° / °
Vida Urbana
QUEIMADOS

Balanço parcial do HR aponta redução de casos de queimaduras no ciclo junino

Ainda sem contabilizar as festividades de São Pedro, HR registrou, até esta quinta-feira (25), 21 atendimentos em casos de queimaduras durante os festejos juninos em 2026

Cadu Silva

Publicado: 25/06/2026 às 14:07

Fachada do Hospital da Restauração/Crysli VIana/DP foto

Fachada do Hospital da Restauração (Crysli VIana/DP foto)

Pernambuco registrou, até o momento, 21 atendimentos relacionados a queimaduras durante os festejos juninos de 2026. A informação foi repassada pelo Centro de Tratamentos de Queimados (CTG) do Hospital da Restauração (HR), no centro do Recife. Em comparação a 2025, considerando todo o ciclo junino, incluindo Santo Antônio, São João e São Pedro, a unidade registrou 70 ocorrências.

Apesar da diferença, a coordenadora do CTQ, a Drª Cristine Dalla Nora, ressalta que os números deste ano ainda são parciais e só serão fechados no final de junho. Isso porque ainda faltam ser contabilizados os atendimentos relacionados às festividades de São Pedro, celebradas no dia 29, além dos pacientes que costumam procurar assistência médica dias após sofrer a queimadura.

“Os números foram menores até agora, de forma comparativa, embora a gente ainda não tenha chegado ao fim do mês. Isso é importante frisar. Ainda há as festas de São Pedro e também as queimaduras que estão sendo conduzidas de forma errada, com pacientes que ainda não procuraram assistência e chegam para a gente dois ou três dias depois. Esse número, com certeza, vai aumentar. Mas, proporcionalmente, me parece que ficará menor que o ano passado”, afirmou.

Dos 21 atendimentos registrados até agora, 11 foram de adultos e 10 de crianças. Segundo a especialista, os acidentes mais frequentes continuam sendo aqueles provocados por fogos de artifício, rojões, bombas e fogueiras.

“Destaco queimaduras de mão por soltar fogos, por bomba e por rojão. Também tivemos queimaduras por chamas de fogueira e por brasa, principalmente em crianças. Muitas vezes a fogueira parece apagada, mas ainda está quente. A criança pisa próximo e acaba queimando a sola do pé”, explicou.

A médica destacou que, apesar dos acidentes, não houve registro de morte relacionada diretamente aos festejos juninos deste ano.

“Relacionado especificamente às festas juninas, não tivemos nenhum óbito. Tivemos atendimento de outros grandes queimados por causas diversas, mas não relacionados aos festejos.”

Queimaduras em áreas nobres preocupam especialistas

Embora boa parte dos pacientes não precise de internação, algumas lesões são consideradas graves por atingirem regiões importantes do corpo, principalmente as mãos.

“Temos queimaduras que consideramos graves porque atingem áreas nobres, como a mão. Mesmo quando a extensão não é muito grande, ela pode causar limitações importantes e comprometer atividades do dia a dia”, disse Cristine Dalla Nora.

Os casos que exigem internamento geralmente envolvem queimaduras de segundo e terceiro graus. Dependendo da gravidade, o tratamento pode incluir procedimentos realizados sob anestesia e até enxertos de pele.

“A queimadura é extremamente dolorosa. Para que a gente consiga fazer a limpeza adequada da ferida e aplicar corretamente as medicações, muitas vezes é necessário utilizar anestesia. Sem isso, o paciente não suporta o procedimento. Em alguns casos, também há necessidade de enxerto de pele”, explicou.

Procura tardia por atendimento agrava os casos

Outro ponto de preocupação para os profissionais do CTQ é o hábito de muitas pessoas tentarem tratar a queimadura em casa antes de procurar ajuda especializada.

“A gente recebe pacientes com três ou quatro dias de queimadura, já infectada, aprofundada, com celulite e outras complicações. O que inicialmente poderia ser uma queimadura de segundo grau acaba evoluindo porque não recebeu o tratamento adequado”, alertou.

Segundo a médica, a demora na procura por atendimento pode aumentar o tempo de recuperação e até a necessidade de procedimentos mais complexos.

“Às vezes a queimadura chega aqui muito pior do que estava no dia do acidente. Isso muda completamente o tratamento e prolonga o período de internamento.”

Referência estadual no tratamento de queimaduras, o Hospital da Restauração recebe pacientes de todas as regiões de Pernambuco. Por isso, a principal recomendação dos especialistas continua sendo a prevenção.

“Nunca se deve acender uma fogueira com crianças por perto. Também é importante manter álcool e gasolina longe do fogo. Quando uma criança for soltar fogos, isso deve acontecer sempre sob a supervisão de um adulto”, orientou a coordenadora do CTQ.

Ela também alerta para situações aparentemente simples, mas que costumam provocar acidentes graves.

“Se um rojão não explodir, não tente pegá-lo novamente. E nunca guarde fogos no bolso. Nós atendemos muitas queimaduras em coxa e região genital porque o artefato acabou explodindo dentro da roupa.”

Além dos fogos e fogueiras, a preparação de comidas típicas também aumenta o risco de queimaduras.

“Nessa época do ano se cozinha muito. Tem panela de milho, canjica, bolo e óleo quente. Muitas vezes há crianças circulando pela cozinha ou mesmo quem está cozinhando acaba sofrendo algum acidente.”

A médica também chama atenção para um fator extra neste ano: as comemorações ligadas aos jogos de futebol. “Temos ainda o componente das festas associadas aos jogos. As pessoas ficam mais eufóricas, consomem bebidas alcoólicas e acabam utilizando fogos de forma inadequada, o que aumenta o risco de acidentes.”

Saiba o que fazer em caso de queimadura

Em caso de acidente, a orientação é resfriar imediatamente a área afetada com água corrente.

“O primeiro passo é colocar a região queimada em água corrente, seja na torneira ou no chuveiro. Não deve colocar gelo nem mergulhar a área em água gelada, porque isso pode piorar a lesão”, explicou.

Depois disso, a recomendação é cobrir o local com um pano limpo e procurar atendimento médico. “Se houve formação de bolha, já estamos diante de uma queimadura de segundo grau e a pessoa deve procurar uma unidade de saúde.”

Histórico de atendimentos no período junino

Os dados do Hospital da Restauração mostram que o número de atendimentos relacionados aos festejos juninos variou nos últimos anos:

2025: 70 atendimentos e 36 internações;
2024: 46 atendimentos e 29 internações;
2023: 47 atendimentos e 19 internações;
2022: 44 atendimentos e 18 internações.

De acordo com a Restauração, o CTQ atende cerca de 3 mil pacientes por ano por diferentes tipos de queimaduras e reforça que grande parte dos acidentes registrados durante o período junino poderia ser evitada com medidas simples de segurança.

Mais de Vida Urbana

Últimas

WhatsApp DP
Mais Lidas