Após prêmio no Globo de Ouro, Wagner Moura afirma que Bolsonaro reflete os "ecos da ditadura"
Ao comentar como o mercado internacional recebe produções brasileiras que revisitam o período autoritário, Moura ressaltou que se trata de um debate longe de ser superado
Publicado: 12/01/2026 às 10:10
O ator Wagner Moura e o ex-presidente Jair Bolsonaro (Fotos: Etienne Laurent/AFP | Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
Após conquistar um feito inédito no Globo de Ouro 2026, neste domingo (11), Wagner Moura usou a repercussão da premiação para refletir sobre o papel do cinema na preservação da memória histórica brasileira. Consagrado como Melhor Ator em Filme de Drama por 'O Agente Secreto', o ator falou sobre a ditadura militar e criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao comentar como o mercado internacional recebe produções brasileiras que revisitam o período autoritário, Moura ressaltou que se trata de um debate longe de ser superado. “Temos que continuar fazendo filmes sobre a ditadura. A ditadura ainda é uma cicatriz aberta na vida brasileira”, afirmou.
Na avaliação do ator, os efeitos da ditadura militar seguem reverberando no presente. “Aconteceu há apenas 50 anos. De 2018 a 2022, tivemos um presidente de extrema-direita, fascista, no Brasil, que é uma manifestação física dos ecos da ditadura”, declarou, ao estabelecer uma conexão direta entre o período ditatorial e o governo de Bolsonaro.
Para Wagner Moura, essa continuidade histórica justifica a relevância de obras como O Agente Secreto. “A ditadura ainda está muito presente no cotidiano brasileiro. Por isso, temos que continuar fazendo filmes sobre isso”, reforçou.
No discurso de agradecimento pelo prêmio, o ator também destacou a dimensão simbólica do longa-metragem. “É um filme sobre memória, a falta dela e um trauma geracional. Se um trauma pode ser passado por gerações, os valores também podem. Esse prêmio vai para quem está seguindo seus valores em momentos difíceis”, disse.
Horas antes, ainda no tapete vermelho da cerimônia, Wagner já havia deixado claro que não separa sua trajetória artística de suas convicções políticas. “Sou uma pessoa muito política, penso politicamente, gosto de fazer filmes políticos. ‘O Agente Secreto’ é um deles. Seria estranho para mim trabalhar como artista político e depois me esquivar de dizer o que penso”, afirmou.