Efeito ‘O Agente Secreto’: símbolos culturais presentes no filme viram sucesso de público
Símbolos culturais presentes em "O Agente Secreto", como Chá Mate Brasília, Cinema São Luiz e Pitombeira dos Quatro Cantos comemoram sucesso de público após o filme
Publicado: 12/03/2026 às 06:15
O Chá Mate Brasília foi um dos cenários usados para uma sequência de perseguição do filme "O Agente Secreto". (Crysli Viana/DP Foto)
Um dos fenômenos mais notáveis da última temporada foi o que podemos chamar de “efeito ‘O Agente Secreto’” em diferentes lugares, nomes e símbolos, desde patrimônios imortalizados do estado até estabelecimentos comerciais emblemáticos do Centro do Recife. E isso pode ser apenas o começo, já que a cerimônia do Oscar 2026, que ocorre neste domingo, dia 15, pode premiar o Brasil com sua segunda estatueta consecutiva e tornar esse impacto do cinema pernambucano ainda mais duradouro.
É impossível pensar nesse efeito sem citar o aumento na procura pelo Cinema São Luiz. O equipamento, que se tornou há muitos anos um símbolo da resistência dos cinemas de rua e é um dos principais cenários da trama, foi responsável por mais de 11 mil espectadores da obra. “Todas as sessões do filme, desde a estreia em novembro do ano passado, têm sido lotadas. E conquistamos esse número incrível operando apenas com a parte de baixo do cinema durante as sessões regulares, já que é preciso uma operação muito maior e mais complicada para utilizarmos o balcão, reservado para ocasiões especiais”, explica ao Diario o programador do cinema, Pedro Severien.
A experiência de ver o filme de Kleber Mendonça Filho na sala é muito procurada até mesmo por pessoas que já o assistiram em outros lugares, e isso tem gerado, inclusive, o primeiro contato de alguns espectadores com o Cinema São Luiz. “Já é um feito histórico extraordinário o fato de toda uma nova geração estar construindo uma memória com esse espaço justamente a partir da obra de Kleber, que faz dele um personagem central. Os vitrais acendem em todas as sessões do filme, na cena em que aparecem dentro da tela, e isso sempre cria uma comoção linda de ver”, acrescenta o diretor. “Estamos com a ideia de manter o filme em cartaz por tempo indeterminado e espero que a gente consiga”.
Já as camisas da Pitombeira, usadas no filme por Wagner Moura, transformaram o bloco que já tem 78 anos de história em um dos principais símbolos recentes do cinema brasileiro. Hermes Neto, atual presidente da agremiação, ressalta o aumento significativo de venda das peças após o lançamento do longa, em novembro. “Nossa estimativa atualizada é a de que vendemos mais de 15 mil camisas este ano”, explica. O número representa um crescimento de 900% nas vendas das camisas da Pitombeira que, em outros anos com boa saída, chegava a vender cerca de 1.500 camisas, segundo o gestor.
Hermes relembra ainda a ansiedade antes da organização da Pitombeira colocar o bloco na rua em um ano com tanta expectativa. “Tentamos importar algumas cenas do filme inclusive para o cortejo e ficamos muito satisfeitos em ver que tudo aquilo que conseguimos realizar foi bem aceito pelo público”, celebra. “Nossa equipe foi praticamente a mesma, mas claro que, pela quantidade de gente esperada, demos uma pequena reforçada na segurança, principalmente para o momento do carro alegórico. Deu para notar como veio gente de fora do estado para aplaudir a gente. Sempre fomos um símbolo muito importante do carnaval pernambucano, mas agora viramos também estrelas de cinema”, festeja.
Com mais de quatro décadas de trajetória, o bar Chá Mate Brasília, que também foi cenário de uma das sequências mais famosas de “O Agente Secreto”, também viu seu movimento retomar com força total. José Suevânio, um dos fundadores do estabelecimento, confirma o efeito positivo do filme não apenas no seu comércio, mas em toda a região. “Depois do lançamento, isso daqui virou um estouro. Com a premiação do Globo de Ouro, então, não parou mais”, enfatiza. “O Centro do Recife entrou em um processo de esvaziamento muito grande a partir de 2013, o que só aumentou durante a época da crise dos caminhoneiros em 2018 e, principalmente, com a pandemia”, explica.
José, que segue trabalhando no bar, comemora que uma gravação que durou apenas uma diária foi capaz de dar esperança de uma redescoberta que há tantos anos é prometida. “É muito bonito ver o que o cinema é capaz de fazer não só levando esses lugares da gente para o mundo, mas fazendo a gente mesmo passar a olhar para eles com mais carinho. Sou muito grato ao filme por ter proporcionado isso a todos nós”, reforça.