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PRISÃO

Homem que aplicava golpe do falso técnico de TV é preso na Zona Norte do Recife

O suspeito de 40 anos se passava por técnico de TV para aplicar golpes nas vítimas, roubando peças do aparelho; a prisão aconteceu na última quinta-feira (7), no bairro do Arruda, Zona Norte do Recife

Cadu Silva

Publicado: 11/05/2026 às 12:45

Delegado Mário Melo, titular da Delegacia de Boa Viagem/FOTO: Cadu Silva/DP

Delegado Mário Melo, titular da Delegacia de Boa Viagem (FOTO: Cadu Silva/DP)

Um homem de 40 anos suspeito de aplicar golpes se passando por técnico de conserto de televisores foi preso pela Polícia Civil no bairro do Arruda, na Zona Norte do Recife.

Os detalhes da prisão ocorrida na última quinta-feira (7), foram apresentados na manhã desta segunda (11) pelo delegado Mário Melo, titular da Delegacia de Boa Viagem, durante coletiva de imprensa.

Modus Operandi

De acordo com o delegado, o suspeito vinha sendo investigado desde outubro de 2025. Ele anunciava serviços de manutenção de TVs no Marketplace do Facebook e ia até a casa das vítimas após ser contratado.

“A gente começou a investigar ele em outubro de 2025. Ele era o falso técnico de televisão. Ele anunciava os serviços no Marketplace do Facebook. As vítimas contratavam ele, ele ia até o domicílio e, chegando lá, dizia que alguma peça da TV teria que ser levada para algum outro local para conserto”, explicou o delegado.

Ainda segundo a polícia, o homem cobrava antecipadamente metade do valor do serviço e levava peças dos aparelhos, prometendo retornar posteriormente. As vítimas só percebiam o golpe quando ele não voltava mais.

“Ele pedia 50% do valor adiantado e levava as peças da vítima. Obviamente que tudo isso fazia parte de um engodo, de um ardil. Só na data que ele teria que retornar é que as vítimas percebiam que tinham caído em um golpe”, afirmou Mário Melo.

Segundo as investigações, o suspeito utilizava nomes falsos para dificultar a identificação. Entre os nomes usados estavam “Lucas”, “Ricardo”, “Adriano”, “Paulo” e “Thiago”.

A investigação aponta que o suspeito utilizava formulários de uma empresa localizada em Boa Viagem para dar aparência de legalidade ao serviço. A empresa existe, mas o homem não tinha qualquer vínculo com ela.

“Ele usava como parte do engodo um formulário de uma empresa localizada em Boa Viagem. Essa empresa de fato existia, mas ele não era funcionário dela. Isso fazia parte da fraude”, detalhou o delegado.

A polícia informou ainda que o suspeito tinha conhecimento técnico sobre televisores, o que ajudava a convencer as vítimas durante os atendimentos. As peças mais levadas eram placas de vídeo, placas de áudio e fontes de alimentação, consideradas componentes de alto valor e de difícil rastreamento.

Segundo a Polícia Civil, já foram registrados cerca de 30 boletins de ocorrência contra o suspeito desde 2023, além de dez processos criminais nos quais ele figura como réu, todos relacionados ao mesmo tipo de golpe.

“De boletins de ocorrência registrados, a gente encontrou aproximadamente 30, mas acreditamos que sejam muito mais. Dos processos que ele responde, existem dez, todos pelo mesmo tipo de golpe”, disse Mário Melo.

Os casos foram registrados em cidades como Camaragibe, Olinda, Paulista, Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca. Na capital, os crimes aconteceram em bairros como Boa Viagem, Arruda, Água Fria e Cajueiro. Segundo a polícia, ele atuava com frequência no bairro do Janga, em Paulista.

Os crimes investigados incluem estelionato, furto mediante fraude e falsidade ideológica de documento particular.

Histórico criminal e tentativa de fuga

O delegado informou ainda que o suspeito já havia sido condenado anteriormente por estelionato. Ele passou um período preso, foi solto em 2022 e voltou a praticar os crimes no ano seguinte.

Durante o interrogatório, o suspeito revelou aos policiais que acompanhava os processos judiciais pela internet e já sabia que a prisão havia sido decretada. Segundo o delegado, ele pretendia fugir de Pernambuco nesta segunda-feira (11).

“Ele me contou informalmente que vinha acompanhando os processos pela consulta pública e viu que, na quinta-feira, o juiz tinha decretado o mandado de prisão. Ele disse que, se a gente não chegasse, estava pronto para fugir do estado hoje”, relatou Mário Melo.

Ainda segundo a polícia, o homem não reagiu no momento da prisão. “Ele não ofereceu resistência. É um rapaz muito educado, sabia que a Justiça ia chegar nele”, completou o delegado.

As investigações continuam para identificar possíveis receptadores das peças retiradas das televisões e outras pessoas que possam ter participado do esquema criminoso.

“A gente acredita que ele repassava essas peças para outras pessoas, mas isso ainda está sendo investigado. Queremos identificar todos que tenham cooperado nesta empreitada criminosa”, disse o delegado.

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