Estação que acumulou 17 mil toneladas de resíduos em Paulista é esvaziada, diz CPRH
Material que havia se acumulado na unidade da Mirueira foi retirado até 31 de julho, segundo a agência ambiental
Publicado: 14/08/2026 às 20:21
Fiscalização da CPRH constata retirada de Resíduos da estação de transbordo em Paulista (Foto: Divulgação/CPRH)
As cerca de 17 mil toneladas de resíduos que estavam acumuladas na Estação de Transbordo da Mirueira, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife, foram retiradas do local, segundo a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH). A informação foi confirmada nesta sexta-feira (14), após uma nova vistoria realizada pela equipe técnica do órgão. De acordo com a agência, a remoção ocorreu de forma progressiva e foi concluída em 31 de julho.
A situação da unidade havia sido alvo de fiscalização dos órgãos de controle após a identificação de um grande volume de resíduos acumulados. O Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) apontou que a estação, que deveria funcionar como ponto de transferência do lixo entre veículos de menor e maior capacidade, apresentava características de um lixão a céu aberto.
Durante uma vistoria realizada em maio pelo TCE-PE, CPRH e Ministério Público de Pernambuco (MPPE), foram identificados problemas como escoamento de chorume para a rede de drenagem de águas pluviais, proliferação de urubus e insetos, emissão de gases de efeito estufa, odores e risco de contaminação do solo e das águas subterrâneas.
A CPRH informou que, diante do cenário encontrado em 27 de maio, adotou medidas administrativas e ambientais contra a empresa I9 Paulista Gestão e Resíduos S/A, responsável pela operação da unidade. Foram aplicados três autos de infração, que somaram R$ 1 milhão em multas, além do cancelamento da licença de operação e da suspensão do recebimento de novos resíduos sólidos urbanos para transbordo.
Uma das autuações resultou em multa de R$ 300 mil e determinou a limpeza das áreas externas e a retirada dos resíduos dispostos de maneira inadequada. Outra, no valor de R$ 700 mil, foi aplicada devido à geração, ao acúmulo e ao extravasamento de chorume e líquidos percolados, com determinação de medidas para contenção, sucção, remoção e destinação adequada desses materiais.
A terceira autuação determinou a suspensão do recebimento de novos resíduos, com o objetivo de evitar que o problema se agravasse.
Segundo a CPRH, também foram expedidas intimações aos municípios de Paulista e Olinda para que reorganizassem a logística de destinação dos resíduos durante o período de restrição das atividades.
Um Termo de Compromisso Ambiental foi firmado para estabelecer medidas de regularização da estação, incluindo a retirada do passivo acumulado, o controle de chorume e lixiviados, a rastreabilidade dos resíduos e adequações na operação.
Monitoramento continua
Apesar da retirada do material acumulado, a CPRH informou que a fiscalização da Estação de Transbordo da Mirueira continuará. A agência afirma que a presença eventual de resíduos relacionada ao funcionamento normal da unidade não deve ser confundida com o estoque extraordinário de aproximadamente 17 mil toneladas identificado anteriormente.
A nova vistoria realizada nesta sexta-feira constatou que as áreas externas que estavam ocupadas pelo grande volume de resíduos foram liberadas. Segundo a CPRH, ainda estão sendo executadas intervenções de adequação física e operacional no local.
“A CPRH continua realizando inspeções e poderá adotar imediatamente novas medidas administrativas, restritivas ou sancionatórias caso sejam identificados novos acúmulos, falhas operacionais, extravasamentos ou qualquer situação de risco ambiental”, afirmou a analista ambiental da agência, Anna Eduarda Falcão.
O acompanhamento do caso também envolve o MPPE e o TCE-PE, que participam das diligências e fiscalizam, dentro de suas respectivas competências, as providências adotadas para regularizar a unidade.
A CPRH informou ainda que seguirá verificando os volumes de resíduos recebidos e expedidos, o tempo de permanência do material na estação, a capacidade operacional da unidade, as condições de drenagem e impermeabilização, o controle de chorume e a comprovação da destinação ambientalmente adequada dos resíduos.
A medida cautelar do TCE-PE havia determinado a retirada imediata dos resíduos e a destinação adequada do material, além da abertura de procedimento administrativo pela Prefeitura de Paulista para apurar eventuais responsabilidades envolvendo a empresa responsável pela operação e servidores encarregados da fiscalização do contrato.