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Caso Master: procuradoria pede bloqueio de fundos por rombo de R$ 640 mi no RioPrevidência

Bloqueio atinge três gestoras ligadas à Master Corretora, braço de investimentos do conglomerado gerido por Daniel Vorcaro

Estadão Conteúdo

Publicado: 17/07/2026 às 15:09

Banco Master foi liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central/Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Banco Master foi liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

A Procuradoria-Geral do Rio de Janeiro pediu à Justiça o bloqueio de bens de três gestoras ligadas à Master Corretora, braço de investimentos do conglomerado gerido por Daniel Vorcaro e de seus respectivos diretores. Dois fundos receberam R$ 641,4 milhões em aportes do RioPrevidência, que teve seus investimentos comprometidos após a liquidação do Banco Master, em novembro do ano passado.

Por causa dos prejuízos milionários, o fundo previdenciário do Rio é investigado pela Polícia Federal na Operação Barco de Papel. A ofensiva da corporação apura se a cúpula do RioPrevidência fez aportes temerários no Banco Master, que totalizam R$ 970 milhões, segundo a PF. A autarquia nega as acusações.

Um time de nove procuradores do estado do Rio ajuizou três ações contra os fundos Revolution e Texas I FIA, ambos ligados ao Master. Nas petições, a procuradoria afirma que as perdas do RioPrevidência "alcançam patamares alarmantes".

No fundo Revolution, o RioPrevidência aplicou R$ 481,4 milhões. Segundo a procuradoria, embora o patrimônio atual do fundo seja estimado em R$ 567,8 milhões, a carteira permanece sob sigilo e é composta majoritariamente por ativos de crédito privado com remuneração de até 180% do CDI, taxa considerada pelos procuradores como "economicamente anômala".

A procuradoria ingressou com pedido de tutela cautelar para impedir que as remanescências do Master impeçam o resgate dos recursos solicitado pelo RioPrevidência, previsto para ocorrer em 17 de agosto. A medida também pede o arresto de bens da gestora Acura Capital e de seus diretores Fernando Luiz de Senna Figueiredo e Ana Cristina Guerreiro Bezerra, para preservar patrimônio em caso de eventual responsabilização e ressarcimento de prejuízos.

O Estadão pediu manifestação da Acura sobre a petição da procuradoria fluminense. O espaço está aberto para manifestação. Os procuradores querem o bloqueio de ativos, a indisponibilidade de imóveis, veículos, ações, marcas, embarcações, aeronaves e criptomoedas dos diretores do fundo.

"Armadilha arquitetada"

No caso do Texas I FIA, o RioPrevidência aportou R$ 150 milhões, valor que, segundo a Procuradoria, caiu para R$ 14,8 milhões, uma desvalorização superior a 90% em menos de um ano.

"O Rioprevidência foi vítima de uma armadilha arquitetada pela administração e pela gestão do Texas I FIA, que vendeu ao ente público quotas de um fundo lastreado em uma ação desprovida de fundamento", afirma a petição.

A Procuradoria afirma que o fundo concentrou 96% da carteira em ações da Ambipar (AMBP3) e manteve essa exposição mesmo após controvérsias regulatórias envolvendo a companhia na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Nesse caso, a ação pede a indisponibilidade de bens da gestora Axor, da Trustee DTVM e dos diretores Alexandre Marchesani Canata e Felipe Mota Separovic Rodrigues.

A reportagem solicitou um posicionamento das gestoras citadas e de seus diretores. O espaço segue aberto para manifestação.

Os procuradores apontam que entre julho e agosto de 2024, a Trustee DTVM - citada na Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis - "teria comprado maciçamente os papéis por meio de fundos, inflando artificialmente seu preço", segundo a Procuradoria.

A terceira medida apresentada pelos procuradores do Rio é uma ação de exibição de documentos, com o "objetivo de obter informações e registros necessários para aprofundar a análise sobre a estrutura dos investimentos, a gestão dos fundos e possíveis irregularidades nas operações".

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