Fraude em concurso: detidos em flagrante usaram relógio inteligente e pontos no ouvido para repassar questões da prova
De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos foram flagrados no início da aplicação das provas e, por isso, "não foram verificados indícios que comprometessem a lisura do certame".
Publicado: 12/01/2026 às 15:43
Um cartão de crédito com chip, o ponto eletrônico e o smartwatch usado para fraudar o certame de Paulista (Fotos: Divulgação/PCPE)
Três homens foram flagrados no domingo (11) tentando fraudar um concurso público para guarda municipal, em Paulista, no Grande Recife. Segundo a Polícia Civil de Pernambuco, um dos detidos era o responsável por fotografar a prova para que pessoas de fora repassassem as respostas.
Eles foram levados para a delegacia e atuados por fraude em concurso e organização criminosa, mas acabaram sendo libertados, segundo advogados.
A prova foi aplicada para 39 mil candidatos em 80 escolas.
De acordo com a Polícia Civil, os suspeitos foram flagrados no início da aplicação das provas e, por isso, “não foram verificados indícios que comprometessem a lisura do certame”.
As informações foram repassadas nesta segunda-feira (12) em coletiva de imprensa. Conforme o delegado Júlio César Barbosa, adjunto da 1ª Delegacia de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado, a investigação teve início em 7 de janeiro com uma denúncia anônima.
A partir disso, a Polícia Civil conseguiu chegar a nomes suspeitos e agir de forma simultânea nas escolas.
A peça “central” no esquema seria Gerson Agustinho da Silva, de 47 anos, segundo a corporação, preso em flagrante na escola EREM João Pessoa Guerra, em Igarassu.
“O suspeito, que portava um smartwatch e ocupa um cargo elevado na hierarquia da organização criminosa, era responsável por capturar e repassar o conteúdo das provas. O objetivo dele não era a aprovação, mas o fornecimento das questões para cúmplices externos”, detalhou Barbosa.
Para fraudar o exame, de acordo com a polícia, os suspeitos deixavam uma prova falsa na mesa e levavam a verdadeira ao banheiro. Lá, fotografam o conteúdo e o enviam para fora do prédio antes de retornarem aos seus lugares. Assim, os demais membros da organização repassavam as respostas corretas.
O repasse era feito por meio de pontos eletrônicos que, segundo a corporação, não podiam ser vistos normalmente na orelha.
Os outros dois presos, que realizavam provas em escolas em Paulista e Abreu e Lima, os usavam.
Em vídeo divulgado pela Polícia Civil, um dos detidos em flagrante está em uma Unidade de Saúde tendo o ponto eletrônico removido de seu ouvido.
Para receptar as ligações com as respostas, a corporação conta que encontrou com os homens um celular antigo e um “cartão de crédito”.
"O dispositivo simula um cartão de crédito comum, mas é um pouco mais grosso. Ele tem um chip telefônico e recebe ligações de celular, retransmitindo-as via Bluetooth para o ponto eletrônico do usuário”, explicou o delegado.
De acordo com o policial, os valores cobrados pela fraude variavam de R$ 5 mil, podendo chegar até R$ 170 mil.
Também em Paulista, a polícia prendeu um quarto suspeito que tentava fraudar o concurso para o cargo de agente de trãnsito
Esse homem não tem relação com a quadrilha que particiopu do crime no certame para a guarda municipal.
Ao Diario de Pernambuco, a defesa de Gerson Agustinho da Silva, representado pela advogada Roselayne Natália negou que ele fosse “a peça central”, afirmaram que já fizeram esclarecimentos hoje e disse que “Gerson não foi pego fazendo fraude”.
A reportagem entrou em contato com o advogado de outro suspeito, mas este não retornou até o momento.