CESAR completa 30 anos como pioneiro na produção de tecnologia do Recife
Evento reúne tecnologia, empreendedorismo e aprendizagem em comemoração aos 30 anos da instituição.
Publicado: 14/05/2026 às 20:40
Palestra Magna ministrada pelo professor Silvio Meira. (Paulo Vasconcelos/CESAR/Divulgação)
O CESAR deu início, nesta quinta-feira (14), ao CESAR BEAT, evento que reúne tecnologia, empreendedorismo e aprendizagem em comemoração aos 30 anos da instituição.
Posicionado como um projeto de sucesso nacional, o CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) nasceu em 1996 dentro do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O Centro é ainda considerado o berço do Porto Digital.
O começo das celebrações, que se estendem até o sábado (16), se deu com uma palestra magna ministrada pelo fundador do CESAR, o cientista e professor Silvio Meira. Em sua apresentação, que contou com diversas inspirações visuais autorais, entre criaturas desenhadas durante reuniões e repentinas ideias em frases e acrônimos, Meira misturou inspirações pré-CESAR com a comemoração da existência da instituição. Tudo envolto por ideias sensíveis e falas locais, recifenses e palpáveis.
Em sua fala, voltada fortemente ao empreendedorismo tecnológico, Meira ainda reforçou o papel do CESAR como o criador do mercado de testes de software no Brasil, mas, diferente do que podia esperar parte da audiência, não buscou explicar o que é a inovação, mas alimentou ideias para torná-la possível e ofereceu sua visão de como foi possível a ideia de criação do CESAR se tornar realidade e depois, segundo ele, virar “uma mega rede de pessoas alucinadas, que tem uma alucinação de mudar conjuntamente o mundo”.
Por fim, Meira ainda questionou o papel do cérebro no mundo atual, levando em conta a ascensão multidirecional da Inteligência Artificial, invenção que, para ele, seria a maior desde o surgimento da prensa. Em um encontro com jornalistas, realizado após a palestra, o fundador desenvolveu a ideia e explicou que a IA não vem para ‘roubar empregos’, mas deve obrigar a humanidade a “desaprender”.
“O arado é uma mágica.”, disse, como exemplo. “Ele aumentou a produtividade da terra por um fator de 10, porque em vez de você ficar cavando, com uma ferramenta, um buraco para você botar semente, você passava de uma vez e aí jogava a semente depois. Quando você pegou um arado e botou num boi, você aumentou a produtividade cem vezes. Entre um ponto e outro tem mil anos. A população do planeta cresceu nesses mil anos. Ela foi multiplicada, se eu não me engano, por três. Todo mundo continua empregado, mas não no mesmo emprego”, finaliza.
Ao Diario, Meira ainda respondeu não só sobre a relação do CESAR com Recife e Pernambuco, mas sim desses locais com a instituição. “O CESAR sempre teve muito apoio, muito trabalho conjunto. Hoje, a gente toca um projeto com o governo do estado, o Florescendo Talentos. É um projeto gigantesco que entra por todo o estado de Pernambuco para incentivar não só a descoberta, mas a preparação de talentos nas escolas de ensino médio. Um projeto que já começa a ser replicado pelo Brasil”, afirmou.
Ele ainda completou: “Não só com o Recife e com o estado de Pernambuco, o CESAR tem uma relação muito boa com o governo federal. É uma instituição que faz muitos projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação que são financiados por recursos regulados”. Ele lembrou que, no Brasil, toda empresa de produção tecnológica é obrigada, por lei, a reservar uma pequena parcela do faturamento para pesquisa e desenvolvimento no país. “Esses recursos são investidos para fazer desenvolvimento de tecnologias, de designs, de sistemas, de soluções. E o CESAR é um dos destinatários desses recursos. Não é dinheiro do governo, é dinheiro das empresas que por obrigação regulatória têm que investir no desenvolvimento de capacidades tecnológicas, científicas e de design nacionais”, afirma.
“O relacionamento do CESAR necessariamente tem que ser com a cidade. A gente é uma das instituições âncoras do Porto Digital, com o estado. A gente mora aqui, a gente está aqui”, finaliza Meira.