Procurador Pedro Jorge de Melo e Silva entra para o Livro dos Heróis da Pátria
Lei sancionada pelo governo federal reconhece a trajetória de Pedro Jorge de Melo e Silva, assassinado em 1982 após denunciar um esquema milionário de fraudes envolvendo crédito rural e seguro agrícola em Pernambuco
Publicado: 02/07/2026 às 20:10
Procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva (Foto: Reprodução)
O procurador da República Pedro Jorge de Melo e Silva, assassinado em 1982 depois de denunciar um dos maiores casos de corrupção da história de Pernambuco, teve o nome oficialmente inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. O reconhecimento foi garantido pela Lei nº 15.446/2026, publicada no Diário Oficial da União e celebrada em solenidade realizada nesta terça-feira (30), em Brasília.
A homenagem reconhece a atuação de Pedro Jorge no combate ao chamado Escândalo da Mandioca, esquema que desviou recursos públicos por meio de financiamentos agrícolas e do seguro rural entre os anos de 1979 e 1981. O projeto que deu origem à lei foi apresentado pela senadora Teresa Leitão (PT-PE) e aprovado pelo Congresso Nacional neste ano.
Pedro Jorge ingressou no Ministério Público Federal em 1975 e conduziu as investigações sobre a fraude, denunciando 19 pessoas, entre elas um deputado estadual, um vereador e oficiais da Polícia Militar de Pernambuco.
Segundo as investigações, os envolvidos se apresentavam como produtores rurais para obter empréstimos destinados ao cultivo de mandioca junto ao Banco do Brasil. Em seguida, alegavam perdas provocadas pela seca para receber indenizações do seguro agrícola, causando um prejuízo que, em valores atualizados, é estimado em cerca de R$ 30 milhões.
Mesmo após receber ameaças de morte, o procurador manteve a denúncia. Três meses depois de o processo ser aceito pela Justiça, em 3 de março de 1982, Pedro Jorge foi assassinado a tiros ao sair de uma padaria em Olinda, aos 35 anos de idade. Ele deixou esposa e duas filhas.
Os executores do crime foram julgados e condenados. Já o apontado como mandante, o major José Ferreira, também investigado no Escândalo da Mandioca, permaneceu foragido por 12 anos. O caso foi reaberto em 1995 pelo então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, e, com apoio da Polícia Federal, o militar foi localizado e preso para cumprir a pena.
Homenagem em Brasília
Durante a cerimônia de inscrição do nome de Pedro Jorge no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, afirmou que a trajetória do procurador representa o compromisso com o interesse público e o enfrentamento da corrupção.
Segundo ele, o exemplo de Pedro Jorge reforça a necessidade de fortalecer as instituições de segurança e Justiça e de ampliar a cooperação entre os órgãos responsáveis pelo combate ao crime organizado e aos desvios de recursos públicos.
Representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, classificou a homenagem como um reconhecimento à coragem do procurador e ao trabalho desempenhado pelo Ministério Público Federal na defesa da sociedade.
" “É também um reconhecimento ao Ministério Público Federal, zeloso do cumprimento da lei e da defesa do interesse público. Que essa homenagem seja uma luz a orientar as novas gerações, para que nós possamos avançar e melhorar”, afirmou.
A filha do homenageado, Roberta Viegas e Silva, destacou que a história do pai ultrapassa o âmbito familiar e faz parte da memória de Pernambuco, do Ministério Público e do Brasil. “A história do meu pai marcou a nossa história, a história de Olinda, de Pernambuco, do Ministério Público e a história do Brasil."
O Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria está depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília. O espaço reúne brasileiros que tiveram atuação considerada fundamental na defesa da democracia, da liberdade e do interesse público.