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REVIEW

‘Halo: Campaign Evolved’: Análise

‘Halo: Campaign Evolved’ é o remake do título clássico de 2001.

Antônio Gois

Publicado: 28/08/2026 às 20:34

Screenshot de 'Halo: Campaign Evolved'/Divulgação/Halo Studios

Screenshot de 'Halo: Campaign Evolved' (Divulgação/Halo Studios)

Halo’ está no panteão das franquias de videogame. Além de ser uma das grandes franquias da história geral desta arte, foi um dos responsáveis por dar forma a todo um gênero, os First Person Shooters (FPS), um dos mais populares e rentáveis da indústria, outra conquista de que poucos títulos podem se orgulhar.

Além disso, não somente para a história dos games em si, ‘Halo: Combat Evolved’ (Bungie, 2001) foi um dos responsáveis por popularizar os jogos de tiro em primeira pessoa nos consoles em uma época em que os maiores títulos estavam concentrados no PC. O console em questão, em 2001, era o Xbox clássico, onde o game era o principal ‘system seller’, ou seja, aquele título que era obrigatório ter junto ao videogame — ou cuja venda era popularmente atrelada ao aparelho.

Screenshot de 'Halo: Campaign Evolved' - Divulgação/Halo Studios
Screenshot de 'Halo: Campaign Evolved' (crédito: Divulgação/Halo Studios)

Sendo esse grande colosso na história dos games, a franquia ganhou cerca de uma dezena de novos jogos (entre lançamentos e novas versões) e foi transportada para novas mídias, como livros, HQs e uma série para televisão. Sendo assim, em uma história que se mistura com a do próprio Xbox, a Microsoft lançou, em 2026, ‘Halo: Campaign Evolved’, título que traz um remake da história do game original para comemorar 25 anos de franquia e de seu console clássico.

No século XXVI, quando a humanidade já busca dominar o espaço sideral, o centro do Comando Espacial das Nações Unidas (UNSC) é atacado, obrigando um grupo militar a fugir em uma nave. Ao realizar um salto espacial, esses militares se defrontam com o Halo, um planeta artificial em formato de anel. Com a humanidade sendo ameaçada por uma organização alienígena, o supersoldado Master Chief, com a ajuda da Cortana, uma IA avançada, é obrigado a explorar esse local misterioso enquanto tenta descobrir segredos que ameaçam todo o universo.

Screenshot de 'Halo: Campaign Evolved' - Divulgação/Halo Studios
Screenshot de 'Halo: Campaign Evolved' (crédito: Divulgação/Halo Studios)

‘HALO: CAMPAIGN EVOLVED’

Halo: Campaign Evolved’ (2026) foi o primeiro game da série que eu terminei. Ainda assim, além de ter sido uma experiência positiva — como poderemos ler no decorrer do texto — me trouxe um sentimento agradável de nostalgia, não relacionado à série em si, mas ao modo como o jogo funciona, já que muitos outros títulos da época apresentavam algo parecido, exatamente por terem ‘Halo’ e seus contemporâneos como referência direta. Mesmo assim, por ser um jogador de console, me senti próximo desse game como se já o tivesse jogado, devido à importância que este teve para os FPS que viriam anos depois nestas plataformas.

Por isso é inegável a importância de ‘Combat Evolved’ (2001) como definidor de gênero. De grandes clássicos a jogos toscos feitos em Flash para navegador, há resquícios deste em muitas características do gênero — claro, tomando por base o nível técnico de cada um.

Começando pelo combate, onde o game esconde alguns pontos interessantes por baixo de uma roupagem simples. Aqui, pode-se escolher até duas armas com munição limitada e poucos arremessáveis. Além disso, todos os inimigos estão armados com equipamentos aos quais o jogador pode ter acesso ao derrotá-los. Com isso em mente, o game sabe bem quando exigir do jogador uma mecânica de tiro (gunplay) balanceada, punindo afobação e oferecendo maneiras de criar estratégias rápidas no meio do caos. O jogo faz com que a adaptação seja necessária mesmo nos momentos de combate frenético, fazendo com que o jogador saiba o tempo certo e use essas poucas ferramentas para obter vantagem na batalha.

Screenshot de 'Halo: Campaign Evolved' - Divulgação/Halo Studios
Screenshot de 'Halo: Campaign Evolved' (crédito: Divulgação/Halo Studios)

A limitação que o jogador enfrenta no arsenal disponível é compensada com a objetividade e a velocidade do combate, algo que funciona bem levando em conta a simplicidade que temos aqui. Nesse sentido, a maneira com que o jogo trabalha — e trabalhou — com suas limitações faz com que os desafios continuem divertidos, sem pôr de lado a dificuldade e a sensação de hostilidade que os inimigos apresentam.

Essa hostilidade é, muitas vezes, reforçada pelo level design. O sentimento de realmente estar em uma missão, envolto por um lugar alienígena e misterioso, é perfeitamente transmitido pelo game, o que é especialmente difícil de reproduzir quando o protagonista é um supersoldadoo. Aí é onde brilha o ‘F’ em ‘FPS’. Ao estar em primeira pessoa, a disposição dos mapas, aliada à arquitetura estranha e metálica das construções, torna o ambiente genuinamente ameaçador, já que ali não é um lugar seguro para estar e nem deve ser explorado por prazer, mas desbravado por necessidade.

Screenshot de 'Halo: Campaign Evolved' - Divulgação/Halo Studios
Screenshot de 'Halo: Campaign Evolved' (crédito: Divulgação/Halo Studios)

Outro ponto em que o level design brilha — que deve ter sido marcante à época, já que continua divertidíssimo até hoje — são as missões com veículos, especialmente os de ênfase vertical com os Banshees (carros voadores inimigos que podemos utilizar). Aqui surge novamente a questão do ‘fazer muito com pouco’, mas fazer com objetividade, já que esses trechos não são realmente longos nem são mapas enormes, mas se tornam marcantes pela proposta diferente a que somos apresentados, tendo em vista que esses veículos nos trazem tanto a movimentação quanto uma opção diferente e poderosa para o combate, elevando o impacto das cenas de batalha que se passam enquanto estamos em seu controle.

Por outro lado, se o game acerta nessa verticalização do terreno, as missões que se passam nos ambientes internos podem soar repetitivas em certo ponto. O que acontece é que, sim, a atmosfera é bem construída e os ambientes fechados trazem uma ação mais claustrofóbica; entretanto, o game perde oportunidade de criar sequências mais interessantes nesses locais, enquanto continua oferecendo os mesmos inimigos em um ritmo constante, que apenas se tornam pedras no sapato e quebram a linearidade e a objetividade que o game tanto quer criar.

Outro ponto que deve ser o grande destaque de ‘Campaign Evolved’ é o seu aspecto visual. Tendo seus gráficos completamente refeitos para as tecnologias atuais, os desenvolvedores conseguiram equilibrar bem características visuais contemporâneas com a modelagem original dos objetos, atualizando o visual sem abrir mão do que tornou o original tão marcante. Desde objetos pequenos, como as armas que receberam detalhes e texturas, até os ambientes de grande escala, com cores exuberantes e profundidade reconstruída, os novos visuais desempenham um papel central aqui: o de oferecer essa nova roupagem e atualizar uma história clássica exatamente onde estava proposto. Essa preservação retocada dos visuais transporta o jogador de volta a essa época em que os FPS ainda estavam se descobrindo e preenchiam as lacunas de suas limitações com criatividade na jogabilidade.

Em questão de otimização, o desempenho no PC é OK, mas não ótimo. Existem alguns excessos no emprego de ray tracing que 'gargalam' o desempenho na máquina, algo aparentemente obrigatório, mas na verdade desnecessário no transporte de um jogo clássico para a atualidade. Porém, as novidades na iluminação são bem empregadas e acabam ajudando mais do que sendo um obstáculo, fazendo com que o game permaneça bonito até nos modos mais humildes de configuração.

Halo: Campaign Evolved’ é um exemplo de um remake que pode ser acessível e, mesmo que não seja plenamente necessário, serve como uma homenagem a um game que merece ser trazido com visuais atualizados, tendo seus excessos, mas sabendo onde merece ser respeitado. Se 'fazer muito com pouco' pode definir o game original, a boa utilização das tecnologias atuais para enaltecer esse título é bem vinda e faz jus à franquia a que pertence.

Nota: 72
Plataforma: PC
*Uma chave do jogo foi enviada para a produção desta análise

Screenshot de 'Halo: Campaign Evolved'
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Screenshot de 'Halo: Campaign Evolved'
Screenshot de 'Halo: Campaign Evolved'
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