Após alerta do TCE-PE, Hospital Agamenon Magalhães diz adotar medidas para melhorar estrutura
Unidade afirma que já investiu mais de R$ 100 milhões, ampliou o quadro de cirurgiões e mantém salas do Centro Cirúrgico em funcionamento enquanto realiza intervenções no setor
Publicado: 13/08/2026 às 21:44
Hospital Agamenon Magalhães (HAM) (Foto: Maurício Ferry/DP Fotos)
Após o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) apontar problemas na estrutura e no funcionamento do Centro Cirúrgico do Hospital Agamenon Magalhães (HAM), no Recife, a direção da unidade informou que já vem adotando medidas para melhorar a assistência e ampliar a capacidade de realização de procedimentos. O hospital terá 30 dias para apresentar ao órgão de controle as ações realizadas e os resultados obtidos.
A manifestação ocorre um dia após o TCE-PE divulgar uma auditoria que identificou uma demanda reprimida de 2.714 pacientes à espera de cirurgias no HAM, além de falhas na programação dos procedimentos, cancelamentos acima do limite previsto e quatro salas cirúrgicas inativadas. Segundo o tribunal, a situação não apresentou evolução significativa em relação a fiscalizações anteriores.
Em nota, a direção do hospital afirmou que tomou conhecimento do processo instaurado pelo TCE-PE, cuja análise considera dados a partir de junho de 2022. Segundo a unidade, as medidas adotadas para fortalecer a estrutura e a assistência serão apresentadas ao tribunal dentro do prazo estabelecido.
Entre as ações citadas está o investimento de mais de R$ 100 milhões no Hospital Agamenon Magalhães, destinado, segundo a direção, a intervenções estruturais, requalificações e melhorias nos serviços oferecidos à população.
A unidade também informou que passou por uma recomposição das equipes assistenciais desde 2023. De acordo com o hospital, a Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) convocou, nesse período, 28 novos cirurgiões: 20 cirurgiões gerais, cinco vasculares e três de cabeça e pescoço.
Centro Cirúrgico
A direção do HAM também afirma que as salas B e D do Centro Cirúrgico estão em funcionamento. A requalificação do setor ocorre de forma individualizada, com intervenções em uma sala por vez, para evitar a interrupção completa da assistência. Ao final do processo, a previsão é de que todas as salas sejam requalificadas.
O funcionamento das salas B e D havia sido citado entre as recomendações do TCE-PE, que determinou à Secretaria de Saúde a formalização de um planejamento para utilização, aquisição de equipamentos e insumos para esses espaços e para duas salas do chamado Bloquinho. O tribunal também recomendou a contratação de profissionais de saúde para os setores.
A auditoria apontou que o centro cirúrgico apresentou produtividade equivalente a 63,5% da meta estabelecida no Plano Operativo Assistencial e a 63,2% da capacidade cirúrgica aferida. O TCE-PE também identificou 715 cancelamentos de procedimentos, dos quais 20,6% das cirurgias planejadas foram suspensas, acima do limite de 5% previsto no plano.
De acordo com o hospital, apesar dos problemas apontados, a produção cirúrgica apresentou crescimento. Em 2025, foram realizados mais de 47% de procedimentos cirúrgicos em comparação com 2024, segundo os dados apresentados pela direção.
A direção também citou intervenções recentes na estrutura física do HAM. Entre as entregas estão um novo ambulatório, a cozinha e o refeitório da unidade, além do Hospital da Mulher do Recife - Wilma Lessa.
A nova Hemodinâmica e a Emergência Cardiológica estão em fase de finalização. Também foram concluídas intervenções na enfermaria de puerpério, enquanto a enfermaria de Clínica Médica passa por requalificação.
Outro investimento citado é a reforma da UTI Adulto do hospital, entregue em 12 de agosto de 2025. A estrutura passou por intervenções com o objetivo de melhorar as condições de atendimento aos pacientes críticos.
No dia anterior à divulgação da nota, o Governo de Pernambuco entregou a UTI Adulto requalificada do HAM. A intervenção incluiu troca de piso e forro, renovação da iluminação, instalação de novos aparelhos de ar-condicionado e camas elétricas, além da revisão e individualização da rede de gases dos leitos. A entrega ocorreu no mesmo dia em que o TCE-PE divulgou as recomendações sobre o Centro Cirúrgico.
O tribunal apontou ainda que o HAM tinha 2.714 pacientes aguardando procedimentos cirúrgicos, com destaque para a área de Otorrinolaringologia/Cabeça e Pescoço, que apresentava tempo estimado de espera de aproximadamente 29 meses.
A direção do Hospital Agamenon Magalhães afirmou que mantém o compromisso com a transparência e com a melhoria dos processos e da assistência. As medidas, investimentos, intervenções estruturais e avanços na capacidade cirúrgica deverão ser detalhados na resposta oficial que será encaminhada ao TCE-PE dentro do prazo de 30 dias.