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Vida Urbana
DISPUTA JUDICIAL

Menina de 7 anos é reconhecida como filha do empresário alemão Korbinian Dengler, morto em 2025

Decisão baseada em exame de DNA foi emitida pela 1ª Vara Cível de Arcoverde, cidade onde se conheceram os pais da criança, que pode receber herança milionária

João Tavares - Especial para o Diario

Publicado: 03/09/2026 às 18:03

O empresário Korbinian acompanhado da criança de 6 anos./Foto: Reprodução

O empresário Korbinian acompanhado da criança de 6 anos. (Foto: Reprodução)

A Justiça de Pernambuco reconheceu Korbinian Andreas Dengler, empresário alemão que morreu em um acidente de trânsito na Bahia em setembro de 2025, como pai biológico de uma menina que, até então, não tinha a paternidade dele registrada. A decisão foi proferida nesta quinta-feira (3) pela 1ª Vara Cível da Comarca de Arcoverde.

A ação foi movida por Daniele Galindo Wanderley, mãe da criança, que buscava o reconhecimento da paternidade após a morte do empresário. Ela o conheceu em Arcoverde, onde viveram juntos antes do nascimento da menina. Na sentença, o juiz Cláudio Márcio Pereira de Lima considerou determinante o resultado do exame de DNA realizado durante o processo, que apontou probabilidade superior a 99,99% de que Korbinian fosse o pai biológico.

A decisão também determinou a inclusão do empresário no registro civil da criança como pai, além da inclusão dos respectivos sobrenomes paternos e da indicação dos avós paternos.

Para o juiz, o resultado do DNA também era compatível com os demais documentos apresentados no processo.

Registro no exterior não impediu reconhecimento

Durante o processo, a família de Korbinian contestou o pedido e sustentou, entre outros argumentos, que a criança já possuía filiação socioafetiva registrada na Itália, onde vive Daniele. A sentença, no entanto, apontou que a existência desse vínculo não impede, por si só, o reconhecimento da origem biológica.

A mãe da criança mudou-se para a Itália após se separar do alemão, quando ainda estava grávida. "Por questão de imigração, para que não fossem deportadas, um italiano da família para quem ela trabalhava registrou a menina", disse ao Diario, em março, Angelynna Nascimento, advogada de Daniele.

O juiz citou o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a possibilidade de coexistência de vínculos parentais, conhecida como multiparentalidade. Na avaliação apresentada na sentença, o reconhecimento da paternidade biológica não necessariamente exclui o vínculo socioafetivo já existente.

A decisão julgou procedentes os pedidos apresentados na ação e determinou a expedição de mandado ao Cartório de Registro Civil para a averbação da paternidade.

A sentença também condenou os réus ao pagamento das custas processuais e de R$ 2 mil em honorários advocatícios.

Relembre o caso

A disputa judicial foi noticiada pelo Diario de Pernambuco em março deste ano. Na época, Daniele afirmava que Korbinian era o pai de sua filha e buscava o reconhecimento judicial da paternidade. O empresário, que tinha negócios ligados ao setor de academias em Pernambuco, morreu aos 35 anos em um acidente de trânsito em Feira de Santana, na Bahia, em setembro de 2025. Ele estava acompanhado da noiva e de um amigo.

Segundo a defesa de Daniele, os dois haviam mantido um relacionamento e o empresário teria convivido com a criança. A advogada também afirmava que havia fotos, vídeos e mensagens que indicariam um vínculo entre Korbinian e a menina.

A família do empresário, por outro lado, contestava a versão apresentada pela mãe. Em manifestação divulgada anteriormente, a defesa de Clemens Alexander Dengler, pai de Korbinian, afirmava que o empresário nunca havia reconhecido a criança como filha e questionava a validade de um exame de DNA realizado anteriormente.

Na nova decisão, assinada e publicada nesta quinta (3), porém, o juiz considerou o exame genético produzido no processo como prova suficiente para estabelecer a paternidade biológica.

O processo tarmita em segredo de justiça.

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