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Museu do Porto do Recife será inaugurado em maio e reúne peças que relembram as origens da cidade

Museu do Porto do Recife será inaugurado em maio e reunirá mais de 100 peças, além de matérias e registros fotográficos que contam a história da construção da região portuária da cidade

André Guerra

Publicado: 02/05/2026 às 06:00

 /Foto: Rafael Vieira/DP

(Foto: Rafael Vieira/DP)

O começo da história da capital pernambucana — muito antes de assim ser denominada — está prestes a ganhar um novo espaço de aprendizado, celebração e memória. Com inauguração prevista para a 24ª Semana Nacional dos Museus, que ocorre entre 18 e 24 de maio, o Museu do Porto do Recife vai revelar a memória portuária da cidade, que nasceu na região e cujo nome vem dos próprios arrecifes naturais que contribuíram para a vocação do Recife para a movimentação de cargas e atividades econômicas que mudaram o estado.

“O Porto é um equipamento de logística e infraestrutura central, sim, mas é também o berço de tudo o que o Recife representa. É onde nasce a nossa cidade e guarda personagens que marcaram os séculos, agregando valor às pesquisas, aos estudantes e às universidades, como centro de referência para o entendimento da nossa cultura, inclusive em nível nacional”, explica o presidente da instituição, Wagner Maciel. “Será essencial, inclusive, para os turistas que vêm de cruzeiro e, geralmente, têm a oportunidade de passar o dia até o fim da tarde na cidade. Ou seja, é um espaço privilegiado tanto para as pessoas da terra quanto para quem vem de fora”, destaca.

Entre 1984 e 1989, o Porto do Recife contou com um espaço memorial que guardava documentos e objetos em um pequeno acervo, mantido pelos próprios funcionários. Em 2022, a antiga comissão iniciou o projeto atual do museu no formato atual, que reúne mais de 100 peças históricas. Em março deste ano, o museu já estava finalizado, localizado no setor administrativo do Porto, na Praça da Comunidade Luso-Brasileira.

Registros fotográficos da construção do local sobretudo do português Francisco du Bocage, considerado o mais importante nome da fotografia pernambucana da virada do século 19 para o século 20, estão entre as peças mais importantes do acervo. “Os três maiores acervos dele são o do Instituto Moreira Salles, em São Paulo, o do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e este. Então, é um privilégio enorme poder compartilhar com o público em um espaço central na história dele e do Brasil”.

O museu resgata ainda matérias de jornais, ferramentas utilizadas na época, pinturas que criam uma linha do tempo do período e instalações que explicam o funcionamento econômico e as principais cargas da região portuária. Relatos de funcionários que trabalharam em diferentes momentos do Porto do Recife também compõem o acervo, oferecendo uma perspectiva pessoal e afetiva de quem colaborou para a consolidação de um dos mais estratégicos espaços da capital. “É uma forma de homenagear todos aqueles que contribuíram com essa história tão longeva e, ao mesmo tempo, ajudar a formar novas gerações recifenses, que precisam conhecer e valorizar essa origem da cidade”.

Tsuey Lan Bizzocchi, curadora e fotógrafa, destaca que a equipe formativa do projeto já está montada e revela que há planos de criar um trabalho permanente voltado para difundir as ações do museu entre as novas gerações. “Nosso plano é trazer as escolas e integrar as pessoas das comunidades do Pilar e de Santo Amaro para conhecerem o museu em uma semana educativa. Temos previsão de criar um núcleo educativo para essas ações, depois que o museu já estiver inaugurado”, salienta.

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