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CRÍTICA

TXT vence "maldição dos 7 anos" do K-pop e volta seguro de si em novo mini-álbum

Com produção enxuta, mas emocionalmente densa, o grupo coreano TXT lança primeiro trabalho da nova era depois de renovar o contrato

Allan Lopes

Publicado: 18/04/2026 às 08:00

Em mini-álbum enxuto, TXT faz muito com pouco e reforça maturidade artística/Foto: Jung Yeon-Je/AFP

Em mini-álbum enxuto, TXT faz muito com pouco e reforça maturidade artística (Foto: Jung Yeon-Je/AFP)

O fenômeno conhecido no K-pop como a “maldição dos 7 anos” ocorre quando um grupo encerra as atividades ao término do contrato padrão de sete anos. As exceções são poucas e, via de regra, restritas a nomes de grande trajetória e estabilidade.

O TOMORROW X TOGETHER (TXT) é mais um que se mostrou maior do que a maldição. Além de renovar o contrato com a BIGHIT MUSIC (subsidiária da HYBE), o grupo lançou o mini-álbum "7TH YEAR: A Moment of Stillness in the Thorns", já disponível nas plataformas digitais.

O ciclo narrativo que acompanhava Yeonjun, Soobin, Beomgyu, Taehyun e Hueningkai chegou ao fim com "The Star Chapter: TOGETHER", último lançamento antes da renovação contratual. Agora, este comeback inaugura uma nova era.

Os MOAs, como são chamados os fãs do quinteto, podem ainda não saber o que vem por aí, mas a certeza é que o grupo sabia exatamente por onde começar. Eles voltaram a 2019, quando enfrentaram a pressão do debut — o primeiro grupo masculino da BIGHIT após o BTS — superaram as turbulências ao longo do caminho e, enfim, pararam para respirar com a renovação do contrato.

Um respiro curto demais, aliás. É verdade que a indústria normalizou lançamentos ridiculamente enxutos, mas seis faixas distribuídas em 16 minutos são, no mínimo, um desperdício de potencial neste contexto simbólico e emotivo.

Ainda bem, então, que o TXT conseguiu fazer muito em tão pouco. Na faixa-título "Bed of Thorns" – produzida por Slow Rabbit, fiel colaborador do grupo – Kai, Yeonjun e Soobin mostram vocais poderosos sobre as cicatrizes herdadas das lutas passadas em um clima synth-pop eletrônico.

Na sequência, "Stick with You" convida a extravasar o medo de perder a pessoa amada com muita dança. De fato, transformar sofrência em coreografia é uma habilidade que o quinteto domina como poucos na indústria.

Embora a melodia seja repetitiva em alguns momentos, a faixa sustenta seu apelo muito graças à entrega vocal que injeta a dose certa de urgência e emoção para manter o público fisgado. No videoclipe, que se estende por mais dois minutos, a experiência ganha mais camadas. A atriz Jeon Jong-seo ("A Ligação" e "La Casa de Papel: Coreia") surge como uma figura constantemente desejada pelos membros do TXT, presos em um looping que reforça a atmosfera onírica da música.

O álbum mantém sua coesão sonora em “Take Me to Nirvana”, que aposta em uma sonoridade limpa e orgânica para fazer o público dançar. A faixa conta com a participação da rapper e cantora chinesa Vinida Weng no refrão. Ela acrescenta sua delicada voz nos levando diretamente ao Nirvana, onde não há nada com que se preocupar.

Soobin, Hueningkai, Beomgyu, Yeonjun e Taehyun formam o quinteto do TOMORROW X TOGETHER - Foto: Frazer Harrison/Getty Images/AFP
Soobin, Hueningkai, Beomgyu, Yeonjun e Taehyun formam o quinteto do TOMORROW X TOGETHER (crédito: Foto: Frazer Harrison/Getty Images/AFP )

Já “So What”, facilmente um dos destaques do álbum, surpreende trazendo um pop-rap sintético com a assinatura de Yeonjun e Taehyun. O envolvimento da dupla na escrita reforça o tom confessional da obra, repleta de deboche aos haters, enquanto a performance de Beomgyu e Yeonjun serve como o motor rítmico que sustenta toda a energia da faixa.

Na reta final, “21st Century Romance” foge do clichê das baladas açucaradas de dramas coreanos. Em vez de uma melodia arrastada, o que encontramos é mais uma vez a estética onírica na qual o TXT mostra um romantismo próprio e contagiante. O fechamento fica por conta de “Dream of Mine”, que flerta com o pop-rock característico do grupo, narrando a jornada dos membros até o sonho do estrelato. Desta vez, no entanto, a fórmula não atinge o mesmo nível em relação aos momentos mais inspirados do álbum.

Em suma, é um comeback bastante maduro que honra o legado de sete anos do grupo, ainda que o talento do quinteto merecesse um espaço maior. Os MOAs têm toda razão em nutrir grandes expectativas para o futuro, afinal, o grupo prova que ainda há muito fôlego para construir novas memórias e desbravar novos horizontes ao lado de seus fãs.

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