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Política
CASO MASTER

Polícia Federal marca depoimentos de Galípolo, Campos Neto e André Esteves sobre Master para próxima semana

Eles serão ouvidos, cada um em um dia, dentro do inquérito que apura suspeitas de cooptação de dois servidores do Banco Central por Daniel Vorcaro

Estadão Conteúdo

Publicado: 01/10/2026 às 17:52

A PF também pretende colher um terceiro depoimento do diretor de Fiscalização do BC Ailton de Aquino/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A PF também pretende colher um terceiro depoimento do diretor de Fiscalização do BC Ailton de Aquino (Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)


A Polícia Federal marcou para a semana que vem os depoimentos do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, do ex-presidente do BC Roberto Campos Neto e do dono do BTG Pactual André Esteves, sobre fatos envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro.

Eles serão ouvidos dentro do inquérito que apura suspeitas de cooptação de dois servidores do BC por Vorcaro. Como revelou o Estadão, a PF decidiu ouvi-los na condição de testemunhas após eles terem sido mencionados no depoimento de um desses investigados, o ex-diretor Paulo Sérgio Souza.

A programação da PF é que cada um seja ouvido em um dia da semana. Seus advogados, porém, ainda podem tentar pedir adiamento. O primeiro interrogatório previsto é o de André Esteves, na segunda-feira (5). Na terça, será a vez de Gabriel Galípolo. Na quarta-feira, a previsão é ouvir Roberto Campos Neto.

Por último, a PF também pretende colher um terceiro depoimento do diretor de Fiscalização do BC Ailton de Aquino, que ficou marcado para a próxima quinta-feira (8). A logística dos depoimentos ainda está sendo organizada.

No depoimento que prestou ao longo do inquérito, o ex-diretor Paulo Sérgio havia citado a existência de reuniões com Galípolo, Campos Neto e Esteves para tratar do Banco Master. O BTG foi mencionado porque chegou a avaliar a compra do banco.

Paulo Sérgio negou ter recebido propina de Vorcaro em troca de repassar informações sigilosas ao dono do Master e afirmou que Galípolo resistiu a enviar uma comunicação de crime ao Ministério Público Federal sobre as suspeitas envolvendo a venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).

"Relata que comunicou ao diretor Ailton a necessidade de fazer a comunicação ao Ministério Público, e que a comunicação estava pronta", contou à PF.

Paulo Sérgio relatou duas reuniões com Galípolo para tratar do assunto. Segundo o servidor, na primeira reunião, ele comunicou que o Banco Master já tinha deixado de recolher todo o compulsório (reserva obrigatória que fica depositada no próprio BC) e seria necessário liquidá-lo ou encontrar uma solução de mercado com o BTG Pactual.

"Naquela primeira reunião, o diretor Galípolo pediu um voto de confiança para a solução do BRB, por volta do final de fevereiro ou início de março; que, na segunda reunião, no final de junho, o diretor Galípolo afirmou que não faria comunicação ao Ministério Público por gestão temerária, pois a informação que havia recebido internamente era de que havia fraude na carteira" afirmou.

Paulo Sérgio disse ainda que, quando Galípolo estava sendo submetido à sabatina de sua indicação no Senado, recebeu de Ailton a orientação de "jogar parado".

O diretor afastado também mencionou um episódio sobre o Banco Master envolvendo o BTG e Roberto Campos Neto. Segundo Paulo Sérgio, em novembro de 2024, Ailton lhe informou que o BTG havia encerrado uma due diligence (diligência prévia a uma negociação) no Master e comunicou ter descoberto uma fraude de R$ 32 bilhões.

"Relata que a comunicação do BTG foi verbal, feita por telefone no dia 29 de novembro, e que o diretor Ailton lhe disse para ir a São Paulo na segunda-feira, pois na terça-feira o BTG faria uma apresentação; que a apresentação foi realizada no dia 3 de dezembro de 2024, estando presentes o presidente Roberto Campos Neto (...); que o BTG não entregou documentação na reunião", afirmou Paulo Sérgio.

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