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ELEIÇÕES 2026

Jones Manoel apoia Lula contra Flávio, mas mantém críticas à gestão do PT: "Houve erros graves"

Deputado federal eleito afirma que trabalhará pela reeleição do presidente no segundo turno e diz que fará balanço do governo após a eleição

Adelmo Lucena

Publicado: 05/10/2026 às 18:55

Jones Manoel foi eleito deputado estadual com 249.077 votos/Foto: Reprodução/Instagram

Jones Manoel foi eleito deputado estadual com 249.077 votos (Foto: Reprodução/Instagram)

Eleito deputado federal pelo PSOL em Pernambuco com 249.077 votos, Jones Manoel afirmou que as críticas que fez ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foram “corretas”, mas disse que vai trabalhar pela reeleição do presidente no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Segundo o deputado eleito, as críticas estão principalmente relacionadas à política econômica adotada pelo governo e deverão ser retomadas em uma avaliação após a disputa presidencial.

“A gente vai trabalhar pela derrota do Flávio Bolsonaro e pela garantia da reeleição do presidente Lula. Entendemos que é fundamental que a extrema-direita não volte ao governo”, afirmou Jones.

Questionado sobre como pretende conciliar o apoio a Lula no segundo turno com as críticas que fez ao governo durante a campanha, Jones afirmou que não considera que tenha errado nas avaliações que apresentou.

“Todas as críticas que eu fiz ao governo Lula foram críticas corretas, inclusive o resultado das eleições está mostrando isso. O governo fez uma política econômica que não garantiu a alavancagem da sua popularidade. Eu passei, por exemplo, uns dois anos falando da necessidade urgente de garantir uma política fiscal expansionista para aquecer mais a atividade econômica, geração de emprego, renda e consumo das famílias, baixar a taxa de juros e, ao invés de investir em uma política de privatização, como foi feito aqui com a Compesa, com parceria do BNDES, fazer uma política de fortalecimento dos serviços públicos.”

Jones afirmou que, após o segundo turno, pretende discutir as razões pelas quais a eleição presidencial chegou à segunda etapa. Na avaliação dele, essa análise não deve se limitar a questões relacionadas às redes sociais e à circulação de informações falsas.

“Segundo turno, a gente derrota o adversário, que é o Flávio Bolsonaro. Mas, quando acabar a eleição, a gente vai ter que fazer esse balanço de por que essa eleição tem sido tão difícil. Eu acho que não dá só para falar de fake news, de redes sociais. Houve erros de política econômica graves que não podem ser repetidos.”

Apoio a Lula e hipótese de oposição

Lula e Flávio Bolsonaro foram os dois candidatos mais votados no primeiro turno da eleição presidencial e disputarão o segundo turno em 25 de outubro. Flávio recebeu 56.104.268 votos, enquanto Lula teve 53.876.617.

Jones afirmou que pretende atuar na campanha pela reeleição de Lula. Ao mesmo tempo, questionado sobre a possibilidade de Flávio Bolsonaro vencer a disputa, disse que o PSOL faria oposição a um eventual governo do candidato do PL.

“Se eventualmente tiver uma vitória do Flávio Bolsonaro, coisa que a gente vai trabalhar para não acontecer, evidentemente que seremos oposição total e vamos disputar os processos de liderança da oposição, esse campo da esquerda radical que está se formando a partir do PSOL, para a gente mostrar para o povo trabalhador que a extrema-direita não é saída para nenhum dos problemas que a nossa classe, a juventude, vive no seu dia a dia.”

Prioridades para o mandato

Para o mandato na Câmara dos Deputados, Jones apontou como prioridades a redução da jornada de trabalho, a revogação da reforma trabalhista e o enfrentamento à pejotização.

“As três prioridades imediatas que a gente tem são garantir a aprovação e continuar lutando pela redução da jornada de trabalho, chegando a um horizonte de 30 horas semanais; a defesa da revogação da contrarreforma trabalhista; e derrotar as iniciativas de legalizar a pejotização.”

O deputado eleito também citou a defesa do controle nacional sobre recursos naturais como um dos eixos do mandato. Ao tratar do debate sobre terras raras e outros recursos, defendeu uma política de gestão desses bens que, segundo ele, priorize interesses nacionais.

“A gente quer defender uma política nacionalista e anti-imperialista para a gestão dos recursos naturais do nosso país, que eles sejam controlados pela classe trabalhadora brasileira e revertidos em benefícios concretos para o nosso povo trabalhador.”

Outro ponto citado por Jones foi o endividamento das famílias. Ele afirmou que pretende atuar pela redução dos juros e pelo enfrentamento às apostas esportivas.

Jones divide bancada com Clarissa Tércio e Eduardo Moura

Ao falar sobre a relação com os demais deputados federais eleitos por Pernambuco, Jones afirmou que pretende dialogar com parlamentares de diferentes posições políticas quando houver convergência em torno de questões relacionadas às condições de vida dos trabalhadores.

Ele fez críticas a Clarissa Tércio (PP) e Eduardo Moura (Novo), citando os dois ao falar sobre pautas que considera prioritárias, como o transporte público na Região Metropolitana do Recife.

“A gente precisa dialogar com todo mundo que tenha preocupações em melhorar as condições de vida dos trabalhadores. Não parece ser o caso de Clarissa Tércio ou de Eduardo Moura, que são duas figuras que se tornaram notórias por pautas reacionárias de ataques a mulheres, movimentos feministas, população negra, LGBT e defesa da perspectiva de fundamentalismo religioso e que nunca apresentaram absolutamente nada em benefício do povo trabalhador brasileiro.”

Jones afirmou que os dois parlamentares não teriam apresentado, na avaliação dele, propostas para enfrentar problemas do transporte público. Ele citou as condições do sistema metropolitano e o custo do deslocamento de estudantes como exemplos de questões que pretende levar ao mandato.

Comunicação

Jones também afirmou que pretende ampliar a comunicação digital durante o mandato. Segundo ele, a intenção é criar uma estrutura voltada para sindicatos e movimentos populares, além de manter a produção de conteúdos nas redes sociais.

“Agora, como deputado federal eleito, assim que a gente toma posse do mandato, eu pretendo criar uma assessoria de comunicação para sindicatos e movimentos populares para fazer com que a esquerda, de maneira geral, aprenda de maneira mais qualificada como fazer a comunicação digital, coisa que a gente tem um déficit gigantesco.”

O deputado eleito afirmou ainda que pretende produzir conteúdos audiovisuais direcionados à juventude e à classe trabalhadora.

Jones Manoel foi eleito para uma das 25 vagas de deputado federal destinadas a Pernambuco. Com 249.077 votos, ficou atrás apenas de Pedro Campos (PSB), que recebeu 261.555 votos.

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