Fim da escala 6x1 volta a ser debatida no Senado nesta terça (6)
Pauta prioritária do governo esbarra em um cenário político marcado pela disputa interna no Senado e pelo resultado do primeiro turno das eleições presidenciais
Publicado: 06/10/2026 às 12:07
A discussão da PEC começa oficialmente nesta terça (6), mas data da votação em primeiro turno ainda não foi fixada (MARCOS OLIVEIRA/AGÊNCIA SENADO)
O Plenário do Senado Federal retoma nesta terça-feira (6) a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6x1 e reduz a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários.
A medida, uma das bandeiras eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entra em uma fase decisiva, mas esbarra em um cenário político complicado, marcado pela disputa interna no Senado e pelo resultado do primeiro turno das eleições presidenciais.
A PEC 221/2019, já aprovada pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, prevê a obrigatoriedade de dois dias de repouso semanal remunerado e a redução da carga horária para 40 horas, distribuídas em cinco dias.
Para ser promulgada, a proposta precisa de aprovação em dois turnos no Plenário, com voto favorável de três quintos dos senadores, ou seja, 49 dos 81 parlamentares, em cada votação.
Pelo rito regimental normal, seriam necessárias cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno, seguidas de mais três sessões antes do segundo turno. No entanto, um acordo entre líderes pode encurtar esse calendário e acelerar a apreciação. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), marcou sessões de discussão para terça, quarta e quinta-feira, sempre às 14h, em formato semipresencial.
A decisão de Alcolumbre de manter a pauta nesta semana, mesmo após o primeiro turno, é vista como um movimento estratégico em meio à sua própria disputa pela reeleição à Presidência do Senado. Ao tocar em uma pauta prioritária para Lula, o senador do União busca sinalizar alinhamento com o governo, mas desagradar o Partido Liberal (PL), que deve ter a maioria no Senado em 2027, pode custar caro aos seus planos.
A oposição já sinalizou resistência. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o partido não apoiará a reeleição de Alcolumbre e deve lançar o nome do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, para a Presidência da Casa. A insatisfação do PL aumenta com a percepção de que Alcolumbre tem travado pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio Bolsonaro (PL) foi ainda mais direto, criticando publicamente Alcolumbre e afirmando que o Congresso está “capturado pelo governo e pelo STF”. Esse cenário de tensão eleva a incerteza sobre a votação da PEC, que depende de um quórum qualificado e de um clima favorável para avançar.
Mesmo entre aliados do governo, há cautela. A votação de uma PEC exige a presença de um número significativo de senadores em Brasília, e as sessões desta semana acontecem em um momento em que muitos parlamentares ainda estão em campanha nos seus estados. O risco de não alcançar os 49 votos favoráveis em um cenário de quórum baixo é um obstáculo logístico e político.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães (PT), disse que conversará com Alcolumbre para que a matéria seja apreciada até “no máximo” nesta quarta-feira (7). “O Davi tem sido muito firme, quer votar e vai votar nesta semana”, afirmou Guimarães, minimizando a influência do resultado do primeiro turno na votação.
Próximos passos e o que esperar
A discussão da PEC do fim da escala 6x1 começa oficialmente nesta terça (6), mas a data da votação em primeiro turno ainda não foi fixada e depende de um acordo entre os líderes partidários. O governo e a base aliada trabalham para construir um calendário especial que permita a votação ainda nesta semana, enquanto a oposição tenta ganhar tempo ou até mesmo adiar a matéria, apostando em um cenário político mais favorável após as eleições.
Se aprovada no Senado, a PEC seguirá para a promulgação, alterando a Constituição e estabelecendo a jornada de 40 horas semanais com dois dias de folga como regra para os trabalhadores brasileiros. O desfecho, no entanto, segue incerto, com o destino da proposta agora nas mãos de um jogo de xadrez político que envolve a reeleição de Alcolumbre, os planos do PL e a pressão do governo federal.
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