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TUBARÃO

"Nunca chegou ajuda", diz vítima de tubarão que processou Estado; governadora prometeu prótese

Kaylanne Timóteo Freitas busca indenização por danos morais, estéticos e materiais. Raquel Lyra afirmou que governo garantiria prótese ao visitar vítima no hospital em 2023

Jorge Cosme

Publicado: 03/06/2026 às 19:07

Incidente ocorreu em março de 2023./Foto: Wanderson Oliveira/Acervo DP

Incidente ocorreu em março de 2023. (Foto: Wanderson Oliveira/Acervo DP)

A atleta paralímpica Kaylanne Timóteo Freitas, de 18 anos, que processou o Estado de Pernambuco após perder o braço esquerdo em incidente com tubarão em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, em 2023, acusa o governo de não arcar com prótese que havia sido prometida na data do ocorrido. A jovem busca indenização por danos morais, estéticos e materiais, mas teve o pedido negado em decisão de primeiro grau em janeiro deste ano.

"Nunca me chegou ajuda alguma por meio do governo", lamenta Kaylanne, em comentário nas redes sociais.

O pedido de indenização por danos materiais feito pela vítima era relacionado a pensão vitalícia e custeio de prótese.

"É muito importante também dizer que não negaram apenas a indenização, mas também a prótese que a própria governadora veio a público falar que iria arcar com os custos", diz ela.

A fala de Kaylanne faz referência à declaração da governadora Raquel Lyra (PSD), que esteve no Hospital da Restauração (HR), no centro do Recife, na data do ocorrido. A gestora visitou o local em um gesto de solidariedade à jovem e ao adolescente de 14 anos que teve a perna amputada em incidente com tubarão no dia anterior.

"Nós estamos colocando todo o Governo do Estado à disposição para que eles possam voltar à casa, ter restabelecida a normalidade de suas vidas na medida do possível, garantir prótese, órtese, acompanhamento psicológico, para que eles possam restabelecer a normalidade", disse a governadora à imprensa na ocasião.

Procurado, o Governo de Pernambuco não respondeu até a publicação.

"Inferno pro resto da vida"

Kaylanne também afirma que o ataque ocorreu em área permitida para banho e sem sinalização. "O primeiro ataque naquele trecho foi o meu", afirma.

Ela lamenta ainda os comentários de internautas que a culpam pelo ocorrido. "Culpa, nós temos de sobra. A cada ataque, revivendo os mesmos julgamentos. Um inferno pro resto da vida", diz ela nas redes sociais.

A mulher também disse estar triste com os novos casos, registrados domingo (31) e segunda-feira (1º) em Jaboatão e no Recife, respectivamente.

"Parece que tô vivendo tudo de novo. Por pura coincidência, um no domingo, outro na segunda, exatamente como na época do meu", ela escreve. As vítimas Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, e o menino de 11 anos seguem internados no Hospital da Restauração (HR).

"A pior parte é ler os comentários direcionados às duas vítimas, os desejos de morte, etc. Eu passei isso tudo na pele e podem ter certeza, não precisam culpá-los. Eles mesmo farão isso por todo o resto de suas vidas", completa.

"Assumiu o risco"

O Gabinete da Central de Agilização Processual, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), julgou improcedente em janeiro deste ano o pedido de indenização feito por Kaylanne contra o Estado de Pernambuco e a Prefeitura de Jaboatão.

A vítima defende que houve omissão dos entes públicos na sinalização adequada e na manutenção de políticas de monitoramento e prevenção de ataques.

Na sentença, a juíza Juliana Rodrigues Barbosa diz que a vítima assumiu o risco, pois "há mais de 30 anos a população tem ciência da periculosidade de certas áreas".

"Ao optar pelo banho de mar em área de risco notório, a vítima assumiu o risco do resultado, rompendo o nexo causal com qualquer suposta omissão estatal", escreve a juíza. A defesa recorreu ao tribunal.

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