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VIOLÊNCIA CONTRA MULHER

Rodrigo Carvalheira passa por audiência de instrução e julgamento em caso de 3ª vítima de estupro

Em um dos processos a que responde, Carvalheira foi condenado a 12 anos de prisão em regime fechado, mas está recorrendo para a 2ª instância. Atualmente, ele está em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica

Mareu Araújo e Tatiana Notaro

Publicado: 06/02/2026 às 22:05

Daniel Lima, advogado de uma das vítimas do Caso Rodrigo Cavalheira, empresário acusado de uma série de estupros/Sandy James/DP Foto

Daniel Lima, advogado de uma das vítimas do Caso Rodrigo Cavalheira, empresário acusado de uma série de estupros (Sandy James/DP Foto)

O empresário Rodrigo Carvalheira, acusado de estuprar diversas mulheres, passou por mais uma audiência de instrução e julgamento, nesta sexta-feira (6). Esse é o terceiro processo por estupro de vulnerável em que ele senta no banco dos réus.

Em um dos processos, Carvalheira foi condenado a 12 anos de prisão em regime fechado, mas está recorrendo para a 2ª instância. Atualmente, ele está em prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.

A audiência aconteceu na 17ª Vara Criminal, no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, na Joana Bezerra, área central do Recife. Carvalheira e sua defesa participaram de forma remota. Além deles, participaram o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), duas testemunhas listadas pelo órgão ministerial, o advogado e a vítima.

Neste terceiro processo, Carvalheira é acusado de ter estuprado uma moça em duas ocasiões, em Fernando de Noronha e no Recife entre 2018 e 2019. A sessão foi iniciada por volta das 11h com o depoimento da vítima, que falou por quase três horas, e foi finalizada às 16h40 após o depoimento das testemunhas.

Em conversa com a imprensa, o advogado Daniel Lima, que representa a vítima, afirmou que a mulher foi “exaustivamente” questionada pelas partes e não “titubeou”. “Inclusive, ela poderia pedir para que ele não estivesse presente durante o depoimento dela, mas ela disse que não tinha problema nenhum falar na frente dele, porque ela não tinha nada a esconder e ia falar a verdade”, disse.

Nesta fase do processo, a vítima é a primeira a ser ouvida e é questionada pelo MPPE, por seus advogados, pela defesa do acusado e pela juíza. Após a oitiva dela, foram ouvidas as duas testemunhas, um homem e uma mulher.

A segunda fase da audiência de instrução está prevista para ocorrer ainda neste primeiro semestre. Nesta próxima etapa serão ouvidas as testemunhas listadas pelos advogados da vítima e pela defesa de Carvalheira. O interrogatório do acusado será o último ato da audiência.

Justiça

O advogado disse que a vítima tem sofrido, mas “ela acha que é um dever dela”. “Ela disse que está aqui para fazer justiça, inclusive por outras mulheres e para a sociedade. É muito difícil para ela enfrentar isso”, contou.

“É um trauma muito grande. Depois que o processo iniciou, ela ficou em dúvida, mas falou com a família, que a apoiou. Inclusive, quem a acompanhou no primeiro depoimento não foram advogados, foi o pai”, afirmou Lima.

Atrapalhar

Durante audiências de instrução e julgamento anteriores, o réu teria atrapalhado as sessões, sendo repreendido pelas magistradas. Fontes ligadas aos casos informaram que a participação de Rodrigo Carvalheira de forma remota seria uma tentativa da defesa de impedir que ele voltasse a atrapalhar a audiência.

Na primeira audiência, em julho de 2024, o empresário, que participou de forma presencial, teria rido e encarado a vítima e as testemunhas, segundo uma fonte. A magistrada chegou a chamar a atenção dele três vezes. Ele foi algemado e retirado da sala, acompanhando a sessão em um ambiente à parte.

Já na audiência de instrução do segundo processo, Carvalheira participou de forma remota e teve sua câmera cortado pela juíza. Segundo fontes, o empresário teria balançado a cabeça que “sim” e que “não” de acordo com a pergunta feita a testemunhas listadas por sua defesa.

Padrão do crime

Segundo os relatos das vítimas, Rodrigo tomava vantagem de relações de amizades diretas e indiretas para chegar às vítimas. Ele agia sempre da mesma forma: oferecia bebidas e medicações que afetavam os sentidos das vítimas, e com elas inconscientes, ele cometia os abusos.

Daniel Lima, no entanto, não confirmou se esse padrão se repetiu com a vítima ouvida nesta sexta-feira.

Segundo a Polícia Civil, uma das vítimas sofreu a violência sexual no dia do próprio aniversário de 16 anos, em 2009. Outra mulher também tinha 16 anos quando foi vítima do crime, em 2005. Dessas duas vítimas, uma delas foi estuprada quando estava em estado de embriaguez e outra quando estava sob o efeito parcial de embriaguez. Esses casos prescreveram na Justiça, ou seja, o Estado não tem mais como executar a punição contra o empresário.

Em 15 de julho de 2024, ao chegar para a audiência de instrução e julgamento do primeiro processo por estupro, Rodrigo Carvalheira disse à imprensa: “Os humilhados serão exaltados”.

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