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Política
Caso Master

Flávio era 'usuário master' de conta ligada a jato de Vorcaro, diz colunista

Relatório da Polícia Federal aponta que o candidato do PL tinha acesso elevado à conta de holding que detinha um terço da aeronave; Flávio e o advogado Willer Tomaz negam

Estado de Minas

Publicado: 14/10/2026 às 14:38

Flávio Bolsonaro é o centro de investigação da PF por ser "usuário maste" de conta bancária de empresa ligada a banqueiro/Mauro Pimentel/AFP

Flávio Bolsonaro é o centro de investigação da PF por ser "usuário maste" de conta bancária de empresa ligada a banqueiro (Mauro Pimentel/AFP)

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estava cadastrado como “usuário master” da conta bancária de uma empresa que era dona de um terço do jato que tinha entre seus proprietários o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A informação foi revelada nesta quarta-feira (14/10) pela colunista Malu Gaspar, do jornal “O Globo”, com base em relatório da Polícia Federal (PF) na investigação sobre os desvios no INSS. Flávio e o advogado Willer Tomaz negam ter dividido conta e afirmam que a informação é falsa.

A conta, no Santander, estava em nome da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que tem Tomaz como único sócio. Segundo a PF, Flávio esteve vinculado a ela até maio de 2025. A Alcazar detinha 33,33% da Fraction 024, proprietária do Embraer Legacy 650 de matrícula PP-NLR. As outras duas cotas pertenciam ao dono da Totvs, Laerte Cosentino, e à Prime You, empresa da qual Vorcaro foi sócio entre setembro de 2021 e setembro de 2025.

Foi nesse avião que Flávio viajou com Tomaz em janeiro de 2025, em um trajeto de ida e volta entre Brasília e Fort Lauderdale, na Flórida. O voo foi revelado pela revista “Piauí” em 23 de setembro. Na ocasião, o senador disse ter pegado carona a convite do amigo. Tomaz afirmou não saber que a Prime You era cotista da aeronave nem que pertencia a Vorcaro. A mesma aeronave transportou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, em agosto de 2025.

E-mail ao banco
Ainda segundo a colunista Malu Gaspar, a vinculação aparece em uma troca de e-mails recuperada pela PF no iCloud de Tomaz. Em 22 de maio de 2025, a secretária do advogado, Fayla Menezes, pediu ao Santander que fossem desassociadas do perfil master da conta da Alcazar duas contas: uma identificada com o nome de Flávio Bolsonaro e outra como “conta PF Willer”. O banco confirmou a exclusão pouco mais de duas horas depois.

Para a PF, o perfil de usuário master dava a Flávio “nível elevado de acesso e gerenciamento” sobre a conta, o que “sustenta a hipótese de sua eventual participação econômica ou societária de fato na empresa”. Os investigadores consideram que um eventual vínculo com a Alcazar pode ajudar a entender as relações indiretas do senador com a Fraction 024.

Viagens pela Europa

O relatório também aponta que Tomaz usou outra empresa, a Cathedral Holding, para comprar passagens aéreas para Flávio e familiares. No celular do advogado, há reservas em jatos executivos Bombardier Challenger 350 para dois voos: um entre Lisboa e Nice, em 11 de abril de 2025, com Flávio, Tomaz e as esposas; e outro entre Cascais e Nice, em 23 de maio de 2025, com Flávio, a mulher, Fernanda Bolsonaro, as filhas, Tomaz, a mulher dele, Flávia Corrêa, e outros parentes. Segundo a coluna, o destino final da segunda viagem era Mônaco. Em março de 2025, os dois também fizeram um safári na África do Sul com o senador Weverton Rocha (PDT-MA), outro investigado no escândalo do INSS.

A PF identificou ainda que Tomaz e Flávio se comunicavam pelo Confide, aplicativo de mensagens criptografadas que se autodestroem e bloqueiam capturas de tela. O número do senador estava entre os contatos favoritos do advogado.

Íntegra da nota de Flávio Bolsonaro

O senador nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas. Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa.

O próprio e-mail apresentado comprova justamente que a vinculação era indevida, tanto que solicita a desvinculação. Ou seja, o pedido só reforça que qualquer possibilidade de associação existente estava errada e precisava ser corrigida.

Essas insinuações surgem em pleno período eleitoral e exigem responsabilidade. A divulgação de Fake News é crime eleitoral e os responsáveis deverão responder na forma da lei.

Íntegra da nota de Willer Tomaz

O advogado Willer Tomaz repudia as inverdades reiteradas na reportagem. Com o senador Flávio Bolsonaro mantém apenas amizade, sem nenhum vínculo financeiro ou societário.

Os dois nunca dividiram conta bancária. O e-mail enviado ao Santander não demonstra o contrário. Extrair desse documento uma “eventual participação econômica ou societária” é ilação.

Os deslocamentos citados foram viagens de lazer com as famílias, que embarcaram como convidadas, sem pagamento ou contrapartida de qualquer natureza.

Converter conjecturas em denúncias, em plena campanha eleitoral, tem o evidente propósito de interferir no pleito. A exposição de dados sigilosos de seu celular e iCloud integra o vazamento criminoso já investigado pela Polícia Federal, e os autores responderão na Justiça.

Confira matéria no Estado de Minas.

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