Alunos de medicina da UPE fazem greve após corte de alimentação em complexo hospitalar do Recife
Estudantes afirmam que a greve foi decidida em função dos cortes das refeições gratuitas no único hospital do complexo da UPE que disponibilizava almoço para os internos
Publicado: 29/01/2026 às 14:54
Reitoria da Universidade de Pernambuco (UPE) (Divulgação/UPE)
Alunos da Faculdade de Ciências Médicas do Recife da Universidade de Pernambuco (UPE), estão em greve das atividades acadêmicas em função do corte de refeições no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM), a única unidade do complexo hospitalar da UPE que disponibilizava almoço gratuito para os internos.
O Diretório Acadêmico Josué de Castro, entidade representativa dos estudantes de medicina da Faculdade de Ciências Médicas da UPE de Santo Amaro, anunciou a greve nas redes sociais na noite desta quarta (28), após uma Assembleia entre os alunos.
Segundo o diretor-geral do Diretório Acadêmico do curso, Arthur Godê, a decisão foi unânime, em função da suspensão da alimentação dos alunos do internato no CISAM, anunciada na segunda (26).
Em entrevista ao Diario, ele explicou que a unidade divulgou uma nota com a mudança, e que a alegação foi de que ordens superiores estavam sendo cumpridas.
“O CISAM emitiu uma nota dizendo que estava seguindo uma suposta recomendação da Secretaria de Controladoria Geral do Estado para não executar o orçamento. Essa nova execução, curiosamente, iria logo na nossa alimentação, que impactaria na casa dos R$ 4 mil por mês”, explicou o estudante do quarto período de medicina.
Internos
De acordo com dados fornecidos pelo Diretório Acadêmico ao Diario, 300 alunos estão em internato nas três unidades do complexo hospitalar da UPE. São elas: Centro Universitário Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (CISAM), na Encruzilhada, na Zona Norte do Recife; Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) e Pronto-Socorro Cardiológico Universitário de Pernambuco - Prof. Luiz Tavares (PROCAPE), ambos em Santo Amaro, na região central da capital.
“Chega a ser desrespeito por parte do Governo do Estado, da Secretaria, da Controladoria de fazer isso, e a gente também não teve acesso a esse documento, essa tal recomendação”, afirmou Godê.
Dos três, o CISAM era o único que ainda disponibilizava almoço gratuito para 15 internos, diariamente. O Diretório Acadêmico afirma que as alimentações custavam à UPE, mensalmente, R$ 3.946,8.
“A greve estudantil está sendo a realidade porque as pessoas já têm um desgaste histórico com a questão da alimentação. É muito caro comer no Campus, ao redor dos hospitais, e a gente já estava com a alimentação cortada pelo Oswaldo Cruz e pelo Procape, seguindo essa mesma uma linha de atender a recomendação. Agora o CISAM cortou, então foi a gota d'água para os alunos”, explicou.
Sem a participação dos trabalhos dos alunos internos por conta da greve, alguns rodízios serão prejudicados nas três unidades, afirma o Diretório Acadêmico.
Reivindicação
Os alunos organizam uma mobilização para a próxima quarta (28), para reivindicar um debate com o Governo do Estado. Godê explica que a intenção é que todas as unidades do complexo hospitalar da UPE voltem a disponibilizar almoços gratuitos para os internos.
“Nossa demanda é que todos os alunos que vão rodar dentro do complexo por mais de um turno tenham acesso à alimentação em todo o complexo hospitalar. A gente não quer só que o CISAM volte a dar almoço, a gente quer que seja como já foi em outros tempos, de todas as unidades do complexo fornecerem a alimentação para a gente. Já é um estágio não remunerado. E aí a gente paga para ir, para paga para comer, isso termina tornando uma dinâmica extremamente elitista”, afirmou.
O estudante ainda destacou a pauta da criação de um restaurante universitário para os alunos.
“A gente é uma das poucas (universidades) estaduais, com um tamanho que tem e com a quantidade de campus, sem um restaurante universitário. O restaurante universitário é uma das nossas pautas centrais, justamente porque incomoda o estudante da UPE, o que faz medicina, o que faz direito, educação física, enfermagem, em todas as áreas têm essa luta”, argumentou.
O que dizem a UPE e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI)
A reportagem do Diario de Pernambuco procurou a Universidade de Pernambuco (UPE) e a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) de Pernambuco.
Até a última atualização desta matéria, nenhuma das instituições se pronunciou. A reportagem aguarda retorno.