Panela do Jazz confirma nova edição no Recife em 21 de novembro, com homenagem a Moacir Santos
O Festival Panela do Jazz 2026 terá o tema "Quilombo Sonoro: Liberdade e Ancestralidade – As Mil Faces das ‘Coisas’ de Moacir Santos" que guiará a programação com shows, atividades de formação, feira gastronômica, dentre outras atrações.
Publicado: 30/04/2026 às 12:19
O festival Panela do Jazz acontece no bairro do Poço da Panela, na Zona Norte do Recife (Beto Figueiroa/Divulgação)
Criado em 2018, o festival Panela do Jazz já é tradição no calendário cultural do Recife. Neste ano, o projeto confirmou a nova edição no dia 21 de novembro, prometendo mais um sábado de programação gratuita com muita música instrumental no bairro do Poço da Panela, na Zona Norte do Recife. Com o tema “Quilombo Sonoro: Liberdade e Ancestralidade – As Mil Faces das ‘Coisas’ de Moacir Santos”, o evento vai homenagear o músico pernambucano Moacir Santos, que faria 100 anos em 2026, se vivo estivesse.
Atividades de formação, área gastronômica, feira de economia criativa e intervenções artísticas vão tomar conta do Panela do Jazz este ano. Assumindo o quilombo como metáfora de criação coletiva, o Panela do Jazz provoca com o tema de 2026 a postura de resistência e inovação dentro da música instrumental, além de posicionar a ancestralidade como força ativa e contemporânea.
“A música oriunda de matrizes afro-brasileiras, das tradições populares e afro pernambucanas, além do jazz instrumental brasileiro, mantém a arte da improvisação como protagonista da programação musical do Panela do Jazz, valorizando ao mesmo tempo estéticas rítmicas como o afoxé, o maracatu nação e o coco de embolada”, aponta o idealizador e curador do festival, o produtor cultural Antonio Pinhêiro.
As ações formativas de 2026 seguirão o mesmo caminho, mas agora conduzidas pela escuta e memória. Tanto elas quanto a programação musical em si serão divulgadas em etapas, pelos próximos meses. As informações serão todas divulgadas no perfil de instagram do festival: @paneladojazz.
Moacir Santos: um centenário musical
Nascido no sertão do Pajeú, em 1926, o arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista Moacir Santos faria 100 anos se estivesse vivo. Movido por este centenário, o Festival Panela do Jazz escolheu Moacir Santos como homenageado deste ano, celebrando o legado do pernambucano que fez música para o mundo.
De origem humilde, Moacir Santos iniciou-se na música ainda criança com apoio da família adotiva. Atuou na banda da Polícia Militar da Paraíba, e depois caiu no mundo como músico itinerante, até se estabelecer no Rio de Janeiro, onde foi compositor, arranjador e diretor musical da Rádio Nacional. Nos anos 1950, deu aulas de música para futuros nomes da Bossa Nova, como Nara Leão, Carlos Lyra e Roberto Menescal. Na década de 1960 mudou-se para os EUA, onde buscou trabalhar com trilhas de cinema.
Sua trajetória ganhou novo fôlego no Brasil a partir do projeto “Ouro Negro”, iniciado em 2001 e lançado em 2004, com arranjos e produção de Mario Adnet e Zé Nogueira, além de participações de artistas como Milton Nascimento, Djavan, Ed Motta, Gilberto Gil, João Bosco e João Donato.
Dentro do Panela do Jazz, os sons de Moacir Santos vibram a ancestralidade nagô e a música instrumental afro jazzística brasileira, presentes fortemente em suas composições. “Estes elementos inspiraram a construção não só da programação artística, como também deram alma para nossa identidade visual, que este ano é assinada pelo artista pernambucano AfroG”, explica Antonio Pinhêiro.
De acordo com o produtor cultural, esta edição será protagonizada por artistas locais, “sobretudo por trazer a representatividade da cultura popular afro pernambucana e a reverência a Moacir Santos na formação da estética do afrojazz brasileiro e naturalmente, da cena da música instrumental pernambucana”, completa o curador.
Arte e Cultura em Movimento Sustentável
Sob ecos da teoria de “biointeração sustentável” elaborada pelo filósofo e poeta Nego Bispo (in memorian), para 2026 a curadoria do Panela do Jazz vai além da música: retoma a importância do meio ambiente como condição primeira e maior da existência e, consequentemente, da possibilidade que a natureza nos dá de viver em comunhão com ela, não se limitando à ser disciplinada de forma eficiente apenas.
Para Antonio Pinhêiro, esse olhar mais profundo e dedicado ao tema da sustentabilidade foi crescendo ao longo das últimas edições do Panela do Jazz, até chegar agora ao eixo estruturante “Arte e Cultura em Movimento Sustentável", tão importante quanto a curadoria artística em si.
“Esta frente conceitual é um reflexo direto do nosso trabalho diante aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Cada vez mais fomos entendendo a arte e a cultura como possibilidades efetivas de geração de impacto, não só de renda, mas de desenvolvimento social”, continua o produtor. “Estamos falando do turismo regenerativo, da energia limpa, da educação ambiental e economia circular. Nossa programação de 2026 vai contemplar muita coisa nesse sentido, acompanhando a descentralização também proposta na arte de Moacir Santos”, ele conclui.
O Festival Panela do Jazz 2026 é realizado com patrocínio da Neoenergia e do Instituto Neoenergia, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).