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Com mascaras e relhos: você sabe como os Caretas de Triunfo brincam o carnaval?

Tradição centenária do Sertão pernambucano reúne mascarados irreverentes, história popular e brincadeiras que transformam as ruas da cidade durante a festa

Adelmo Lucena

Publicado: 14/02/2026 às 06:15

Caretas de Triunfo saem pelas ruas no carnaval/Foto: Verner Brenan/Ascom Triunfo

Caretas de Triunfo saem pelas ruas no carnaval (Foto: Verner Brenan/Ascom Triunfo)

Na segunda-feira de carnaval, as principais ruas de Triunfo, no Vale do Pajeú, Sertão de Pernambuco, são tomadas por figuras mascaradas, vestidas com roupas coloridas e carregando chicotes pelo centro histórico da cidade. Os Caretas são personagens de uma das manifestações culturais mais tradicionais do interior pernambucano.

Acompanhados pelo som dos relhos, chicotes feitos artesanalmente, e pelo clima de brincadeira que marca o desfile, os Caretas percorrem as ruas interagindo com o público nos blocos de frevo e cortejos de grupos da cultura popular. Para muitos foliões, o carnaval de Triunfo é considerado um dos mais tradicionais e animados do interior do estado.

A tradição dos Caretas surgiu no o início do século XX e tem cerca de 100 anos. O personagem teria surgido por volta de 1917, quando um morador conhecido como Mateus tentou participar da festa de Reisado, mas foi impedido devido ao estado de embriaguez. Inconformado, ele colocou uma máscara, vestiu roupas extravagantes, carregou um chocalho e saiu pelas ruas chamando atenção sem ser reconhecido.

A atitude inusitada foi imitada por outros moradores e deu origem ao personagem folclórico que, atualmente, reúne milhares de participantes durante o carnaval. Neste ano, o Desfile dos Caretas está marcado para a segunda-feira (16), no Pátio de Eventos.

Fantasias artesanais e anonimato

Nos primeiros anos da manifestação, os trajes eram simples e confeccionados pelos próprios brincantes. Os chapéus eram feitos de palha, decorados com fitas coloridas produzidas a partir de retalhos de tecidos doados. As máscaras, inicialmente elaboradas com papel, grude e amido moldados em madeira, passaram posteriormente a ser produzidas em moldes de cimento.

Para manter o anonimato, os participantes vestiam várias peças de roupa sobrepostas, criando volume e dificultando o reconhecimento. O figurino incluía ainda luvas e o relho, tradicionalmente feito de corda crua com ponteira de pedaços de pneu, cujo estalo caracteriza a presença dos Caretas nas ruas.

Com o passar do tempo, as fantasias tornaram-se mais elaboradas e sofisticadas, embora muitos grupos preservem elementos tradicionais como as máscaras artesanais e os acessórios típicos.

Antigamente, a participação dos Caretas seguia regras rígidas. A festa só podia começar após as nove horas da manhã, quando terminava a missa, e os mascarados eram obrigados a retirar as fantasias depois das cinco da tarde, por determinação do delegado local, sob a justificativa de evitar possíveis irregularidades.

Os participantes se organizavam, e ainda se organizam, em grupos conhecidos como “trecas”. Atualmente formadas por amigos e famílias, essas formações incluem homens, mulheres e crianças, ao contrário do que ocorria no passado.

Hoje, os Caretas são considerados um dos principais símbolos da identidade cultural de Triunfo e uma expressão do carnaval pernambucano. Além de circular pelas ruas da cidade durante a festa, os grupos realizam apresentações em outras localidades do país e já participaram de concursos carnavalescos promovidos no município.

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