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A CasaRosa: suporte para mulheres do interior de Pernambuco que fazem tratamento de câncer no Recife

Fundada em 2014, a ONG CasaRosa acolhe mulheres que fazem tratamento de câncer de mama e ginecológicos em hospitais públicos no Recife

Bartô Leonel

Publicado: 14/10/2026 às 07:00

A CasaRosa fica na Rua Nicarágua, 151, no bairro do Espinheiro, Recife/Foto: Divulgação

A CasaRosa fica na Rua Nicarágua, 151, no bairro do Espinheiro, Recife (Foto: Divulgação)

Em meio às ruas do bairro do Espinheiro, na Zona Norte do Recife, uma residência de cor rosa se destaca entre as outras casas da Rua Nicarágua, não só por conta da pintura chamativa, mas, principalmente, pelas ações de acolhimento de mulheres do interior do estado, que se deslocam todos os anos para a capital pernambucana para realizarem tratamento contra câncer de mama e ginecológicos.

Esse local passou a ser, desde 2018, a sede da ONG CasaRosa, uma iniciativa que há 12 anos se tornou um porto seguro para mulheres em vulnerabilidade social que precisam deixar suas cidades e famílias no interior de Pernambuco para lutar contra o câncer em hospitais públicos no Recife.

A Casa, que atualmente tem capacidade de acolher 18 pacientes oncológicas, também promove atividades de assistência e orientação para mulheres do Recife, principalmente para que possíveis tumores sejam identificados com antecedência, fator que aumenta ainda mais a chance de cura.

“A ideia de criar a CasaRosa surgiu quando um grupo de cinco amigas, que trabalhavam no Hospital Oswaldo Cruz e na Fundação Alice Figueira, perceberam as dificuldades passadas por mulheres e pacientes do interior em realizar tratamento aqui no Recife, principalmente com relação a onde ficar após o tratamento”, iniciou a diretora-fundadora, Kadja Camilo.

“Foi pensando nisso que esse grupo, que tinha entre as integrantes uma colega que estava terminando o tratamento de um câncer de mama, criou a Associação de Assistência a Mulheres com Câncer de Mama de Pernambuco, uma iniciativa que acolhe essa mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica e dar assistência multidisciplinar, como alimentação, dormida e orientação jurídica ao longo do tratamento, se tornando uma opção paralela as casa de apoio municipais”, explicou.

Segundo Kadja Camilo, apesar de existir uma busca espontânea, as beneficiárias da ONG são encaminhadas por unidades de saúde espalhadas pelo estado, como os Hospitais de Petrolina, no Sertão, e Mestre Vitalino, em Caruaru, no Agreste, e nos Hospitais das Clínicas, Barão de Lucena, do Câncer, Osvaldo do Cruz e Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira (Imip), todos no Grande Recife.

“Matar um leão todo dia”

Mesmo recebendo ajuda de diversos parceiros, seja por meio de projetos com órgão públicos ou por doações financeiras, de perucas e próteses móveis, a ONG precisa enfrentar “um leão todo dia” para manter de pé a assistência que é disponibilizada para essas beneficiárias.

“Toda organização social tem uma dificuldade muito grande em se manter e com a CasaRosa não é diferente. Eu sempre digo que precisamos matar um leão todo dia, porque temos custos fixos por mês. No nosso caso, por exemplo, a instituição está alocada numa casa alugada, ou seja, temos todas as despesas que qualquer residência tem, seja com alimentação e IPTU, além do pagamento de funcionários que trabalham na Casa Rosa. Além disso, temos que custear alguns imprevistos com roubos que infelizmente a instituição sofreu”, explicou Kadja Camilo.

Diante disso, para tentar levantar recursos financeiros, a ONG promove atividades anuais, como bazares e bingos, que tem o objetivo de reverter os valores arrecadados em melhorias estruturais na sede da instituição.

Porém, apesar das dificuldades, saber que essa ajuda auxilia na melhora no tratamento dos pacientes se torna um combustível para que as atividades permaneçam ativas.

“Ao longo desses 12 anos de existência, concluímos que essa nossa rede de apoio faz muita diferença no resultado do tratamento. Os próprios médicos afirmam isso para as pacientes, pois as pacientes só precisam se preocupar com o tratamento. Além disso, a Casa se torna um aconchego para essas mulheres que saem da sua casa e deixa sua família e seus filhos para fazer um tratamento que pode durar mais de um mês dependendo do caso”, destacou Kadja Camilo.

Campanha “Mamografia para Todas”

Uma das atividades desenvolvidas pela ONG é a campanha “Mamografia para Todas”, que irá disponibilizar nesta quarta-feira (14) a entrega de 400 encaminhamentos gratuitos para mamografias e ultrassonografias a mulheres em situação de vulnerabilidade social.

“Essa campanha visa complementar o atendimento que é feito pela rede de saúde do município e a gente consegue em parceria com as clínicas privadas. Hoje, a Casa Rosa assinou um termo de cooperação com o Colégio Brasileiro de Radiologia, onde nós recebemos vouchers de mamografias para serem realizados nas clínicas privadas de Recife”, explicou Kadja Camilo.

Para receber o encaminhamento, é necessário apresentar documento de identificação com foto, CPF, Cartão do SUS e uma conta de água ou energia elétrica. O atendimento para conferência da documentação, cadastro e entrega dos vouchers começa às 8h e segue até as 15h, ou até o término dos encaminhamentos disponíveis.

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