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CHUVAS

Idoso morto em correnteza no Recife atuava como palhaço e costumava ajudar moradores em enchentes

Aos 70 anos, Edivaldo Pinto dos Santos conciliava a vida de aposentado com a atuação como palhaço e era conhecido pela solidariedade na comunidade

Mareu Araújo

Publicado: 03/05/2026 às 18:45

Corpo de Edivlado foi encontrado dois dias após idoso ser levado por correnteza/Foto: Reprodução/Whatsapp

Corpo de Edivlado foi encontrado dois dias após idoso ser levado por correnteza (Foto: Reprodução/Whatsapp)

O idoso Edivaldo Pinto dos Santos, de 70 anos, encontrado morto neste domingo (3) após ser levado pela correnteza durante as fortes chuvas que atingiram o Recife na última sexta-feira (1º), era uma figura bastante conhecida no bairro de Beberibe, na Zona Norte da cidade. Segundo a família, ele deixa a imagem de um homem simples, solidário e profundamente ligado à comunidade onde escolheu viver.

Aposentado, Edivaldo construiu sua trajetória como palhaço e era conhecido como “Tombinha” ou “Nega Maluca”. Ele costumava se apresentar nas ruas e eventos locais. Mesmo após se aposentar, seguia cultivando o personagem, com figurinos e adereços que faziam parte do cotidiano dele.

Segundo uma das filhas, Ranielly Santos, ele era reconhecido por ajudar vizinhos e por sua disposição em colaborar, principalmente em momentos difíceis, como períodos de chuva intensa. Morando há mais de uma década em uma área afetada por alagamentos, Edivaldo estava habituado à rotina de cheias.

“No começo, quando ele trabalhava, antes dele se aposentar, ele ajudava muito, já que ele tinha uma condição melhor. Quando tinha cheia assim, ele sempre se mobilizou para ajudar a comunidade”, pontua Ranielly.

Nos últimos meses, no entanto, familiares percebiam sinais de lapsos de memória, o que levantou a suspeita de um possível quadro de Alzheimer. Apesar disso, ele mantinha certa autonomia e não queria deixar a casa onde vivia. “Ele era uma pessoa de cabeça erguida, falava com todo mundo, lembrava de todo mundo”, conta a filha.

Na sexta-feira, durante o pico das chuvas, Edivaldo entrou em uma área alagada. De acordo com relatos da filha, ele chegou a conseguir retornar à superfície em um primeiro momento, mas acabou sendo arrastado pela força da correnteza ao tentar novamente atravessar o local. O nível da água subiu rapidamente naquele dia.

Desde então, familiares acompanharam de perto as buscas realizadas pelo Corpo de Bombeiros, percorrendo pontos ao longo do curso da água. O corpo foi localizado na manhã deste domingo, após dois dias de procura.

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