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Wagner Moura fala em talk show americano que soube da vitória em Cannes durante situação inusitada

O ator Wagner Moura participou do talk show norte-americano Late Night with Seth Meyers na madrugada desta terça-feira (6), quando lembrou como estava quando soube da vitória como Melhor Ator no Festival de Cannes, além de celebrar o cinema brasileiro.

Estadão Conteúdo

Publicado: 06/01/2026 às 15:06

Wagner Moura durante entrevista ao programa Late Night with Seth Meyers./Reprodução/YouTube

Wagner Moura durante entrevista ao programa Late Night with Seth Meyers. (Reprodução/YouTube)

Wagner Moura foi convidado do talk show americano Late Night with Seth Meyers, exibido pela NBC na madrugada desta terça-feira, 6. Em sua participação no programa, parte da agitada campanha de divulgação de O Agente Secreto, o ator falou sobre política e o momento do cinema brasileiro - e também revelou a situação inusitada em que se encontrava quando ficou sabendo da vitória no Festival de Cannes.

O apresentador Seth Meyers comentou sobre a dupla derrota de Moura no Critics' Choice Awards no dia anterior - ele concorria nas categorias de Melhor Ator em Filme e Melhor Ator Coadjuvante em Série Limitada por Ladrões de Drogas -, mas celebrou a vitória de O Agente Secreto como Melhor Filme de Língua Estrangeira.

"Você ganhou um e perdeu dois. Nada mal, porque eu tinha uma única indicação e perdi. Eu daria qualquer coisa para ter a sua vida, irmão", brincou o americano.

Meyers lembrou o público da carreira internacional de Moura, destacando a série Narcos e o filme Guerra Civil. O ator comentou sobre a forte ligação que sente com ambas obras por conta do aspecto político.

"O Agente Secreto resultou de uma perplexidade compartilhada entre mim e o diretor [Kleber Mendonça Filho] sobre o que estava acontecendo no Brasil do século 21, quando um presidente estava resgatando valores da ditadura", disse.

Questionado se tinha memórias da ditadura militar no País, já que o regime acabou quando Moura ainda era criança, o ator refletiu sobre o sentimento de "viver em um País cheio de contradições".

"A ditadura acabou em 1985, mas os ecos do regime ainda estão lá. O Brasil é muito complexo/é provavelmente o país com a Constituição mais moderna do mundo, mas, por outro lado, foi o último do Ocidente a abolir a escravidão. Colonialismo, imperialismo, violência e golpes de Estado ainda estão presentes na vida do País", avaliou.

Meyers também parabenizou Moura pela indicação ao Globo de Ouro. "Deve ser muito especial fazer esse filme tão pessoal, e ter essa recepção nos Estados Unidos", disse o apresentador.

"Sim, é muito importante para nós brasileiros. Porque, naquele período, entre 2018 e 2022, quando o Brasil passou por um momento fascista, eles atacaram universidades, jornalistas e artistas - transformados em ‘inimigos do povo’", respondeu Wagner.

"É lindo ver os brasileiros torcendo para um filme brasileiro - desde o ano passado, quando Ainda Estou Aqui ganhou um Oscar - e se sentindo representados por esses artistas. Estou feliz pela nossa cultura", completou.

Moura finalizou a entrevista explicando o motivo de não estar presente para receber o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes, no ano passado. Na ocasião, ele estava na Inglaterra, gravando cenas extras de um filme em seu dia de folga.

Quando soube da vitória, filmava uma cena inusitada: "Eu estava com um saco plástico na minha mão, recolhendo um cocô de cachorro, e pensando: 'Eu acabei de vencer Melhor Ator em Cannes!'".

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