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Alunas de escola pública de Goiana criam plataforma com IA para facilitar acesso a consultas no SUS

Desenvolvida por duas estudantes de 15 anos, ferramenta entrou em fase de testes em uma unidade de saúde do município

Diario de Pernambuco

Publicado: 31/08/2026 às 14:26

Heloise e Lara desenvolveram o projeto a partir das dificuldades enfrentadas para conseguir atendimento nas unidades de saúde
/Foto: Dulino/Divulgação

Heloise e Lara desenvolveram o projeto a partir das dificuldades enfrentadas para conseguir atendimento nas unidades de saúde (Foto: Dulino/Divulgação)

* João Victor Tavares especial para Diario

Duas estudantes de 15 anos de uma escola pública de Goiana, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, desenvolveram uma plataforma para facilitar o acesso da população a consultas e exames na rede pública de saúde. Batizada de Agenda Saúde, a ferramenta utiliza tecnologia e inteligência artificial como apoio ao desenvolvimento e começou a ser testada no Posto de Saúde do Barro Vermelho.

Heloise Milena Barbosa Gonçalves e Lara Sophia Belarmino da Silva, alunas do 9º ano da Escola Municipal Irmã Marie Armelle Falguiéres, desenvolveram o projeto a partir da observação das dificuldades enfrentadas por moradores para conseguir atendimento nas unidades de saúde.

A proposta é reunir em uma plataforma informações que possam facilitar a rotina dos pacientes, como horários disponíveis para consultas e exames, além de comunicados das unidades, incluindo campanhas de vacinação e outras ações.

“A gente percebeu que muitas pessoas precisam enfrentar filas e sair de casa muito cedo só para tentar conseguir uma marcação. Pensamos em como a tecnologia poderia ajudar a tornar esse processo mais simples”, conta Heloise.

Lara explica que a intenção desde o início era desenvolver uma ferramenta que pudesse ter utilidade prática para a população. “Não queríamos criar uma plataforma só para apresentar como trabalho da escola. A ideia era fazer alguma coisa que pudesse ser útil de verdade”, afirma.

Projeto-piloto em unidade de saúde

A plataforma deixou o ambiente escolar e entrou em fase de testes no Posto de Saúde do Barro Vermelho, em Goiana. Atualmente, o sistema funciona de forma independente na unidade, onde a equipe responsável pelo projeto coleta feedbacks sobre o funcionamento da plataforma e avalia possíveis melhorias.

Os monitores educacionais Gabriela Santos e Jonathan Miranda, do Sistema de Ensino Dulino, acompanharam as estudantes durante o desenvolvimento do projeto no Laboratório 7.0.

Segundo a equipe, os testes também servem para identificar novas funções que possam ser adicionadas ao sistema e, futuramente, trabalhar em conjunto com as ferramentas já utilizadas pelo município.

Os primeiros testes com usuários serão realizados com pais de estudantes de uma das turmas da escola. Eles receberão orientações e um vídeo explicativo sobre o funcionamento da plataforma.

A fase de testes deverá servir para identificar dificuldades de navegação, avaliar a experiência dos usuários e apontar possíveis melhorias no sistema.

 

Como surgiu o Agenda Saúde

A plataforma foi desenvolvida inicialmente para a EXPOCETI (Exposição de Ciência, Engenharia, Tecnologia e Inovação) realizada em São Lourenço da Mata. Os trabalhos apresentados no evento precisavam solucionar uma demanda real.

A partir das dificuldades que observavam no município e de uma situação que as próprias estudantes enfrentavam, elas decidiram desenvolver uma ferramenta voltada para facilitar o acesso a atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta é que o sistema possa ser utilizado pela comunidade para facilitar o atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais do SUS.

Inteligência artificial no desenvolvimento

O projeto foi desenvolvido com os sistemas HTML, CSS, JavaScript e PHP. Durante a construção, as estudantes também utilizaram inteligência artificial como ferramenta de apoio à programação.

A tecnologia foi empregada para auxiliar na elaboração e no aperfeiçoamento de trechos do código. As alunas utilizaram técnicas de engenharia de prompt para obter sugestões, identificar erros e fazer ajustes durante o desenvolvimento.

“No começo, algumas coisas pareciam muito difíceis, principalmente quando o código apresentava erro. Aos poucos, fomos entendendo melhor a programação e também como usar a inteligência artificial para nos ajudar, sem depender simplesmente da resposta que ela dava”, relata Lara.

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