Novo disco de Anitta mergulha na espiritualidade e foca no candomblé: "Estou fazendo apenas o que quero"
Na última quinta-feira (16), Anitta lançou nas plataformas digitais seu oitavo disco de estúdio, intitulado "Equilibrivm", em que mergulha na espiritualidade e incorpora elementos do candomblé
Publicado: 20/04/2026 às 16:30
Entre fé e liberdade, Anitta lança álbum mais íntimo da carreira (Reprodução/Instagram)
No oitavo álbum de estúdio, “Equilibrivm”, Anitta se afasta do ruído externo para mirar o próprio centro. Lançado há pouco menos de uma semana, o trabalho de 15 faixas combina pop latino, funk e reggaeton enquanto propõe uma travessia pessoal marcada por espiritualidade, identidade e um desejo declarado de liberdade criativa. O novo registro também traz forte influência de misticismo e fé, com referências ao candomblé, religião com a qual a cantora se identifica.
O ponto de partida surgiu de um período de desencanto com a indústria musical. Em entrevista acompanhada pelo Diario, a artista contou que o projeto nasceu em meio ao desânimo com cobranças e expectativas. “Veio deste lugar de fazer o que eu estou a fim, com propósito. É sobre honrar quem eu estou sendo hoje e fazer um trabalho no que eu realmente acredito”, disse.
Essa mudança de postura se reflete na construção do trabalho. Dividido em atos, o lançamento se organiza como uma espécie de ritual, que se inicia sob a força dessa entidade e percorre diferentes energias até alcançar um tom mais introspectivo. A espiritualidade, porém, não surge como doutrina, mas como experiência sensível. “Deus, para mim, é a natureza, o sol, a água, as árvores, e está presente em tudo o que eu faço. Neste trabalho, começo evocando a pombagira, como um despacho para abrir caminhos”, afirmou, ao costurar referências de religiões de matriz africana a elementos indígenas e visuais ancorados na cultura brasileira.
Também é o trabalho mais ambicioso de sua carreira em termos de produção. A Girl from Rio afirma ter feito o maior investimento de sua trajetória, impulsionada pelo envolvimento com o conceito visual e pela liberdade de experimentar. “É, sem dúvida, o álbum em que mais investi na vida. Estava com muita vontade, curtindo os visuais, e me permiti”, completa. Esse impulso se traduz em um repertório diverso, que reúne nomes como Shakira, em “Choka Choka”, além de participações de Marina Sena, Liniker e Luedji Luna, entre outros artistas brasileiros.
A colaboração com a colombiana, único feat internacional do álbum, nasceu de forma espontânea. A dona do hit Waka Waka ouviu o material, escolheu a faixa e gravou à distância, em um processo que a brasileira de Honório Gurgel descreve como leve e afetivo. “A Shakira já era minha amiga. Um dia mostrei o álbum e ela escolheu a música para gravarmos juntas. Deu certo e hoje está aí, bombando. Estou muito feliz com a parceria e com a repercussão”, pontua.
Diferente de “Funk Generation” (2024), “Equilibrivm” chega com outra proposta e deve ganhar uma turnê pelo Brasil, já que o antecessor priorizou apresentações na América do Norte e na Europa. “Vou me apresentar em várias cidades brasileiras, mas será algo mais intimista, pensado para quem realmente ouviu o álbum. Quem me conhece sabe que a montagem do show é muito importante para mim, e cada projeto pede um formato. Como em 2027 os Ensaios terão menos datas, as cidades que não receberam devem entrar nessa rota”, afirma.
Depois de mais de 15 anos de carreira, Anitta parece menos interessada em provar algo e mais disposta a sustentar quem se tornou. Em “Equilibrivm”, esse gesto se traduz em liberdade criativa e escolhas guiadas pelo próprio desejo. “O que eu tinha pra conquistar, já conquistei. Estou fazendo apenas o que eu quero, da forma como eu quero e me divertindo”, conclui.