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Sites falsos de hotéis de Fernando de Noronha eram usados para aplicar golpes em turistas

Investigação aponta que criminosos clonavam páginas verdadeiras, criavam empresas de fachada e direcionavam vítimas para pagamentos de reservas que nunca existiam; os detalhes foram repassados nesta sexta-feira (11)

Cadu Silva

Publicado: 11/09/2026 às 13:05

As vítimas faziam a reserva e efetuavam o pagamento, mas só descobriam a fraude ao chegar no arquipélago/Foto: Divulgação

As vítimas faziam a reserva e efetuavam o pagamento, mas só descobriam a fraude ao chegar no arquipélago (Foto: Divulgação)

Sites falsos que imitavam páginas verdadeiras de hotéis de Fernando de Noronha eram usados para atrair turistas e aplicar golpes em reservas de hospedagem. A investigação da Polícia Civil de Pernambuco aponta que os criminosos reproduziam a identidade visual, fotografias e informações de estabelecimentos reais para criar páginas praticamente idênticas às originais.

As vítimas faziam a reserva e efetuavam o pagamento, mas só descobriam a fraude ao chegar ao destino. Os detalhes da ação foram repassados na manhã desta sexta-feira (11), pelo delegado Paulo Gustavo Ribeiro, titular da Delegacia de Piedade.

Segundo Paulo, a investigação começou após vítimas procurarem a polícia para denunciar fraudes envolvendo reservas de hospedagem. Durante o levantamento, foram identificadas pessoas jurídicas que, em tese, eram utilizadas para operacionalizar o esquema.

“Eles faziam sites muito parecidos com sites reais, utilizando o nome de hotéis que realmente existem. Mas os sites usados pelos golpistas eram falsos”, explicou o delegado.

De acordo com a apuração, os criminosos utilizavam pequenas alterações nos endereços das páginas para dificultar a identificação da fraude. Em alguns casos, acrescentavam ou duplicavam letras no nome do estabelecimento, mantendo praticamente toda a identidade visual do hotel verdadeiro.

A estratégia também envolvia a criação de novas páginas e pessoas jurídicas. Quando um site ou empresa deixava de ser utilizada, outro endereço poderia ser criado seguindo a mesma metodologia. Os pagamentos eram direcionados para contas vinculadas às empresas investigadas ou a pessoas que ainda estão sendo identificadas pela polícia.

Além dos sites, os criminosos disponibilizavam canais de atendimento para passar aparência de legitimidade às negociações. As vítimas conseguiam entrar em contato para tirar dúvidas, fazer reservas e receber orientações sobre o pagamento.

“Eles ofereciam um número de telefone para atender as pessoas como se fossem realmente um hotel. A pessoa fazia a reserva, recebia o atendimento e depois era encaminhada para efetuar o pagamento”, afirmou Paulo Gustavo.

Seis endereços foram alvo de buscas

A investigação resultou no cumprimento de seis mandados de busca e apreensão em Pernambuco e na Paraíba. Foram três endereços em João Pessoa, dois em Campina Grande e um em Fernando de Noronha. As ordens tiveram como objetivo recolher equipamentos que podem ajudar a polícia a identificar outros envolvidos e entender a movimentação financeira e digital do grupo.

Durante as buscas, foram apreendidos telefones celulares, computadores e uma máquina de cartão. O material será analisado pelos investigadores.

A polícia também encontrou endereços que, segundo o delegado, eram utilizados apenas formalmente na abertura das empresas. Em alguns locais, os moradores ou responsáveis pelos estabelecimentos disseram não ter relação com as atividades criminosas.

“É possível que alguém tenha tido o nome e o CPF utilizados indevidamente para abrir uma pessoa jurídica. Por isso, a gente tem toda a cautela de não expor essas pessoas, porque até o momento não é possível afirmar se elas têm realmente envolvimento com o crime ou se foram utilizadas”, explicou.

Novas vítimas começaram a aparecer

Com a divulgação da operação, outras pessoas procuraram a polícia para relatar possíveis golpes. Entre os casos informados está o de uma vítima que afirmou ter tido um prejuízo de R$ 12 mil. O valor, porém, ainda não representa o total causado pelo grupo.

“Depois da divulgação das informações a respeito do cumprimento das ordens judiciais, algumas pessoas já entraram em contato informando que também sofreram prejuízo. Uma delas relatou um prejuízo de R$ 12 mil. Ao que parece, vão chegar novas vítimas”, disse o delegado.

A polícia ainda não sabe quantos hotéis ou vítimas podem estar relacionados ao grupo investigado. Isso porque novos registros estão sendo analisados e nem todos os golpes denunciados necessariamente têm ligação com os investigados na Operação Antillia.

As investigações continuam com a análise dos equipamentos apreendidos. A expectativa é identificar novos envolvidos, outras empresas utilizadas no esquema e a dimensão financeira das fraudes. Até o momento, o caso é investigado como estelionato por meio digital, mas outros crimes podem ser identificados.

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