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Suspeito de integrar grupo investigado por roubos de SUVs é preso após cerco policial no Recife

Homem de 19 anos fazia parte de quadrilha que tinha como alvo principal mulheres que chegavam a academias, clínicas e cursos nas primeiras horas da manhã

Cadu Silva

Publicado: 29/07/2026 às 15:23

Os crimes começaram na Zona Norte do Recife, principalmente em estacionamentos de academias/Foto: Mauricio Ferry/DP Foto

Os crimes começaram na Zona Norte do Recife, principalmente em estacionamentos de academias (Foto: Mauricio Ferry/DP Foto)

Um homem de 19 anos, suspeito de integrar um grupo criminoso investigado por uma série de roubos de veículos na Zona Norte do Recife, foi preso em flagrante pela Polícia Civil de Pernambuco na terça-feira (28), após um cerco policial.

Segundo as investigações, a quadrilha atuava havia pouco mais de um mês, priorizando o roubo de SUVs e veículos de médio e alto valor, principalmente de mulheres que chegavam a academias, clínicas e cursos nas primeiras horas da manhã.

Os detalhes da prisão foram apresentados, nesta quarta-feira (29), pelo delegado Marcos de Castro, titular da Delegacia de Polícia de Roubos e Furtos de Veículos (DPRFV), durante coletiva de imprensa.

De acordo com o delegado, a investigação começou após policiais identificarem um padrão nos crimes registrados desde o fim de junho. “A gente notou que havia um padrão recorrente. Eles sempre abordavam pessoas indo realizar atividade física, a maioria eram mulheres, na madrugada e no início da manhã. Os veículos subtraídos geralmente eram SUVs ou veículos de médio e alto valor no mercado”, afirmou Marcos de Castro.

Na segunda-feira (27), duas mulheres foram vítimas do grupo. Uma teve um Toyota Corolla Cross roubado no início da manhã e outra teve um Hyundai Creta levado pelos criminosos no bairro do Bongi. A partir dessas ocorrências, a equipe intensificou o monitoramento em áreas utilizadas pelos suspeitos para esconder os veículos.

Durante a operação, os policiais localizaram o Corolla Cross estacionado no Brejo de Beberibe, na Zona Norte, e montaram uma campana. Pouco depois, um dos suspeitos entrou no veículo e tentou fugir ao perceber a abordagem.

“Ele avançou o carro em direção aos policiais, tentou fugir dando marcha à ré, mas conseguimos contê-lo”, relatou o delegado.

Após a prisão, o suspeito indicou onde estava o segundo veículo roubado e também revelou a localização de um Nissan Kicks utilizado como carro de apoio nas ações criminosas. Ao todo, três veículos foram apreendidos.

Segundo a Polícia Civil, dois desses veículos já circulavam com placas clonadas para dificultar a identificação durante novas ações criminosas.

Grupo tinha funções estabelecidas

O homem foi autuado pelos crimes de associação criminosa armada, roubo majorado pelo emprego de arma de fogo, adulteração de sinal identificador de veículo e receptação.

Durante o interrogatório, ele confirmou a existência do grupo, formado por seis integrantes, e admitiu participação em três roubos. Conforme a investigação, os criminosos dividiam funções.

“Eles faziam revezamento. Alguns eram responsáveis pelos roubos, outros pela clonagem dos veículos e outros pelo transporte dos carros até os locais determinados pelo líder da organização”, explicou Marcos de Castro.

Ainda segundo o delegado, os veículos eram levados para o interior de Pernambuco, onde eram entregues em locais previamente definidos pelo chefe do grupo. A suspeita é de que os automóveis fossem destinados ao mercado clandestino ou ao desmanche.

O investigado também informou que a preferência por SUVs estava relacionada ao maior lucro obtido com a venda ilegal.

“Ele falou que quanto maior o valor do veículo, maior seria o retorno financeiro para o grupo”, disse o delegado.

As investigações apontam que a quadrilha é responsável por pelo menos oito roubos de veículos, embora a polícia acredite que esse número seja maior.

Os crimes começaram na Zona Norte do Recife, principalmente em estacionamentos de academias, mas, segundo a Polícia Civil, o grupo já havia expandido a atuação para bairros como Iputinga e Boa Viagem.

O delegado também informou que o grupo priorizava mulheres por acreditar que a possibilidade de reação seria menor.

Insegurança 

Frequentadora da Academia Life do Parque da Jaqueira, Bruna Campelo, de 48 anos, afirma que a insegurança faz parte da rotina de quem pratica atividades físicas no local.

“No parque, às vezes, dá um medo danado de correr. Essa hora é bem deserta e eu já fico com medo”, relata.

Ela diz que nunca foi vítima dos criminosos, mas mudou os hábitos por receio de assaltos. “Graças a Deus nunca aconteceu comigo, mas eu me sinto muito insegura. Moro vizinha ao Parque da Jaqueira e não tenho segurança de sair do meu prédio. A gente anda, mas com medo. Sai de casa, mas sai com medo.”

A representante comercial Adalcácia Lira, de 51 anos, que também treina na mesma academia, afirma que redobrou os cuidados ao chegar e sair do local.

“Eu sou muito rápida. Saio do carro muito rápido e estou sempre atenta. Os manobristas até passam um pouco de segurança, mas isso não me traz 100% de tranquilidade. A insegurança não é só aqui na Jaqueira, é em todo canto”, afirma.

Sobre o policiamento, ela diz que a presença é insuficiente. “Ainda acho pouco”, pontua.

Sobre os roubos, a Polícia Civil informou que as diligências continuam para localizar os demais integrantes da organização criminosa, recuperar outros veículos roubados e identificar todos os envolvidos.

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