Erika Hilton se soma a colegas e também pede a Moraes apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro
Deputada cita risco de fuga após derrota eleitoral e declarações de Eduardo Bolsonaro. Pedido ocorre em meio a inquérito que investiga suspeitas envolvendo Flávio e Willer Tomaz
Publicado: 26/10/2026 às 17:52
A deputada Erika Hilton, do Psol de São Paulo (Andressa Anholete/Agência Senado)
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) pediu, nesta segunda-feira (26), ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), incluindo o documento diplomático. A parlamentar também solicitou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalie a adoção de medidas cautelares para impedir que o ex-candidato à Presidência deixe o Brasil.
O pedido ocorre um dia após a derrota de Flávio para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições e em meio à repercussão de declarações do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), irmão do senador, que defendeu que Flávio deixasse o país caso perdesse a disputa.
Em entrevista ao podcast norte-americano Louder with Crowder, na última sexta-feira (23), Eduardo afirmou ser favorável à saída do irmão do Brasil. Antes disso, ao responder sobre uma eventual derrota, comentou em tom de brincadeira que a família poderia "mandar os fuzileiros navais".
Na representação apresentada ao STF, Erika Hilton argumenta que as declarações aumentam a preocupação sobre um risco concreto de fuga. A deputada pede que a PGR examine os elementos e adote as medidas necessárias para impedir a saída de Flávio do território nacional.
A solicitação também cita o inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz.
Segundo informações mencionadas na petição, Flávio teria sido cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária de uma empresa ligada a Tomaz, com acesso para movimentação de valores. A investigação também apura viagens custeadas por uma empresa relacionada ao advogado.
Na sexta-feira (23), Moraes determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de empresas ligadas a Tomaz, o cancelamento de seus passaportes (inclusive o diplomático), o bloqueio e sequestro de bens e valores de até R$ 6 bilhões, além da suspensão das atividades de suas empresas. As medidas contra o advogado, no entanto, não se estendem automaticamente ao senador, dependendo de decisão específica da Justiça.
Outros pedidos foram apresentados
O pedido de Erika Hilton se soma a outras iniciativas anunciadas nesta segunda-feira (26) para tentar impedir que Flávio deixe o Brasil.
Duda Salabert (Psol-MG), Otoni de Paula (PSD-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) também afirmaram ter acionado ou que pretendem acionar as autoridades para solicitar a retenção do passaporte do senador.
Otoni disse ter apresentado uma representação à PGR com pedido de tutela cautelar de urgência. Correia, por sua vez, também afirmou que levaria uma solicitação semelhante ao STF. Já o vereador de Cotia (SP) e ex-aliado dos Bolsonaros, Alexandre Frota, acionou diretamente o Supremo e pediu ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, a apreensão do passaporte de Flávio.
Até o momento, não há confirmação de decisão judicial que determine a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro ou o proíba de deixar o país.
Declaração de Eduardo deu origem às especulações
A discussão sobre uma possível saída de Flávio do Brasil começou a ganhar força antes mesmo do resultado eleitoral. Na entrevista de sexta-feira (23), Eduardo afirmou que o irmão poderia ficar sujeito a investigações depois de deixar o Senado e perder a imunidade parlamentar. "Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza", declarou.
Durante a conversa, o ex-deputado também questionou, sem apresentar provas, a segurança das urnas eletrônicas brasileiras.
Flávio foi derrotado por Lula no segundo turno e deixará o Senado no início de 2027. Com o fim do mandato, o cenário jurídico do senador poderá mudar. A perda da função parlamentar, contudo, não implica automaticamente o encerramento ou a transferência imediata de todas as investigações contra o senador.
Segundo levantamento publicado nesta segunda-feira, Flávio é alvo de três frentes investigativas no STF, incluindo apurações relacionadas a suspeitas envolvendo o advogado Willer Tomaz e empresas de apostas.
A eventual apreensão dos passaportes ainda depende de análise da PGR e de decisão judicial.
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