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"Ato Noturno" tem sessão especial de pré-estreia no Recife neste sábado (10)

Thriller "Ato Noturno" terá sessão no Cinema da Fundação (Derby), no Recife, com a presença dos diretores Filipe Matzembacher e Marcio Reolon (de "Tinta Bruta")

Andre Guerra

Publicado: 09/01/2026 às 17:34

Gabriel Faryas e Henrique Barreira interpretam atores rivais no filme/Vulcana Cinema/Divulgação

Gabriel Faryas e Henrique Barreira interpretam atores rivais no filme (Vulcana Cinema/Divulgação)

Chega ao Recife, em sessão especial aberta ao público, “Ato Noturno”, contando com a presença da dupla de diretores Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, no Cinema da Fundação (Derby), às 19h30. Exibido no ano passado no Festival de Berlim e premiado em três categorias no Festival do Rio (Melhor Ator, Roteiro e Fotografia), o longa revela uma surpreendente disputa de performances que refletem — e, em última instância, defendem — a supremacia do desejo.

Na trama, ambientada em Porto Alegre, o ator iniciante Matias (vivido por Gabriel Faryas) começa a se envolver com Rafael (Cirilo Luna), candidato a prefeito da cidade. A gravação de uma série de grande porte na capital desperta o interesse do protagonista, o que o leva a entrar numa violenta rivalidade com o colega de quarto Fábio (Henrique Barreira), enquanto a campanha política de Rafael parece cada vez mais ameaçada pela relação cada vez mais intensa com Matias.

Responsáveis pelo elogiado “Tinta Bruta”, de 2018, os cineastas exploram a sexualidade de maneira ainda mais constante em “Ato Noturno”. Partindo de referências icônicas do thriller erótico, como “Parceiros na Noite”, de William Friedkin (1980), o filme estabelece a tensão entre sexualidade e perigo como motor central do conflito entre os dois protagonistas, interpretados com química magnetizante por Gabriel e Cirilo.

Ainda que a narrativa de “Ato Noturno” não recorra a subterfúgios alegóricos para resolver seus conflitos, Marcio e Filipe deixam de lado o tom mais realista da direção de seu longa anterior e abraçam um estilo mais marcado e estilizado, perfeitamente apropriado à ideia de teatralidade e performance que permeia toda a história. A jornada de Matias e Rafael desafia uma série de convenções do romance e do suspense, o que torna imprevisível boa parte de seus desdobramentos.

Em entrevista ao Diario, os diretores destacam a origem temática do filme, apontando os diferentes tipos de performance que gostariam de investigar. “Esse projeto surge do nosso interesse por explorar os atores sociais, esses personagens que temos que exercer quando almejamos abraçar determinadas narrativas para nós mesmos”, explica Filipe. “Queríamos expandir essa ideia para além do ator do palco, e nada melhor do que a figura do político para discutir também a ideia da performance para a câmera”, acrescenta.

“O filme trabalha a performance condicionada à ambição profissional. Quanto mais eles crescem profissionalmente — o que significa que esse ato performático está a toda velocidade —, mais o desejo começa a se tornar reativo”, conta Marcio. “Este foi um processo muito rico de escrita: pensar a sexualidade em locais cada vez mais públicos e arriscados, nos quais a relação desses corpos com os cenários se torna gradualmente mais tensa e complexa”.

Fica nítida, na construção de “Ato Noturno”, a preocupação em ressignificar e trazer para a realidade brasileira os códigos do suspense erótico. “É um subgênero essencialmente estadunidense, mas, na nossa lógica nacional e contemporânea, achávamos desde o começo que o desejo não poderia ser punido, como era de costume em muitos dos filmes que são referência para nós”, enfatizam os diretores. “Nessa corda bamba em que os protagonistas caminham o tempo todo, o foco era que o desejo fosse o motor central, como uma força incontrolável”.

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