Carnaval 2026: "Estou me segurando para não chorar", diz Lenine sobre homenagem do Recife
Homenageado pelo carnaval do Recife, Lenine abre a folia no Marco Zero com show especial nesta quinta-feira (12)
Publicado: 10/02/2026 às 06:00
Lenine é um dos homenageados do carnaval do Recife em 2026 (Foto: Sidarta/Divulgação)
Megalomaníaco e multicultural, o carnaval do Recife é uma celebração que abriga frevo, maracatu, afoxé, brega… e Lenine. Sua voz não precisa se encaixar em rótulos carnavalescos porque, mais do que um artista, ele é a voz da própria cidade. É por essa razão que se torna um dos homenageados deste ano e assume a responsabilidade de inaugurar os festejos no Marco Zero nesta quinta-feira (12).
A temporada do carnaval sempre se mostrou como o cenário ideal para Lenine ostentar sua pernambucanidade. “É claro que fiquei muito lisonjeado, mas essa sensação de ser homenageado eu já carrego comigo desde a primeira vez que me apresentei nessa época", explica o músico em entrevista ao Diario. Até hoje, segundo ele, nada se compara à multidão recifense em delírio ao som do hino carnavalesco "Leão do Norte". “Cada show agora é uma experiência única. Sempre fico muito emocionado depois. O carnaval é tudo. Não tem como explicar”, diz.
Antes de ser visto por milhares, Lenine era quem observava. Tudo começou na casa da Boa Vista, colada à Praça Chora Menino, onde o folião mirim guardou as primeiras memórias da família se preparando para a folia. “A primeira vez que vi um caboclo de lança ficou marcada em mim. Também lembro do Maracatu do Baque Virado na Noite dos Tambores Silenciosos, que naquela época nem sequer era celebrado no Pátio do Terço”, recorda o cantor.
A partir da mudança para o Rio de Janeiro, nos anos 1980, Lenine encontrou uma nova forma de celebrar o Recife: participando de projetos musicais dedicados ao frevo, mesmo sem se definir como um artista do gênero. Um exemplo marcante é sua colaboração no histórico projeto "Asas da América", idealizado pelo saudoso compositor Carlos Fernando, no qual integra dois volumes — o terceiro, com a faixa "Grande Fla-Flu", ao lado de Lula Queiroga, e o sexto, com "Eu Acho é Pouco". Mais recentemente, esteve no álbum Frevo Macuca, reunindo artistas contemporâneos sob a batuta de Henrique Albino.
Ao subir ao palco do Marco Zero para abrir o carnaval, Lenine devolve ao Recife o som que recebeu dele, em um tributo musical que reúne o próprio Lula Queiroga, Alceu Valença, Capiba, Dominguinhos, Dudu Falcão, Geraldo Azevedo e Reginaldo Rossi. “Estou me segurando para não chorar e conseguir fazer tudo certinho sem atrapalhar a apresentação”, admite.
Também estão confirmados também alguns dos seus sucessos mais marcantes, como "Jack Soul Brasileiro", "Hoje Eu Quero Sair Só", "A Ponte", além de canções do audiovisual EITA, seu álbum mais recente. E, claro, não faltará "Leão do Norte".
O show contará com a presença de nomes já consagrados no carnaval, como Lula Queiroga, Spok Frevo e Bongar, e também de artistas de outras vertentes, a exemplo de Anavitória, Os Garotinhos e Liniker, que encontrarão na amizade com Lenine a porta de entrada perfeita para a festa. “É a oportunidade de mostrar para esses núcleos de músicos que existe um carnaval diverso, plural, que eles também têm espaço”, afirma o cantor.
Além da abertura no Marco Zero, Lenine se apresentará no sábado em Goiana e retorna ao Recife na segunda e terça-feira, fechando sua maratona carnavalesca com shows nos polos Poço da Panela e Várzea, respectivamente.