Em Petrolina, Lula diz que Flávio Bolsonaro tem "vida podre" e cobra abertura de sigilos
Durante ato em Petrolina e Juazeiro, presidente afirmou que adversário não terá coragem de abrir os próprios sigilos bancário e telefônico. Petista protocolou autorização no TSE para divulgar dados sob condição de reciprocidade
Publicado: 20/10/2026 às 18:11
Lula condiciona abertura de sigilo bancário à adesão de Flávio Bolsonaro (Foto: Reprodução/YouTube)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta terça-feira (20), que o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa presidencial, é “podre” quando se trata de honestidade. A declaração foi feita durante uma entrevista coletiva no ato de campanha realizado entre Petrolina, no Sertão de Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia, a cinco dias do segundo turno das eleições.
“Ele certamente não vai ter coragem de abrir o sigilo dele, não vai ter coragem de abrir o sigilo telefônico, nem a conta bancária, e não vai ter coragem nem de abrir [os dados] de pessoa jurídica, porque ele sabe que a vida dele é podre quando se trata da honestidade.”
O presidente disse que já protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um requerimento autorizando a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos dados de familiares e de uma empresa da qual é sócio, desde que Flávio Bolsonaro aceite fazer o mesmo.
A afirmação foi feita após o desafio lançado pelo petista durante o primeiro debate presidencial do segundo turno, realizado pela Band no domingo (18). Lula propôs que os dois candidatos tornassem públicos os dados para que os eleitores pudessem avaliar as acusações de corrupção feitas durante a campanha.
“Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é que é ladrão nesse país, quem é que é corrupto. E eu quero ver se ele tem coragem”, declarou o candidato à reeleição.
O documento encaminhado ao TSE prevê a divulgação de informações referentes aos últimos oito anos. A autorização apresentada por Lula também abrange a primeira-dama, Janja Lula da Silva, e os cinco filhos do presidente.
Em contrapartida, ele propõe que a medida alcance Flávio Bolsonaro, a esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a mãe, Rogéria Bolsonaro, e os irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan Bolsonaro. O requerimento também inclui empresas relacionadas aos candidatos.
Entre as empresas citadas no documento estão a L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda., vinculada a Lula, e cinco pessoas jurídicas relacionadas a Flávio Bolsonaro, incluindo a Alcazar Holdings, registrada na Ilha da Madeira, em Portugal.
A Polícia Federal apura suspeitas relacionadas a movimentações financeiras e a possíveis vínculos de Flávio com uma conta associada à offshore, mas o senador nega irregularidades.
Ato reúne apoiadores de Pernambuco e da Bahia
A declaração de Lula ocorreu momentos antes de uma caminhada de campanha no Vale do São Francisco, com concentração na Orla II de Juazeiro e encerramento previsto na Avenida Guararapes, no Centro de Petrolina. A mobilização reúne apoiadores e lideranças políticas dos dois estados na reta final da disputa presidencial.
Entre os nomes anunciados para o ato estavam o presidente nacional do PSB, João Campos, os senadores Humberto Costa e Teresa Leitão, a senadora eleita Marília Arraes e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues.
A atividade integra a estratégia de Lula para ampliar sua votação no Nordeste antes do segundo turno, marcado para domingo (25). No primeiro turno, o petista obteve 63,45% dos votos válidos em Pernambuco, contra 31,03% de Flávio Bolsonaro, segundo os dados eleitorais citados na cobertura da campanha.