Coleta seletiva do Recife recupera 3 mil toneladas de recicláveis por ano
Cidade apoia 11 cooperativas de catadores e amplia estrutura de coleta seletiva para receber investimento de até R$ 300 milhões em novo modelo de reciclagem
Publicado: 02/07/2026 às 07:25
Ecoestação Vila do Papel, no bairro de São José (Foto: Mauricio Ferry/DP Foto)
A coleta seletiva do Recife recupera aproximadamente 3 mil toneladas de materiais recicláveis por ano, que são encaminhadas às cooperativas de catadores para triagem, comercialização e reinserção na cadeia produtiva. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (1º) pela Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb), no mesmo dia em que a capital pernambucana foi anunciada como sede de um projeto nacional voltado à transformação da gestão de resíduos sólidos.
Segundo a Emlurb, a Prefeitura do Recife apoia atualmente 11 cooperativas, que reúnem cerca de 200 catadores cooperados. Além disso, a estimativa é de que aproximadamente 8 mil catadores autônomos atuem na cidade.
Como parte das ações para fortalecer esse público, o município implantou dois ecopontos destinados à compra de materiais recicláveis, permitindo que catadores comercializem diretamente os resíduos coletados. Uma terceira unidade deve entrar em funcionamento ainda neste mês de julho.
O número de Ecoestações chega a 17 unidades, enquanto os Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) chega a 160. A estratégia inclui ainda parcerias com empresas de logística reversa, requalificação de cooperativas, apoio à regularização das organizações, pagamento pelos serviços de triagem e campanhas permanentes de educação ambiental.
Também nesta quarta-feira, foi inaugurada a Ecoestação Vila do Papel, no bairro de São José, a 17ª unidade do programa Recife Limpa. O espaço recebe resíduos da construção civil, materiais recicláveis, móveis, restos de poda, objetos volumosos e resíduos sujeitos à logística reversa, buscando reduzir os pontos de descarte irregular na cidade.
A Prefeitura destaca que a participação da população é essencial para o funcionamento da coleta seletiva. O descarte correto dos resíduos recicláveis reduz o volume enviado aos aterros sanitários, diminui os custos da limpeza urbana, evita que materiais cheguem a rios, canais e galerias de drenagem e contribui para a geração de renda dos catadores.
Dentro das ações de prevenção às chuvas e manutenção da infraestrutura urbana, o município informa investir mais de R$ 400 milhões, sendo cerca de R$ 9 milhões destinados especificamente à limpeza de rios, canais e canaletas.
Projeto internacional
O Recife vai sediar um projeto da Fundação Ellen MacArthur que pretende servir de referência para a gestão de resíduos urbanos no Brasil.
A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Prefeitura do Recife, a organização Clean Rivers e empresas como Mars, Nestlé, PepsiCo e Unilever, prevê a elaboração de um novo modelo de coleta seletiva e reciclagem. A expectativa é mobilizar cerca de R$ 300 milhões em investimentos plurianuais para ampliar a infraestrutura do setor, com início das ações previsto para 2027.
O projeto será estruturado em três frentes, focando no fortalecimento da economia circular, melhoria da limpeza urbana com redução do descarte irregular de resíduos, especialmente plásticos, e ampliação das oportunidades de trabalho e renda para cooperativas, associações e catadores autônomos.
De acordo com o estudo que embasa a iniciativa, embora a coleta de resíduos alcance 92,4% da população brasileira, menos de 9% dos materiais recicláveis retornam à cadeia produtiva.
O levantamento estima ainda que o país deixe de aproveitar cerca de R$ 14 bilhões por ano em materiais recicláveis descartados em aterros sanitários e que aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de plástico sejam descartadas inadequadamente anualmente, parte delas chegando a rios e outros corpos d’água.