcar uma mudança, já que a Neon (que lançou nos Estados Unidos os últimos seis vencedores da Palma de Ouro, incluindo "Anora" e "Foi Apenas um Acidente") adquiriu os direitos de distribuição.

Ao mesmo tempo, a produção tem 100% do estilo clássico e enxuto de James Gray, remetendo em particular aos suspenses com que começou sua carreira. Do uso das sombras e cores amarelas à ambientação em Nova York, que ele domina tão bem, passando pela ideia da família como epicentro dramático até chegar ao confronto inevitável com as escolhas individuais do homem americano, "Paper Tiger" não foge em nada da assinatura do diretor. Neste caso, trata-se de uma excelente notícia.

Gray é um dos autores mais cultuados do cinema hollywoodiano por preservar — e depurar — uma noção objetiva e elegante de construção de roteiro e de imagem. Sua câmera é sempre muito expressiva, mas jamais intrusiva. E, apesar da elegância visual, os planos só chamam atenção para eles mesmos quando o drama atinge um pico de tensão de roer as unhas. Em "Paper Tiger", isso ocorre pelo menos duas vezes.

A Palma de Ouro em Cannes costuma ir para produções que provocam um impacto diferenciado na competição — nem sempre de maneira unânime. Nesse sentido, é possível que a obra de James Gray seja novamente preterida em função de nomes de destaque que disputam o prêmio esse ano, já que possui características estruturais e formais já tão vistas antes na filmografia do realizador. Por outro lado, é possível (e seria justo) vê-lo receber o reconhecimento em outra categoria prestigiada. A se ver.

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