Primeiro dia de Enem tem aglomeração e obstáculos de acesso na Unicap, no Recife
Calçadas tomadas por tendas e ambulantes marcam a chegada ao local de prova, onde os portões fecharam às 13h
Publicado: 08/11/2026 às 15:34
Candidatos do Enem 2026 correm para acessar o prédio de aplicação nos últimos instantes (Sandy James/DP Foto)
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve início na tarde deste domingo (8) em todo o Brasil. No Recife, um dos pontos mais populares de aplicação da prova é a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), no bairro da Boa Vista, área central da capital pernambucana. Antes do fechamento dos portões de acesso, às 13h, multidões transitavam pelas ruas nos arredores dos blocos do campus universitário.
Tendas de escolas, cursinhos e instituições de ensino superior privadas ocupavam grande parte das calçadas. Alternavam-se também vendedores ambulantes e grupos evangélicos entoando louvores e oferecendo orações. Restava ao mar de estudantes ultrapassar ainda este desafio e, pela rua, buscar o bloco correto. A passagem de carros na área foi bloqueada pela Autarquia de Trânsito e Transporte do Recife (CTTU), mas alguns deram 'um jeito'.
Sem se identificar, um dos pais presentes reclamou ao Diario da falta de acessibilidade. No local, há rampas de acesso para cadeirantes, mas, sem as calçadas disponíveis e com as ruas de paralelepípedos tomadas, o cenário é ainda mais sensível para pessoas com pouca mobilidade. “Vocês podem desobstruir a passagem? Se alguém estiver atrasado, a gente não quer impedir que a pessoa entre, né?”, chegou a advertir uma das responsáveis pelo prédio.
Como previsto, os portões de acesso às salas de aplicação das provas foram abertos ao meio-dia. Do lado de fora, o estudante Guilherme Alves, de 18 anos, estava tranquilo, relembrou a etapa de preparação e destacou a importância do apoio. “É a segunda vez que presto o Enem. Ano passado fiz como treineiro e agora está valendo. O processo é difícil, mas junto com ele tem pessoas que acompanham, que ajudam e servem de rede de apoio. Eu tive isso e me ajudou bastante”, contou.
Morador do bairro Linha do Tiro, o jovem revelou os objetivos neste dia. “Espero conseguir uma nota boa, passar na [universidade] federal, que é o que todo mundo almeja, fazer a minha faculdade de Ciência da Computação ou algum curso de tecnologia, que é a minha paixão”, dividiu. Para Guilherme, o tema da redação terá relação com a sua área de interesse. “Acredito que vai ser alguma coisa com Inteligência Artificial, algoritmo”, arriscou.
Outros enemistas
Há anos, o Enem se consolidou como um dos momentos mais importantes na vida de adolescentes e jovens que almejam uma carreira profissional. Por isso, multiplica-se o número de candidatos que ainda não concluíram o Ensino Médio e que, portanto, não estão aptos para o ingresso na universidade, mas que buscam estar preparados para quando chegar a sua vez. Pelo menos três dos cinco estudantes abordados pela reportagem eram “treineiros”.
Uma delas é a estudante Joana Ferreira Cunha, de 16 anos, que está no 1º ano do ensino médio. “É muito importante a gente fazer o Enem como ‘treineiro’ porque a gente pode treinar o tempo de questões, a ordem que vai fazer. Eu não consegui me preparar totalmente, mas participei de alguns aulões, treinei redações e questões também”, contou ao Diario.
Já a graduanda de Administração Maria Fernanda Soares da Costa, de 18 anos, integra outro grupo. Em 2025, ela prestou o exame como candidata e, agora, afirma querer testar seus conhecimentos. “Estou mais tranquila, já que ano passado tinha a pressão de ‘passar’. Não dediquei meu foco ao Enem, mas à minha graduação. Ano passado foi bem intenso e quero ver se os meus conhecimentos permanecem”, explica a universitária.
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