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Política
DENÚNCIA

Deputado eleito Thiago Medina nega envolvimento em incêndio na UFPE e ameaça processar acusadores

Deputado federal eleito confirma ter criado grupo de WhatsApp contra movimentos pró-Lula na universidade, mas nega ligação com ameaças e com o incêndio investigado pela Polícia Federal

Nicolle Gomes

Publicado: 08/10/2026 às 20:45

Vereador do Recife e deputado federal eleito Thiago Medina (PL)/Foto: Reprodução/Instagram @thiagomedinamd

Vereador do Recife e deputado federal eleito Thiago Medina (PL) (Foto: Reprodução/Instagram @thiagomedinamd)

O deputado federal eleito Thiago Medina (PL-PE) negou, nesta quinta-feira (8), qualquer envolvimento no incêndio que atingiu um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Em vídeo nas redes sociais, o parlamentar rebateu acusações de que teria coordenado ações violentas contra estudantes da instituição, mas confirmou ter criado um grupo de WhatsApp destinado a combater movimentos estudantis favoráveis ao presidente Lula (PT).

A manifestação ocorreu após a circulação de capturas de tela de supostas conversas em um grupo de mensagens que apontariam Medina como administrador. Em uma delas, um participante afirma ter “bombas na mala do carro” para confrontar manifestações políticas no Campus Recife da UFPE. O deputado contesta os registros e afirma que as mensagens não pertencem ao grupo criado por ele.

As acusações ganharam repercussão nas redes sociais e chegaram a ser compartilhadas pela ex-ministra Gleisi Hoffmann, ex-presidente do PT. Em resposta, Medina anunciou que pretende processar a petista e outras pessoas que divulgaram as imagens. No vídeo, o vereador do Recife admitiu que criou um grupo no WhatsApp chamado “UFPE anti-Lula” para “combater” movimentos dos estudantes a favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“São dezenas de grupos com centenas de pessoas que falam o tempo todo. E uma pessoa foi lá e falou alguma coisa. Impossível de eu ver. Impossível de eu ver todos os grupos. E outra, não duvido que possa ser algum esquerdista infiltrado que falou, tirou um print para outro celular para falar como se fosse a direita fazendo esse tipo de coisa”, afirmou.

Segundo Thiago, os registros de tela que circulam nas redes sociais não são do grupo criado por ele, pois ele seria o único a ter permissão para enviar mensagem, por ser o administrador.

Ao se defender, o político exibiu um vídeo de supostos alunos integrantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) dizendo que a causa do incêndio seria um curto-circuito em um ar-condicionado. Ele também relacionou essa versão com a falta de manutenção nas dependências da UFPE.

“Manutenção, foi o que faltou no ar condicionado e começou a incendiar. Não fui eu, foi o Lula. Ou seja, se teve alguém responsável pelo incêndio, não fui eu, foi quem não mandou dinheiro para manutenção”, disse.

O que se sabe sobre o incêndio

Na noite de quarta-feira (7), o fogo consumiu o prédio da antiga Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), na Zona Oeste do Recife.

Embora o incêndio não tenha deixado vítimas, o impacto acadêmico e financeiro foi grande. Segundo o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, o fogo destruiu laboratórios essenciais nas áreas de fármacos, informática e genética. O prejuízo estimado é de aproximadamente R$ 100 milhões.

A Polícia Federal (PF) já apura as circunstâncias e as causas do incêndio. Peritos visitaram o local nesta quinta (8) e já iniciaram oitivas de pessoas suspeitas, segundo ministro da Educação, Leonardo Bachinni, que participou de uma visita técnica no local atingido pelo fogo.

Segundo ele, ainda não é possível afirmar se o fogo teve origem acidental ou não. O ministro anunciou que o governo federal irá reconstruir o prédio e repor os equipamentos destruídos.

Ocorrências

O incêndio desta quarta (7) foi o terceiro na UFPE em oito dias. O primeiro caso aconteceu em 30 de setembro, no Departamento de Física do Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN). O segundo atingiu o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências, no domingo (4).

Em nenhum dos casos houve feridos. Não há informações sobre uma possível relação entre os episódios, segundo o reitor da instituição.

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