Carnaval 2026: Zé Manoel apresenta seu novo show "Do Sambalanço ao Pagode 90" no Recife
Músico recifense Zé Manoel é atração na próxima segunda-feira (16), no Polo das Graças, com seu novo show "Do Sambalanço ao Pagode 90"
Publicado: 10/02/2026 às 15:04
Cantor, compositor e pianista Zé Manoel (Foto: Kelvin Andrad/Divulgação)
O cantor, compositor e pianista Zé Manoel apresenta o show “Do Sambalanço ao Pagode 90” no Carnaval do Recife, no dia 16 de fevereiro, às 22h, no Polo das Graças, transformando a folia em um grande baile a céu aberto, atravessado por memória, corpo e emoção.
O espetáculo propõe uma viagem musical e dançante pela história do samba urbano brasileiro, especialmente aquele forjado nas pistas, nos clubes, nos bailinhos suburbanos e no inconsciente coletivo. São Paulo criou, ao longo das décadas, um estilo popular, dominantemente negro, que ecoou nos rádios, no comércio de rua, na televisão e nas festas de bairro — um hit popular que entrou sem pedir licença e permanece até hoje como marca indelével da cultura brasileira.
- Doechii confirma participação no Lollapalooza e garante que, desta vez, não irá cancelar
- Associação das Agremiações de Frevo de Olinda se manifesta sobre atividades das baterias de samba na cidade
- Carnaval 2026: "Estou me segurando para não chorar", diz Lenine sobre homenagem do Recife
- Carnaval 2026: Olinda Beer põe público para ferver com 12 horas de festa
Resultado de um projeto de pesquisa idealizado por Zé Manoel, o show constrói uma linha do tempo sonora que parte do samba-jazz e do sambalanço dos anos 1960, atravessa a ginga do samba-rock — com referências diretas ao lendário Trio Mocotó — e desemboca na pulsação afetiva do pagode romântico dos anos 1990. Mais do que um roteiro fechado, o espetáculo se organiza como um exercício de memória em movimento: flexível, aberto a encontros, criando pontes entre o passado e o presente.
Em um tempo pré-internet, bailes eram territórios de sociabilidade, desejo e conquista. Festas de aniversário, eventos de bairro, equipes de som e atrações locais eram o cenário ideal para vestir a melhor roupa, caprichar no perfume e deixar a dança falar. Namoros e casamentos começaram — e terminaram — em salões que iam da Lapa ao Jabaquara. Esses afetos cotidianos, entre frustrações e esperanças, tornaram-se matéria-prima de melodias e letras que o público reconhecia como suas.
Exemplo emblemático dessa cena foi o baile do Chic Show, no Ginásio do Palmeiras, símbolo de como a música de qualidade, aliada à força popular, sustentou por anos o sucesso dos grandes bailes. Mesmo estruturas modestas foram suficientes para marcar gerações — basta percorrer os comentários de canções no YouTube para perceber o quanto essas músicas permanecem vivas.
Nesse universo, entender a lógica da pista era papel dos discotecários — não confundir com DJs —, guardiões da memória dos bailes de nostalgia e do samba rock. Com equipamentos simples, arquivos raros e profundo conhecimento histórico e social, esses heróis do som difundiam verdadeiros tesouros musicais, muitas vezes mantidos em segredo por rivalidades entre equipes.
Canções como “Grilos da Vida”, de Jardes, ou “You Send Me”, de Roy Ayers, foram redescobertas anos depois, assim como a fusão entre funk e soul estrangeiros com o ethos brasileiro que deu origem ao samba rock: Jorge Ben, Tim Maia, Benito di Paula, além de nomes como Luiz Vagner, Bebeto, Marku Ribas, Di Melo, Originais do Samba e Willie Santanna.
As décadas de 1980 e 1990 viram florescer uma nova juventude, ainda mais eclética, que ocupou o espaço urbano por meio do pagode romântico — movimento que teve São Paulo como berço. Raça Negra, Negritude Jr., Só Pra Contrariar, Eliana de Lima, Exaltasamba, Soweto e tantas outras bandas transformaram garotos humildes em estrelas nacionais, impulsionadas por programas populares e revistas de música.
Por isso, canções como “Meu Guarda-Chuva”, “Fato Consumado”, “Charlie Brown” e “Falador Passa Mal” não poderiam ficar de fora. Com direção musical de Thiaguinho Silva e produção executiva da Nova Raiz Produções, no Carnaval do Recife, “Do Sambalanço ao Pagode 90” se afirma como um grande baile coletivo, onde swing, pulsação e memória conduzem o corpo.