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Política
CASO MASTER

Delação de Vorcaro rejeitada por falta de provas volta a repercutir com divulgação de áudio

Material atribuído ao ex-banqueiro já havia sido descartado pela PF e pela PGR por falta de consistência probatória; Grupo jurídico Prerrogativas aciona a PF por suspeita de depoimento dirigido em troca de soltura e benefícios

Nilton Vilanova

Publicado: 09/10/2026 às 11:59

Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro/Divulgação/Banco Master

Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro (Divulgação/Banco Master)

A apenas 16 dias do segundo turno das eleições, a publicação de novos trechos de áudios e documentos pela Revista Veja e atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no âmbito do Banco Master, voltou a pautar os debates políticos nas redes sociais. O material divulgado faz parte das tratativas de delação premiada apresentadas pela defesa de Vorcaro e que foram formalmente rejeitadas tanto pela Polícia Federal (PF) quanto pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Nos áudios revelados, Vorcaro afirma ter repassado cerca de R$ 30 milhões "por fora" (em espécie, com recursos não oficializados) para o financiamento do documentário "Lula", dirigido pelo cineasta americano Oliver Stone e lançado em 2024, além de repasses voltados ao Instituto Lula.

De acordo com o relato do ex-banqueiro contido nos anexos rejeitados, os pagamentos fariam parte de uma "exigência de operadores políticos" para viabilizar e destravar o credenciamento e investimentos do Banco Master em fundos de pensão federais, como Previ, Petros e fundos da Caixa.

Segundo a apuração inicial dos órgãos de controle, contudo, não há comprovação material, rastreio financeiro ou provas de que os pagamentos citados em espécie tenham de fato ocorrido, tampouco de que o presidente Lula ou os demais citados tenham autorizado ou recebido tais valores.

Reação jurídica e acionamento da PF

Diante da circulação pública do material, o grupo jurídico Prerrogativas informou ter acionado a Polícia Federal para que instaure um inquérito e apure as circunstâncias da veiculação e a origem das tratativas.

O coletivo jurídico aponta suspeitas de que o banqueiro teria sido estimulado a prestar depoimentos direcionados envolvendo a campanha presidencial e o governo federal em troca de promessas de benefícios penais, como a soltura de familiares e a concessão de prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.

Integrantes do grupo destacam que a exposição de trechos de uma delação rejeitada por inconsistências técnicas e sem validação jurídica no processo penal pode distorcer o debate público e tentar fabricar narrativas artificiais sobre as apurações em curso em torno do Banco Master.

Enquanto o inquérito segue tramitando, o descarte técnico do acordo por parte da PGR e a abertura de apuração sobre a origem e a motivação dos relatos reforçam que as alegações contidas nos áudios não passaram pelo crivo probatório necessário para serem validadas como delação oficial.

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