Deputados eleitos denunciam censura e intimidação em escola estadual de Salgueiro, no Sertão de PE
Segundo relato de Liana Cirne e Jones Manoel, policiais militares entraram na instituição, juntamente com um suposto representante do Partido Liberal (PL), para coagir quem usava camisas vermelhas e/ou adesivos do PT
Publicado: 21/10/2026 às 18:14
Polícia Militar de Pernambuco ( Rafael Vieira/DP Foto)
Os deputados eleitos Liana Cirne (PT) e Jones Manoel (PSOL) usaram as redes sociais para denunciar um episódio de censura e intimidação na Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Aura Sampaio Parente Muniz, localizada no município de Salgueiro, no Sertão pernambucano, ocorrido na última terça-feira (20). Segundo relato dos parlamentares, policiais militares entraram na instituição, juntamente com um suposto representante do Partido Liberal (PL), para coagir quem usava camisas vermelhas e/ou adesivos do PT.
Mediante um vídeo, Liana Cirne expressou "completo repúdio" ao episódio, afirmando que policiais militares entraram na instituição de ensino para obrigar estudantes a removerem adesivos e intimidar professores vestindo roupas na cor vermelha. A parlamentar também mencionou a presença de um indivíduo que, na ocasião, identificou-se como presidente do PL de Salgueiro. Na publicação, ela também informou que acionará a Corregedoria, a Secretaria de Educação do Estado (SEE) e a Justiça Eleitoral.
Deputado federal recém-eleito, Jones Manoel classificou a conduta como coerção política. "Não cabe à representante de partido nenhum agir dessa forma, e não é o papel da Polícia Militar atuar em conjunto com um sujeito do PL para censurar estudantes e professores", declarou. Jones também cobrou providências da governadora Raquel Lyra (PSD).
Posicionamento do Sintepe
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe) repudiou o ocorrido. De acordo com o sindicato, a comunidade escolar foi acusada sem fundamentação de praticar "boca de urna" e sofreu constrangimento por utilizar camisetas vermelhas e bottons com pautas sociais, como a defesa do fim da escala 6x1 e a manutenção das cotas.
A instituição sindical afirmou ainda que ingressará com representações na Corregedoria da Polícia Militar, no Ministério Público e no Governo do Estado para exigir apuração rigorosa e punição aos responsáveis.
"O Sintepe cobrará providências efetivas das autoridades competentes para que o episódio seja rigorosamente investigado e os responsáveis sejam devidamente punidos. A entidade não aceitará ataques à liberdade de expressão, à democracia e à comunidade escolar. A escola pública deve ser um espaço de conhecimento, pluralidade e respeito, nunca de intimidação ou perseguição política", diz trecho do comunicado divulgado nas redes sociais.
O que diz a Polícia Militar de Pernambuco
Por nota, a Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) informou que a Patrulha Escolar esteve na EREM Aura Sampaio Parente Muniz para averiguar denúncias sobre a distribuição de material político-partidário e evitar possíveis conflitos motivados por divergências ideológicas.
Segundo a corporação, os agentes dialogaram com a direção da escola e orientaram estudantes e professores sobre a prevenção de atritos. Além disso, a PMPE ressaltou que a ação teve caráter preventivo, "com o objetivo de preservar a tranquilidade e a segurança da comunidade escolar."
No comunicado, a Secretaria de Defesa Social (SDS) salienta que a Corregedoria-Geral instaurou um inquérito para apurar os fatos relatados pelos parlamentares, verificar as informações e analisar eventuais repercussões administrativas. "O procedimento segue em tramitação no órgão correcional", finaliza a nota enviada ao Diario de Pernambuco.
Caso em apuração
À reportagem, a Secretaria de Educação de Pernambuco informou, também por meio de nota, que esteve na instituição de ensino para averiguar uma denúncia de suposta campanha política no ambiente escolar. Segundo a pasta, o caso está sendo apurado pela "gestão da escola e pela Gerência Regional de Educação (GRE) Sertão Central".
"A Secretaria reafirma o caráter público, democrático e plural da educação e o papel da gestão escolar na condução das atividades da unidade, sempre prezando pela aprendizagem com acolhimento da comunidade, na garantia de um ambiente saudável. Nenhum tipo de violência será tolerado no espaço escolar."