Falhas na coleta do lixo em Olinda podem ser alvo de investigação por meio de CPI
CPI do Lixo foi protocolada na Câmara dos Vereadores de Olinda, reunindo mais de três mil assinaturas. Dívida superior a R$ 2 milhões também está na denúncia
Publicado: 19/05/2026 às 15:45
Irregularidades na coleta do lixo em Olinda podem ser alvo de CPI. (Foto: Prefeitura de Olinda/Divulgação)
As falhas na coleta do lixo em Olinda – e uma dívida superior a R$ 2 milhões junto à Central de Tratamento de Resíduos - podem ser alvo de investigação. O pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os problemas com a coleta foi protocolado na Câmara de Vereadores do município nesta terça-feira (19).
A iniciativa, da vereadora Eugênia Lima (PT), reúne mais de três mil assinaturas populares coletadas por meio de formulário online e através de mobilização nas ruas. Para que o requerimento possa seguir para votação em plenário, é necessário o apoio mínimo de sete vereadores, conforme exigência regimental para admissão da matéria. Caso seja admitida e aprovada em plenário, a CPI terá prazo inicial de 90 dias, podendo ser prorrogada por igual período, e será composta por cinco membros, respeitando a proporcionalidade partidária.
Entre os documentos que foram entregues, está um dossiê técnico (elaborado pelo mandato) apontando uma série de irregularidades e fragilidades na condução do serviço nos últimos anos. O material traz dados financeiros, ambientais e operacionais sobre o sistema de limpeza urbana do município. Já a dívida junto à central de tratamento foi apontada em alerta do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Segundo o requerimento, a situação coloca em risco a continuidade do serviço e o acesso a recursos vinculados à política ambiental.
O pedido de abertura da CPI ocorre em meio à repercussão recorrente de problemas relacionados ao lixo na cidade, com registros frequentes de acúmulo de resíduos nas ruas e praças. De acordo com o requerimento, a Comissão deverá investigar possíveis irregularidades administrativas, contratuais, financeiras, ambientais e operacionais no sistema de gestão de resíduos sólidos entre janeiro de 2022 e fevereiro de 2026.
Na lista dos pontos que devem ser apurados estão os contratos firmados com empresas responsáveis pela coleta, a inadimplência do município junto à Central de Tratamento de Resíduos, a recorrência de contratações emergenciais e os impactos ambientais decorrentes da má gestão.
Outro ponto é o descumprimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Segundo o documento, o município não implantou um sistema efetivo de coleta seletiva e não assegura a inclusão produtiva de catadores, em desacordo com a legislação federal.
“É hora de saber por que a empresa que faz a coleta de lixo no Recife, na hora que é contratada pela Prefeitura de Olinda, não realiza o trabalho da mesma forma. E por que, desde a gestão Lupércio, a Prefeitura de Olinda coleciona dívidas e acumula aditivos e contratos de emergências com essas empresas”, afirmou a vereadora.