Apoiadores de Lula usam ato em Olinda para buscar votos de indecisos
No Bloco da Vitória, em Olinda, militantes defendem direitos trabalhistas, proteção social e democracia para convencer eleitores a apoiar o presidente no segundo turno
Publicado: 18/10/2026 às 21:01
Apoiadores foram às ruas de Olinda em apoio ao presidente Lula (Foto: Maurício Ferry/DP Foto)
A uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificaram a articulação para conquistar votos de eleitores indecisos, de quem escolheu votar em branco ou nulo e de pessoas que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Neste domingo (18), durante o Bloco da Vitória, na Praça do Carmo, no Sítio Histórico de Olinda, militantes ouvidos pelo Diario de Pernambuco relataram conversas com amigos e familiares para defender a reeleição do petista.
Entre os argumentos apresentados estão a defesa dos direitos dos trabalhadores, a manutenção de políticas sociais, o respeito à diversidade e a preocupação com o avanço do preconceito. Os apoiadores também afirmam que a decisão eleitoral vai além da preferência partidária e envolve questões relacionadas às condições de vida da população.
“Eu estou falando muito com meus amigos. Estou dizendo que a gente tem que estar do lado da classe trabalhadora, porque os empresários sempre vão estar do lado dos ricos. Como é que eu vou ser conservador se eu estou lá na manifestação lutando pelos meus direitos? Não tem lógica”, afirmou Álvaro Farias dos Santos, de 32 anos, vigilante e morador de Camaragibe.
Ele também demonstrou preocupação com o uso do discurso religioso para justificar atitudes discriminatórias. “A gente tem que usar a religião para seguir uma doutrina saudável, mas, quando a gente está pegando a religião com um fundamentalismo religioso, acaba que a gente vai fazer besteira, vai ser preconceituoso, vai ser homofóbico.”
A defesa dos trabalhadores também foi o principal argumento apresentado pela balconista de farmácia Ana Santos, de 34 anos. Ela disse que considera necessário ampliar o diálogo com pessoas que ainda não decidiram em quem votar e afirmou que pretende continuar mobilizada até o dia da eleição, marcado para 25 de outubro.
“Eu estou aqui hoje para reivindicar o meu direito do trabalho, porque eu quero ter dois dias de folga. Sou trabalhadora. Então, a gente está aqui hoje, a gente não está de brincadeira. Eu tenho certeza de que a gente vai ganhar no segundo turno. A gente não vai parar.“
A professora Adriana de Queiroz, moradora de Olinda e formada em História, também relatou ter conversado com uma pessoa idosa para convencê-la a votar. Ela fez uma distinção entre mudar a preferência de quem já escolheu um candidato e estimular alguém que não pretendia participar da votação.
“Virar é difícil, sejamos realistas, mas a consciência de quem não estava preocupado em votar eu consegui”, afirmou.
Adriana contou que usou como argumento a possibilidade de perda de direitos e os impactos das decisões políticas sobre pessoas de origem humilde. De acordo com ela, a pessoa com quem conversou é pensionista e possui plano de saúde, mas a experiência de vida e as dificuldades enfrentadas no passado também precisam ser consideradas.
“Ela tem plano de saúde, mas é nordestina, veio de uma origem humilde, sabe o que é viver sem atendimento médico quando era jovem. Então, que ela não pense só nela. Ela pense no que é melhor para todos, como eu.”
O professor Ricardo Cavalcanti, de 55 anos, afirmou que procura convencer eleitores a partir de temas que considera importantes para a convivência social. Para ele, a discussão não deve se limitar à disputa entre partidos, mas incluir a defesa da vida, da inclusão e do respeito às diferenças.
“Eu acho que agora é uma situação sobre vidas. A gente está levando as pessoas indecisas, as pessoas que votaram em branco, as pessoas que votaram em Lula, para mostrar que é uma situação em que a gente tem que salvar vidas”, afirmou.
Ricardo também citou a necessidade de combater o preconceito contra pessoas LGBTQIA+, a xenofobia e a discriminação racial. Segundo ele, essas questões podem aproximar o debate político da realidade das famílias.
“Todo mundo tem uma pessoa que é gay na família. Alguém tem na família um desempregado. Alguém na família tem um preto. A vida tem que ser de amor e a gente precisa de afetividade.”
O ato deste domingo reuniu apoiadores de Lula e representantes de agremiações carnavalescas na Praça do Carmo. A organização anunciou a participação de mais de 100 grupos, entre troças, blocos e grupos de dança, além das orquestras Maestro Oseas e Henrique Dias. A programação integrou a mobilização política à cultura popular pernambucana, com cortejo pelas ruas do Sítio Histórico.
O ato também contou com a presença da ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, que afirmou acreditar que a esquerda já conseguiu conquistar votos e defendeu a mobilização para evitar, segundo ela, um grande retrocesso no país.
Boneco de Lula
Um boneco gigante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou a atenção durante o ato político realizado neste domingo (18), em Olinda. A peça foi confeccionada pelo artista Camarão dos Bonecos e carregada pelo jovem Vinicius Gutenberg, de 25 anos, durante a mobilização que reuniu agremiações carnavalescas e apoiadores do presidente na Praça do Carmo.
“É muito importantes estarmos aqui apoiando Lula. Nós vamos ganhar e virar essa história. Vamos eleger Lula de novo”, afirmou Camarão dos Bonecos, responsável pela confecção do boneco.
Vinicius, que carrega bonecos gigantes desde a infância, também destacou a participação popular na manifestação. “Eu carrego boneco gigante desde criança, a manifestação hoje aqui está grande, tem muita gente. Vai dar certo e Lula vai ganhar de novo”, declarou.
A programação reuniu nomes conhecidos do Carnaval pernambucano, como Eu Acho É Pouco, Elefante de Olinda, Pitombeira dos Quatro Cantos, Boi da Macuca, Cariri, Minhocão e Bloco Sem Terra. O cortejo contou com as orquestras Maestro Oseas e Henrique Dias.