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Seca em PE: 43% dos poços artesianos perfurados nos últimos 2 anos são secos, diz TCE

Poços secos são aqueles que não atendem aos requisitos de fornecimento de água suficiente ou de qualidade da água para consumo

Nicolle Gomes

Publicado: 27/10/2026 às 18:37

O estudo disponibilizado pelo TCE-PE permite consultar a quantidade de poços classificados como secos em cada mesorregião e município/Foto: Reprodução/TCE

O estudo disponibilizado pelo TCE-PE permite consultar a quantidade de poços classificados como secos em cada mesorregião e município (Foto: Reprodução/TCE)

O quadro de seca e estiagem que tem atingido mais da metade das cidades de Pernambuco tem afetado o abastecimento hídrico em várias localidades que utilizam poços para obter água. Segundo levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), 43% dos poços artesianos realizados pelo Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), nos últimos dois anos, estão classificados como secos.

Os poços secos são aqueles que não atendem aos requisitos de vazão mínima, ou seja, a quantidade de água que conseguem fornecer, ou de qualidade da água para consumo, explica o gerente de Fiscalização do Trabalho e da Agricultura do TCE-PE, Jorge Santana. Ao todo, 128 estão nesta situação, conforme o estudo.

Outro dado do TCE aponta que apenas 30% das perfurações de poços artesianos realizadas pelo Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) entre 2024 e 2025 viabilizaram efetivamente o fornecimento de água. Isso representa 91 poços. Outros 75 aguardam instalação.

Ao todo, 297 poços foram perfurados no período. A maioria está no Sertão, conforme o TCE-PE: 185 (62,3%). A segunda região com mais equipamentos é o Agreste, com 81 (27,3%). Já na Zona da Mata, estão 31 poços (10,4%).

A equipe do TCE-PE realizou fiscalizações presenciais em 92 poços perfurados pelo IPA. Desse total, 62 estavam instalados e apresentavam condições de fornecer água. Os outros 30 ainda não haviam sido instalados, e seis deles foram classificados como secos.

A análise mostrou que todos já haviam sido perfurados e submetidos ao teste de vazão, procedimento que indica a quantidade de água fornecida pelo poço. Desse total, 86 (93%) foram considerados produtivos. Entre eles, 62 (67% do total fiscalizado) estavam instalados e 24 (26%) ainda aguardavam a instalação.

O estudo também apresenta os valores contratados para os serviços, divididos em três blocos regionais, que somam R$ 45,1 milhões:

Bloco A — Agreste Meridional e Mata Sul: R$ 8.847.200,59;
Bloco B — Sertão Central, São Francisco, Itaparica e Araripe: R$ 17.622.038,69;
Bloco C — Sertão do Pajeú e Moxotó, Agreste Central e Setentrional e Mata Norte: R$18.644.588,34.

Estudo

O estudo foi elaborado pelo Departamento de Controle Externo da Economia e da Saúde do TCE-PE, por meio de sua Gerência de Fiscalização do Trabalho e da Agricultura. A análise reúne informações fornecidas pelo IPA e resultados de fiscalizações presenciais realizadas pelas equipes do Tribunal.

“Além de perfurar o poço, é necessário verificar se ele produz água em quantidade suficiente e se ela é adequada para o consumo humano ou animal”, afirmou Jorge Santana, gerente de Fiscalização do Trabalho e da Agricultura do TCE-PE.

Segundo o TCE-PE, um número elevado de perfurações sem sucesso pode indicar falhas de planejamento, falta de estudos prévios sobre as condições do solo e a presença de água subterrânea, ou escolha inadequada dos locais de perfuração.

O órgão também aponta que a demora na instalação pode indicar falhas no planejamento e na execução dos serviços, além de aumentar o risco de danos e contaminação. “Mesmo quando há investimento de recursos públicos, o benefício para a população só ocorre quando o poço está instalado, em funcionamento e atendendo à comunidade”, divulgou o órgão.

O estudo destaca, ainda, que a perfuração adequada e a instalação dos poços são fundamentais para ampliar o acesso à água.

O que diz o IPA

O Diario de Pernambuco procurou o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e até a publicação dessa matéria não obteve retorno. O canal segue aberto.

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