Recife entra em 2026 com risco médio por conta de focos de mosquito da dengue
Jovens adultos são os principais infectados pela doença e a prefeitura destaca três bairros da Zona Sul com mais focos do mosquito
Publicado: 20/01/2026 às 17:55
Recife já tem 12 casos de dengue em 2026 (Foto: Crysli Viana/DP Foto)
Recife entrou em 2026 com risco médio diante da quantidade de focos de mosquito transmissores da dengue, segundo o primeiro ciclo do Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) do ano. A capital já soma 12 casos da doença este ano e um índice de infestação predial de 1,3%. Os bairros com mais casos são Brasília Teimosa, Ibura, Cohab e Vasco da Gama, apresentando Risco Muito Alto de infestação pelo Aedes aegypti, com o levantamento igual ou maior que 4,0%.
De acordo com a pasta, o perfil dos casos de dengue registrados em 2025 no Recife mostra maior concentração entre adultos jovens. A faixa etária de 20 a 39 anos respondeu por 34,3% dos casos confirmados, seguida pelo grupo de 10 a 19 anos, com 23,7%. Considerando o conjunto de pessoas entre 10 e 39 anos, esse grupo concentra 58% dos registros no período.
Em relação ao sexo, houve distribuição equilibrada, com 51,1% dos casos em mulheres e 48,8% em homens. Quanto à raça/cor, a maioria das notificações foi registrada como parda (62,7%), seguida por branca (9,2%) e preta (1,9%), embora 25,6% das fichas apresentem essa informação como ignorada. Entre gestantes, foram notificados 130 casos suspeitos ao longo de 2025, com 54 confirmações, todas evoluindo para cura.
Já em 2026, até a segunda Semana Epidemiológica, correspondente ao período de 3 a 17 de janeiro, foram notificados 71 casos suspeitos de dengue no Recife, com 12 confirmações até o momento. Entre os casos confirmados, 41,7% ocorreram em pessoas de 20 a 39 anos, e 58,3% em mulheres. Até o período analisado, não houve registro de casos suspeitos em gestantes.
Prevenção
De acordo com a Vigilância Ambiental do Recife, as equipes atuam de forma contínua, inclusive aos fins de semana, com mutirões concentrados em áreas consideradas prioritárias, onde há maior infestação do Aedes aegypti e registro de casos. A estratégia busca ampliar a cobertura das inspeções realizadas pelos agentes de saúde e alcançar um maior número de imóveis.
Paralelamente, o município tem investido na capacitação permanente dos profissionais e no fortalecimento das ações de controle vetorial, com a ampliação do uso da Estação Disseminadora de Larvicida (EDL). A armadilha passou a ser instalada também em unidades de saúde. O número de estações saltou de 223 para 628, com a meta de chegar a mil até o fim de fevereiro.
Além das ações operacionais, a Secretaria de Saúde também aposta na orientação direta à população. Agentes de saúde e equipes de educação em saúde atuam nos territórios levando informações sobre prevenção, eliminação de criadouros e sinais de alerta da doença.
Nas áreas que demandam maior atenção, como Ibura, Jordão, Cohab e bairros da Zona Norte, a pasta destaca que há reforço da força de trabalho e adoção de estratégias específicas para tentar alcançar todos os imóveis.
No campo da prevenção, a vacinação contra a dengue segue como uma das estratégias adotadas pelo município. No Recife, a população estimada de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos é de 89.504 pessoas.
Até o momento, foram aplicadas 41.079 primeiras doses, o que corresponde a uma cobertura de 45,9%. Em relação à segunda dose, foram registradas 17.138 aplicações, alcançando uma cobertura de 19,15% entre o público-alvo.
Dengue em Pernambuco
Pernambuco registrou, entre 29 de dezembro de 2024 e 3 de janeiro de 2026, 12.481 casos de dengue, sendo 292 considerados graves e 10 mortes. Os dados são do Informe Epidemiológico de Arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE).
Em todo o estado, a incidência foi de 253,1 casos a cada 100 mil habitantes e houve uma queda de 44,6% em relação ao mesmo período do balanço anterior.