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AGRESSÃO

Professor denuncia agressões de seguranças do bar Seu Boteco: "Fui tratado assim por ser negro"

O professor Alysson Reis comemorava seu aniversário no camarote montado para o show de Priscila Senna

Diario de Pernambuco

Publicado: 31/08/2025 às 15:27

O bar Seu Boteco, no Centro do Recife./Foto: Reprodução/Redes sociais

O bar Seu Boteco, no Centro do Recife. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

O professor Alysson Reis, de 23 anos, denuncia que seguranças do bar Seu Boteco agrediram ele e seu noivo no dia do camarote para acompanhar a gravação do DVD de Priscila Senna no Marco Zero, Centro do Recife, na última quarta-feira (27). Para o professor, que é negro, o episódio teve viés racista.

Alysson conta que decidiu comemorar seu aniversário com o noivo, a irmã e um casal de amigos no camarote do Seu Boteco. A mãe dele estava do lado de fora acompanhada do marido e amigos.

"No momento final do show, começou a tocar uma banda interna no bar. Eu fui até a porta, junto com minha irmã, e perguntei se, caso eu saísse, poderia voltar. O segurança me explicou que sim, porque eu estava de pulseira", conta ao Diario de Pernambuco.

O professor passou cerca de 5 minutos com a mãe do lado de fora. "Quando eu volto, sou impedido de entrar. Quando pergunto o porquê, eles alegam que a banda interna parou de tocar, por isso eu não podia mais entrar ali", relata.

"Eu falei que a gente tinha que entrar, porque estava com um grupo dentro e também tinha comprado um balde de cerveja, e estava consumindo".

Agressões

O professor diz que começou a gravar vídeos no local afirmando que estava sendo impedido de acessar um serviço que já havia pagado. O celular teria sido tomado pelos seguranças, que também teriam empurrado ele e a irmã.

"Eles empurraram a gente violentamente", alega. "Minha irmã é pequena e, mesmo assim, eles empurraram a gente com violência".

De posse do celular novamente, o professor voltou a gravar vídeos denunciando a situação.
"É nesse momento que um dos seguranças sai do lado de dentro, vai até fora. Eu estava de costas e, quando eu me viro, eu leve esse soco".

Segundo o professor, seu noivo levou um mata-leão ao tentar tomar satisfações sobre o ocorrido.

"O Seu Boteco é um 'boteco premium'. Nesses lugares extremamente caros, a maioria das pessoas que está ali é branca. Eu tenho certeza que essas pessoas não seriam tratadas da forma como fui", diz Alysson.

"Eu não tenho dúvidas de que esse tratamento ocorreu dessa forma por eu ser uma pessoa negra", ele comenta. "Eu estou com o sentimento de que a pessoa negra não consegue encontrar um lugar seguro mesmo ela pagando por isso".

Alysson registrou um boletim de ocorrência e procurou atendimento médico. "Já marcamos data para que o depoimento seja colhido. Vamos, sim, judicializar, para buscar um reparo a tudo que aconteceu".

O professor diz estar abalado desde o episódio. "A Priscila Senna é uma cantora que eu gosto muito. Não estou conseguindo escutá-la, porque toda vez que eu tento, eu me lembro de tudo e começo a gelar".

Resposta

O empresário Gustavo Satou, sócio do Seu Boteco, disse ao Diario de Pernambuco que só soube do ocorrido no dia seguinte. Ele destacou que a situação se deu do lado de fora do estabelecimento e no final do evento. "Não existe essa política de sair e voltar", declarou.

Entretanto, ele admitiu ter havido erro na forma que a situação foi gerida. “A gente já errou, por ter tido a agressão, já errou independente de qualquer coisa. A violência é a última alternativa”, disse. Gustavo afirmou que procura contato com o professor e seu advogado e que não descarta um pedido de desculpas ou uma retratação financeira.

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